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Em “O Pai do Catavento”, laços familiares são ressignificados pela literatura
Livro de Glória Kirinus e Márcia Cardeal aborda de maneira inovadora a questão da ausência paterna
Em “O Pai do Catavento”, que será lançado nesta quarta-feira (15), às 19h, no canal do YouTube e no Facebook da Aletria, conhecemos a história do pequeno Catavento e suas dificuldades em lidar com os colegas da escola no seu dia a dia. Escrito por Glória Kirinus e ilustrado por Márcia Cardeal, o livro aborda as temáticas do “bullying” e da paternidade. Sempre que era provocado pelos colegas, o personagem retrucava dizendo que iria “chamar o pai”, mas este nunca aparecia.
Quem sempre ia atender aos chamados da diretoria era a mãe Cataventa, que, num certo dia, após retornar pra casa, é surpreendida pela pergunta do filho: “Mãe, quem é meu pai?”. A resposta não é dita imediatamente, o filho vai dormir, mas ela fica com aquela indagação retumbando na cabeça. Resolve abrir um livro de Monteiro Lobato e ali encontra uma outra história que muda tudo.
Quando o filho novamente lhe pergunta “afinal, quem é meu pai?”, ela já tem uma resposta na ponta da língua, ou melhor, na ponta dos dedos. A Cataventa pega a obra em que Dona Benta apresenta a história de Dom Quixote e os Moinhos de Vento. O garoto ouve atentamente, mas continua insistindo pelo paradeiro do pai, e ali a sua mãe tem a oportunidade de dizer: “Seu pai está na história!”.
“Eu acho que essa é a parte mais bonita do livro: a relação com o intertexto. O pequeno Catavento é salvo pela leitura, pela fantasia. Naquela obra de Monteiro Lobato, aparece a aventura de Dom Quixote e imensos Moinhos de Vento, e ali fica sugerido que os Moinhos compartilham com o Catavento o mesmo ‘DNA’”, pontua a escritora Glória Kirinus, nascida no Peru e naturalizada brasileira.
Quando retorna à escola, o protagonista leva consigo o livro, e se mostra confiante para lidar com a turma. Vem dele a iniciativa: “vocês querem conhecer o meu pai?”. E, em seguida, abre o livro com orgulho. Glória ressalta que além de a obra valorizar o papel da leitura e da mediação, difundindo a importância da experiência proporcionada pela literatura, há também na obra um olhar para as relações familiares e os desafios enfrentados por muitas mães solo. “A questão dos afetos e dos desafetos familiares também está presente no livro. Muitas mulheres se veem sozinhas, lutando para criar os filhos sem muita ajuda de ninguém por diferentes motivos”, completa.
A ilustradora Márcia Cardeal, observa que buscou ressaltar a relação intertextual presente em “O Pai do Catavento”, a partir do uso de duas técnicas diferentes. “Para a história do Catavento, eu utilizei lápis de cor com giz pastel seco colorido. Mas quando entra o Dom Quixote, eu uso bico de pena e pastel seco ou sépia com papel de fundo cinza. Isso chama atenção para a ideia de uma narrativa dentro da outra”, comenta a ilustradora.
“O que me interessou muito nesse livro foi essa conexão com a história de Dom Quixote. Acho que de um modo lúdico, a Glória conseguiu incluir uma referência literária muito interessante, o que pode ampliar o repertório da criança sem ser de uma forma pesada ou enfadonha”, ressalta Márcia.
Para a editora Rosana de Mont’Alverne, “O Pai do Catavento” também inova na maneira como aborda a paternidade. “A literatura infantil evoluiu muito no que diz respeito à representação da figura paterna. De ‘pai herói’ ao companheiro afetuoso que divide tarefas domésticas foi um longo caminho. Raramente se vê um livro infantil, como esse, em que o pai é desconhecido. As crianças têm um modo peculiar de compreender a realidade e lidar com a fantasia. Fico pensando em como vão apreciar o personagem Catavento, que guarda uma angústia no peito: não sabe quem é seu pai”, sublinha Rosana.
“A autora Glória Kirinus foi corajosa ao trazer para a literatura infantil esse tema inquietante. A fabulação, aqui, auxiliará como um contraponto de peso ao envolver o protagonista no universo de Dom Quixote, um clássico da literatura universal. Literatura não foi feita para resolver, responder ou ensinar nada, ao contrário, propõe novas perguntas e amplia possibilidades de compreensão do mundo. E isso ‘O Pai do Catavento’ faz muito bem”, conclui ela.
Serviço: Dia 15/12, às 19h, lançamento online de “O Pai do Catavento”, de Glória Kirinus e Márcia Cardeal, no YouTube e no Facebook da Aletria
Link da live: /www.youtube.com/watch?v=MTVOgcCCV6U
Imagem: Divulgação
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