Dicas

A banalidade do mal no cotidiano: quando a violência começa na palavra

16/12/2025

Captura de ecr%c3%a3 2025 12 16 %c3%a0%28s%29 18.18.14

Por Ines Marzano

A violência que assusta o mundo raramente começa em grandes tragédias. Na maioria das vezes, ela nasce em gestos pequenos, reações impulsivas e palavras ditas sem reflexão. A ideia de que o mal se espalha quando deixamos de pensar criticamente sobre nossos próprios atos — discutida de forma sutil por Hannah Arendt — ajuda a compreender por que a violência se tornou tão presente no cotidiano.

Os números seguem alarmantes: cerca de 85 mil mulheres são mortas por ano no mundo, mais de 50 mil por parceiros ou familiares. No entanto, a banalidade do mal não se limita aos feminicídios ou homicídios. Ela se manifesta nas relações diárias, nos espaços compartilhados e, sobretudo, na forma como as pessoas se comunicam.

No pós-pandemia, esse fenômeno se intensificou e hoje pode ser considerado o maior problema psicossocial da atualidade. O isolamento prolongado, o luto coletivo, a ansiedade, o estresse crônico e a sensação de insegurança deixaram marcas emocionais profundas. O resultado é uma sociedade mais reativa, menos tolerante e com baixa capacidade de escuta.

Esse cenário aparece de forma evidente nos crimes de trânsito, nas discussões banais que escalam para agressões físicas e nas explosões de raiva por motivos mínimos. O trânsito virou espaço de descarga emocional: uma fechada, uma buzina, um xingamento — e a violência se instala.

Antes da violência física, porém, existe a violência da palavra. A comunicação violenta se normalizou: críticas que humilham, julgamentos apressados, ingratidão, ataques verbais e condenações definitivas por um único erro. Muitos julgam rapidamente, mas poucos refletem sobre suas próprias emoções e limites.

Nas redes sociais, esse problema psicossocial se amplia. Pequenos conflitos se transformam em linchamentos virtuais, cancelamentos e ódio gratuito. A empatia se fragiliza e o ataque passa a ser visto como resposta aceitável.

A verdade é simples e incômoda: a violência física nasce de violências emocionais e verbais que foram normalizadas. Enquanto essa engrenagem não for interrompida, os números continuarão crescendo.

Dicas práticas:

Respire antes de reagir: impulsividade é combustível da violência.

Fale sem ferir: palavras constroem ou destroem vínculos.

Evite julgamentos imediatos; ninguém se resume a um erro.

No trânsito, lembre-se: não é disputa, é convivência.

Nas redes sociais, pratique o silêncio consciente em vez do ataque.

Se o mal começa no banal, a transformação também começa ali.
Falar com consciência.
Ouvir com empatia.
Reagir com humanidade.

No pós-pandemia, cuidar da forma como nos comunicamos não é apenas uma escolha pessoal — é uma urgência psicossocial.

Foto: Divulgação

Selecionamos os melhores fornecedores de BH e região metropolitana para você realizar o seu evento.