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Célebre foto da 2ª Guerra Mundial, colorida pela artista brasileira Marina Amaral, contribui para resgate histórico

Em 2016, a artista Marina Amaral recuperou e coloriu uma fotografia que viria a se tornar uma de suas favoritas: um registro da Segunda Guerra Mundial, de quando tropas americanas avançavam contra o exército alemão em Bitche, na França. Na imagem, registrada por um correspondente de guerra, o capitão Thomas H. Garahan hasteia uma bandeira dos Estados Unidos, no segundo andar de uma loja. Foi a primeira na cidade, o que significou que a libertação estava próxima.

Desde então, todos os anos, Marina Amaral publica essa foto em suas redes sociais no dia 13 de dezembro - data em que o fato aconteceu, em 1944. Mas, em 2020, o passado colidiu com o presente e trouxe uma nova perspectiva. Ao publicar a fotografia no último domingo (13), Frank Garahan, filho do capitão Thomas H. Garahan, entrou em contato com a artista pelo seu perfil no Twitter.

Na mensagem, ele contou: “O oficial que segura a bandeira é meu pai. Estive em Bitche muitas vezes e sua foto colorida está em um novo museu lá. A bandeira foi feita escondida dos nazistas durante a ocupação, por uma mulher, em um hotel. E foi entregue ao meu pai naquele dia”, conta.

Ao conversarem, Frank contou à artista que a foto sempre foi importante para a família de Garahan, mas a história nunca havia sido aprofundada pelo capitão. Só após sua morte, em 1988, é que ele se reuniu com antigos colegas do pai para saber mais. Ao ter acesso à foto colorida pela brasileira, uma nova vida foi dada ao evento e fez com que ele ficasse determinado a viajar a Bitche e mergulhar nessa história. Então, concluiu: “a cidade abraçou sua obra de arte como o marco mais importante do legado de uma história que remonta a séculos. Você deve estar muito orgulhosa de sua contribuição para a história de Bitche”.

Para Marina, um fato como este traz sempre grande emoção. “As pessoas costumam dizer que meu trabalho transforma vidas. Ouso contestar e dizer que sou eu quem passa por uma profunda transformação cada vez que tenho o privilégio de ouvir e contar essas histórias. Se há alguém que passa muito tempo imerso no passado, sou eu, mas agora sei que às vezes, quando o passado e o presente se chocam, coisas incríveis podem acontecer”, relata a artista.

 

A história da foto

Quando a guerra estourou, Thomas H. Garahan tinha 28 anos, era casado e tinha uma filha, Kathy. Sua esposa, Kate, estava grávida de seu segundo filho. Ele era mais velho que a maioria de suas tropas, completou o treinamento de oficial e alcançou o posto de Capitão no 398º Regimento, Companhia E.

Em 13 de dezembro, a companhia de Tom participa de uma ofensiva esmagadora contra as implacáveis posições alemãs, conforme registrado na História do 398º Regimento. A ação de Tom nos dias 13 e 14 de dezembro valeu-lhe o prêmio da Medalha de Estrela de Bronze. No dia 16 de março, às 7h30, a Companhia E, seguida pelo segundo batalhão, entrou nas ruas de Bitche. Os habitantes da cidade rapidamente perceberam que a libertação estava próxima.

Um dos primeiros a saudar as tropas foi George Oblinger, proprietário do hotel Auberge le Strasbourg. Ele trouxe a bandeira americana que sua esposa, Maria, havia confeccionado secretamente e a apresentou ao capitão Thomas H. Garahan.

Logo após receber a bandeira, Tom, com alguns membros de sua tropa, levou a bandeira para um apartamento no segundo andar, acima de uma loja. Um fotógrafo correspondente de guerra estava presente e tirou a foto.

Sobre Marina Amaral

O talento somado à preocupação de uma coloração baseada em pesquisas históricas, faz Marina Amaral ser uma das profissionais mais requisitadas em parcerias de museus e instituições relevantes como o History Channel, PBS, KFC, Tatler Magazine, People Magazine, New Regency Films, Pan MacMillan, English Heritage, New York Times, Museu Estatal de Auschwitz-Birkenau e o Memorial Nacional de Paz e Justiça no Alabama.

Idealizou o aclamado Faces of Auschwitz e também criou a RT nos projetos #ROMANOVS100 e #1917LIVE, o que levou à várias indicações internacionais, chegando à final do Festival Lions de Cannes em 2018 e 2019.

Atualmente, ela trabalha em dois projetos. Um deles é um documentário sobre o holocausto, onde registrou encontros com sobreviventes na atualidade em locais de Auschwitz onde o público não tem acesso, que tem previsão de lançamento para 2021. Além disso, seu livro “The Colour of Time”, que é best-seller no mundo inteiro e já foi traduzido para 13 idiomas.

Sua mais nova publicação, “The World Aflame” foi lançado neste ano, mas as ações de divulgação foram interrompidas devido à pandemia mundial de coronavírus. Ainda assim, o livro é o nº1 de mais vendidos de História e Fotografia da Amazon. Feito em parceria com Dan Jones, aborda as duas Grandes Guerras Mundiais e outras conflagrações importantes como as revoluções na Rússia; guerras civis na Irlanda e Espanha; Intervenções americanas na América Latina, guerras coloniais em Moroco, Etiópia e Palestina.

Foto: Divulgação

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