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Onda de calor aumenta risco de doenças como gastroenterite
Segundo gastroenterologista, as altas temperaturas favorecem a ação de alguns agentes causadores da enfermidade, como vírus e bactérias
Uma nova onda de calor começou em Minas Gerais no último dia 14. O alerta foi emitido pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) e foi válido por quatro dias, podendo ser prolongado. Segundo a previsão, as temperaturas vão voltar a ficar até 5ºC acima da média, o que indica “risco à saúde”.
A capital Belo Horizonte e as cidades da região metropolitana estão entre os municípios que vão enfrentar dias de sol escaldante. Em novembro, o fenômeno fez BH chegar a quase 40ºC por uma semana. Já no interior de Minas a situação foi ainda mais alarmante: Araçuaí, no Vale do Jequitinhonha, por exemplo, marcou 44,8°C e se tornou a cidade mais quente da história das medições.
Nesse cenário, um alerta é para o risco aumentado de gastroenterite aguda, que segundo a gastroenterologista Karina Camargos, refere-se a um termo médico para designar um tipo de inflamação no tubo digestivo do paciente, acometendo o estômago e intestinos delgado e grosso. “O problema acomete pessoas de todas as idades, mas crianças e idosos são mais suscetíveis às complicações, já que os vômitos e diarreia podem levar à desidratação”. A médica ainda destaca que os outros sintomas da infecção podem ser dor abdominal, febre, prostração, mal estar e dor de cabeça.
Ainda de acordo com a Dra. Karina, que pertence à equipe médica do Hospital Semper, em Belo Horizonte, os períodos de calor são mais propícios para o problema justamente porque as altas temperaturas favorecem a proliferação e disseminação dos agentes causadores da gastroenterite, como vírus e bactérias. A maioria dos casos é causada por vírus, como Norovírus, Rotavírus, Adenovírus e inclusive a COVID. Algumas bactérias mais frequentemente envolvidas são E. coli Salmonella, Shigella e Campylobacter. “A doença é contagiosa, e frequentemente, mais de um familiar apresenta os sintomas”, alerta a gastroenterologista.
Tratamento e prevenção
Dra. Karina explica que na maioria das vezes o tratamento é apenas de suporte, com medicações que aliviam os sintomas e hidratação oral, sem necessidade de tratamentos específicos. “No caso da gastroenterite causada por bactérias ou parasitas, pode ser necessário o uso de medicamentos como antibióticos e antiparasitários para promover a cura”.
Quanto à prevenção, a especialista do Hospital Semper ressalta que a melhor forma de evitar a doença é se atentar para medidas de higiene: é essencial lavar sempre as mãos antes de manusear alimentos ou depois, por exemplo, de lidar com animais de estimação e tocar em objetos. “Uma maçaneta contaminada, um simples cumprimentar de mãos pode apresentar riscos para o indivíduo de contrair uma gastroenterite infecciosa. Por isso, lavar as mãos com água e sabão é crucial”, cita. Caso não haja uma torneira e pia por perto, a estratégia é recorrer à higienização com álcool em gel. “Hoje há diversas opções no mercado de higienizantes para as mãos à base de álcool que podem ser carregados na bolsa”, indica.
A gastroenterologista também orienta que os alimentos crus sejam consumidos de forma mais rápida, pois a chance deles se contaminarem em uma temperatura ambiente alta é maior. “Outra sugestão, é evitar alimentos muito manipulados, pois há risco de contaminação, principalmente quando se desconhece a procedência”.
Por fim, a médica ressalta sobre a importância do paciente não se desidratar, já que a falta de água no organismo é a principal complicação da gastroenterite. “O Ministério da Saúde alerta sobre o risco de complicações, principalmente, em crianças e idosos, caso elas não sejam revertidas rapidamente. Por isso, a recomendação é de que quem apresenta diarreia persistente, vômitos repetidos, dificuldade de manter hidratação oral em domicilio, muita sede, recusa de alimentos, sangue ou pus nas fezes e diminuição da urina, deve procurar atendimento médico”.
A especialista orienta ainda sobre a consciência de cada um, que estando doente, deve evitar contatos com outras pessoas, principalmente do grupo de risco (idosos, crianças e imunossuprimidos).
Foto: Larissa Oliveira
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