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Como proteger os cães do barulho dos fogos de artifício

Coordenador do curso de Medicina Veterinária da Estácio ensina algumas medidas para acalmar e distrair o pet durante os festejos da virada do ano

Apesar de ser um belo espetáculo, a queima de fogos de artifício gera uma alta carga de estresse em cães, isso porque eles têm uma sensibilidade auditiva diferenciada dos humanos, como esclarece o coordenador do curso de Medicina Veterinária da Estácio BH, o Professor Dr. Frederico Crepaldi:

“A potência auditiva dos cachorros chega a ser quatro vezes maior que a nossa. Alguns profissionais afirmam que sons acima de 60 decibéis são suficientes para afetar de forma estressante um canino. Essa sensibilidade auditiva apurada dos carnívoros pode gerar, ainda, ataques de pânico ou até mesmo convulsões. Assim, os fogos de artifício são inimigos dos nossos pets, pois desencadeiam um processo de estresse e medo”, salienta.

O médico veterinário explica que boa parte dos animais apresenta comportamentos distintos, não padronizados, que irão depender de como foi processada a informação do estouro e do volume. “Alguns cachorros tentam fugir e se esconder a qualquer custo, destruindo portas, paredes, camas, sofás, à procura de um refúgio para se esconder. Outros ficam tão desesperados que durante a fuga são atropelados, pulam de janelas de prédios, de veículos, de sacadas. Outros podem chorar, tremer, defecar ou urinar, ficar em estado de alerta ou agressivos, dada a interpretação de perigo iminente. Alguns podem apresentar crises convulsivas decorrentes da descarga de adrenalina gerada pelo som alto”, comenta.

O Professor Dr. Frederico Crepaldi recomenda que os tutores permaneçam no mesmo ambiente durante a queima de fogos e mostrem ao seu cão que está tudo sob controle. “No momento do estouro dos fogos, coloque uma música ambiente mais calma, acaricie ou coloque o seu amigo no colo, oferecendo mais proteção e abrigo. Outra técnica é criar uma "toca", um lugar onde o cãozinho ache que estará protegido. Esse lugar seguro pode ser uma mesa coberta por um lençol, longe da janela. Não podemos esquecer de colocar objetos pessoais do doguinho dentro da sua "toca". Coloque brinquedos, caminha, água, petisco e apresente a ele antes do foguetório”, ilustra.

Outra alternativa é o uso de tampões de algodão no ouvido dos cachorros para reduzir a intensidade do som, evitando sustos e incômodos pelo volume das explosões. “Alguns profissionais defendem a dessensibilização do cachorro, acostumando-o a volumes altos de forma contínua para que não estranhe os fogos. Eu não recomendo essa técnica, porque no caso da queima de fogos, a explosão em si pode assustar o animal, mesmo que ele tenha sido dessensibilizado com sons altos”, orienta o médico veterinário.

O especialista alerta para que os tutores não recorram a medidas que possam colocar em risco a vida e o bem-estar do bichinho. “Sou contra a dica de enrolar um pano no animal, sob o risco de prender sua circulação ou enforcá-lo, fatos que já presenciei no cotidiano clínico”, finaliza.

Foto: Freepik

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