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Mostra no MIS Cine Santa Tereza apresenta filmes produzidos em meio ao AI-5
A Fundação Municipal de Cultura apresenta, entre os dias 13 a 21 de dezembro, no MIS Cine Santa Tereza, a “Mostra Cineclube Comum: Brasil 68”, com exibições comentadas de 12 filmes realizados no Brasil em torno do ano de 1968, quando foi decretado o Ato Institucional nº 5 (AI-5), expressão máxima de intolerância, autoritarismo e repressão da ditadura militar. As sessões têm entrada gratuita, mediante retirada de ingressos 30 minutos antes de cada sessão.
A mostra abre exatamente no dia 13 de dezembro, quando completam-se 50 anos da publicação do AI-5, que foi decisivo no cerceamento das liberdades na ditadura militar. À época, a gravidade da experiência histórica brasileira influenciou uma série de mudanças no cinema nacional: reformulação dos pressupostos do Cinema Novo, com a revisão das representações da experiência popular, como se pode ver em Garota de Ipanema (1967), de Leon Hirszman; intensificação das reflexões sobre a derrota política, como em O Bravo Guerreiro (1969), de Gustavo Dahl; surgimento do chamado Cinema Marginal, atravessado pelo desespero diante da repressão, do qual um dos expoentes é Meteorango Kid, um Herói Intergalático, de André Luiz Oliveira (1969); fortalecimento dos trânsitos entre vanguarda política e experimentalismo estético, como se pode perceber em Jardim das Espumas, de Luiz Rosemberg Filho (1970).
Todos esses títulos estão entre os 12 filmes selecionados que revelam a relação intrínseca entre a história do país e a arte cinematográfica, sendo que a mostra também aposta em filmes menos canônicos dessa época, com atenção especial às obras que só puderam ser exibidas muitos anos depois, devido à ação da censura. A programação inclui, ainda, o único longa do crítico e cineasta mineiro Maurício Gomes Leite, A Vida Provisória (1968), raramente exibido na cidade; Antes, o Verão (1968), de Gerson Tavares, recentemente redescoberto e restaurado; e Desesperato (1968), de Sergio Bernardes Filho, que teve sua circulação proibida pelo regime. Além disso, serão exibidos filmes raros produzidos por mulheres naquele momento, casos de Rosa Rosae (1968), da mineira Rosa Maria Antuña, e de A Entrevista (1967) e Meio-Dia (1969) de Helena Solberg.
A realização da mostra é do Cineclube Comum através do edital de seleção para uso dos espaços do Museu da Imagem e do Som de Belo Horizonte e todas as sessões serão comentadas por pesquisadores e pesquisadoras, críticos e críticas de cinema atuantes na cena belo-horizontina.
Foto: Mostra Brasil 68
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