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Diversidade e originalidade marcam seleção de sete filmes inéditos que integram a mostra aurora da 21ª mostra Tiradentes
Dedicada a diretores em início de carreira de longa, a Mostra Aurora exibirá sete longas inéditos de quatro estados brasileiros reafirmando a vocação da Mostra de Cinema de Tiradentes de destacar a experimentação e a ousadia na produção brasileira
Espaço de descobertas, experimentação e ousadia, a Mostra Aurora é recorte da programação da Mostra de Cinema de Tiradentes dedicada às produções inéditas de diretores em início de carreira em longa-metragem (até três filmes). Durante a programação da 21a Mostra de Cinema de Tiradentes, a ser realizada entre os dias 19 e 27 de janeiro, o público poderá conferir sete longas-metragens em pré-estreias mundiais, que serão avaliados pelo Júri da Crítica formado por profissionais do pensamento audiovisual. Os filmes da Aurora se caracterizam por abordagens originais e arriscadas em suas temáticas e estéticas e todos eles são debatidos com o público durante o evento, sempre na manhã seguinte às exibições e com presença da equipe de produção e de críticos convidados.
Com curadoria de Cleber Eduardo e Lila Foster, a seleção em 2018 inclui “Madrigal para um Poeta Vivo”(SP), de Adriana Barbosa e Bruno Mello Castanho; “Imo” (MG), de Bruna Schelb Correa; “Ara Pyau – A Primavera Guarani” (SP), de Carlos Eduardo Magalhães; “Dias Vazios” (GO), de Robney Bruno Almeida; “Baixo Centro” (MG), de Ewerton Belico e Samuel Marotta; “Lembro mais dos Corvos” (SP), de Gustavo Vinagre; e “Rebento” (PB), de André Morais.
A curadora Lila Foster relata que nesta edição serão exibidos filmes muito diferentes entre si, desde investidas mais naturalistas, de forte investimento em dramaturgia (caso de “Dias Vazios” e “Rebento”), até um filme em franco diálogo com o cinema experimental e calcado na desconstrução narrativa (“Imo”) e o olhar de resistência a uma comunidade indígena incrustada na cidade de São Paulo (“Ara Pyau – A Primavera Guarani”). A curadora também chama atenção para dois títulos em que personagens reais são biografados de maneiras mais distintas que o convencional (“Madrigal para um Poeta Vivo” e “Lembro Mais dos Corvos”). “Eles apresentam soluções estéticas diferentes na conformação do retrato de seus personagens: de um lado a fabulação e a multiplicidade de vozes e registros, de outro a economia nos enquadramentos e na forma do retrato que intensificam a abordagem”, diz Lila.
A dupla de curadoria ainda destaca a insurgência como um sentimento que aflora no tom dos filmes selecionados para a Mostra Aurora em 2018, como pode ser visto tanto em ficções como “Baixo Centro” e “Rebento” quanto nos documentários. “Alguns filmes se pautam pela relação no espaço e pela melancolia com esse espaço”, afirma Cléber Eduardo. “A Aurora continua a demonstrar a diversidade autoral de uma nova geração de realizadores, algo que já aparecia entre os inscritos de um modo geral e se fez presente na relação dos selecionados”.
O Júri da Crítica, formado por estudiosos do audiovisual que elegem o título a receber o Troféu Barroco e diversos prêmios oferecidos por parceiros da Mostra, será composto pela ensaísta e pesquisadora Carla Maia(MG), a jornalista cultural, crítica e pesquisadora Carol Almeida (PE), o crítico e pesquisador Rafael Carvalho(BA), o professor e pesquisador Reinaldo Cardenuto (SP); e a professora e pesquisadora Mariana Baltar (RJ).
O anúncio e a premiação dos vencedores acontecem no encerramento do evento, dia 27 de janeiro, às 22h30, no Cine-Tenda.
Em 2017, a Mostra Aurora completou a sua primeira década, totalizando 70 longas-metragens exibidos desde 2011. São dez anos de descobertas, provocações, tendências, invenções e novos rumos que marcaram o cinema brasileiro contemporâneo. “Num primeiro momento, a Aurora tentou ser um canal de difusão a um tipo de cinema que tinha pouco espaço de exibição, discussão e afirmação nos circuitos brasileiros”, relembra Cléber Eduardo, idealizador e curador da seção. “Com o passar dos anos, por ter se tornado efetivamente este espaço, a própria mostra estimulou seu próprio segmento e houve constante renovação dos filmes inscritos e selecionados”.
Para o curador, os filmes da Aurora – sempre avaliados por um Júri da Crítica composto por profissionais do meio que se destacam na pesquisa e reflexão de cinema – se tornaram referência no que de mais arriscado se faz na produção de cada ano. São filmes que, muitas vezes, ganham sua maior projeção na competição da mostra, ao serem vistos pelas grandes plateias do Cine-Tenda, discutidos nas rodas de conversa durante todo o evento e estarem no centro de debates do Centro Cultural Yves Alves com a presença de críticos, pesquisadores e jornalistas no dia seguinte à projeção.
Em seus dez anos, a Aurora revelou ou deu visibilidade a vários cineastas hoje muito bem estabelecidos no circuito brasileiro e mundial, entre eles Kleber Mendonça Filho (“Crítico”, 2008), Bruno Safadi (“Meu Nome é Dindi”, 2008), Felipe Bragança e Marina Meliande (“A Fuga da Mulher-Gorila”, 2009), Irmãos Pretti & Primos Parente (“Estrada para Ythaca”, 2010), Gabriel Mascaro (“Um Lugar ao Sol”, 2010) e Adirley Queirós (“A Cidade é uma Só?”, 2012; “Branco Sai, Preto Fica”, 2014).
Outros que se destacaram no período, tanto na circulação quanto na repercussão dos filmes ao longo dos anos seguintes à exibição na Aurora, foram Gustavo Spolidoro (“Ainda Orangotangos”, 2008), Ivo Lopes Araújo(“Sábado à Noite”, 2008; “Medo do Escuro”, 2015), Marcelo Pedroso (“Pacific”, 2010), Taciano Valério(“Ferrolho”, 2013) e Allan Ribeiro (“Mais do que eu Possa me Reconhecer”, 2015).
A Aurora sempre teve o caráter de criar espaço a uma produção à margem inclusive do chamado “cinema de autor” brasileiro, muitas vezes legitimado ou reconhecido em editais, premiações e produção. Na Aurora, imperam os filmes sem escalas hierárquicas, quase sempre sem orçamentos bem definidos, feitos numa guerrilha de garagem, com equipamentos portáteis e um senso de urgência que se transfere diretamente às estéticas. São filmes, conforme diz o curador, que “negociam menos” e não têm concessões – assumindo, assim, riscos e irregularidades inerentes às suas propostas. “É uma mostra de gana, não de grana. Como já disse o crítico Inácio Araujo: existem filmes que precisam ser vistos e outros que precisam apenas existir”, diz Cléber Eduardo.
Foto: Divulgação
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