Dicas
O Que Ainda Sustenta é o Amor...
15/06/2026
Jornalista e professor Carlos Alberto dos Santos
As relações e conexões que construímos no mundo de hoje têm sido um tema de reflexão na atualidade. Com frequência, ouvimos pessoas dizerem que já não conseguem mais se relacionar com amigos; outras relatam dificuldades em se conectar com familiares, até mesmo os mais próximos. São experiências que, muitas vezes, desembocam em sentimentos de solidão e abandono.
Nossas relações se sustentam em pilares que dão sentido ao nosso estar com o outro e, sobretudo, ao nosso estar conosco mesmos. Entre estes pilares, considero o amor verdadeiro um dos mais sólidos. Refiro-me ao “verdadeiro” porque, ao longo da história, vemos incontáveis discursos e atitudes em nome do amor que, na prática, revelam falsidade, superficialidade e até violência. Não raramente, há quem confunda amar com possuir, acreditando que o sentimento legitima a tentativa de transformar o outro em objeto de domínio e manipulação.
O amor, no entanto, é um dom e talvez se manifeste de forma mais plena quando temos a coragem de dizer: “eu te amo porque sou o que sou e você é o que é”, e não pelo que podemos receber um do outro. E, por natureza, este é um sentimento amplo, aberto a múltiplas interpretações. Ainda assim, gosto de pensá-lo como algo sagrado: uma força que não se impõe, mas se revela a quem está disposto a vivê-la com verdade. Talvez, ao ouvir “Iluminados”, da dupla Ivan Lins e Vitor Martins, possamos nos permitir ser atravessados por essa experiência quase divina em sua essência, silenciosa em sua presença e profunda em seus efeitos:
“O amor tem feito coisas
Que até mesmo Deus duvida
Já curou desenganados
Já fechou tanta ferida
O amor junta os pedaços
Quando um coração se quebra
Mesmo que seja de aço
Mesmo que seja de pedra
Fica tão cicatrizado
Que ninguém diz que é colado
Foi assim que fez em mim
Foi assim que fez em nós
Esse amor iluminado”
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