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Com a sétima sinfonia de Mahler, Filarmônica de Minas Gerias encerra sua temporada 2016

Nos dias 15 e 16 de dezembro, às 20h30, na Sala Minas Gerais, sob a batuta do maestro Fabio Mechetti, a Filarmônica de Minas Gerais apresenta o último concerto da temporada 2016. Para a ocasião, foi escolhida a Sinfonia nº 7 em mi menor, de Mahler, obra que transita entre o romântico e o moderno. Com duração de 77 minutos, os concertos das duas noites não terão intervalo. Ingressos entre R$ 17 (meia) e R$ 98 (inteira).

Antes das apresentações, das 19h30 às 20h, o público poderá participar dos Concertos Comentados, palestras que abordam aspectos do repertório. O palestrante será o percussionista da Filarmônica de Minas Gerais e curador dos Concertos Comentados, Werner Silveira. A Sétima Sinfonia de Mahler, também chamada de “Canto da noite”, transita entre o Romantismo e a Modernidade insurgente do início do século XX, como se o compositor buscasse forçar os limites do sistema tonal. Modulações e rompantes de dissonâncias certamente traduzem e expõem uma personalidade complexa – muitas vezes, instável –, mas absolutamente genial, como poucos na história da arte. 

Estes concertos são apresentados pelo Ministério da Cultura, Governo de Minas Gerais e Cemig e contam com o patrocínio do Mercantil do Brasil por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura. Já as palestras dos Concertos Comentados são apresentadas pelo Ministério da Cultura e Governo de Minas Gerais.

 

O repertório

Gustav Mahler (Boêmia, atual República Tcheca, 1860 – Áustria, 1911) e a Sinfonia nº 7 em mi menor (1904/1905) 

A Sétima Sinfonia foi admirada por diversos compositores já no primeiro contato. Em sua escritura, a Sétima transparece uma característica apontada por Webern, qual seja o passo decisivo de Mahler quanto ao conjunto de ideias musicais que, articuladas ao núcleo principal, criam texturas distintas daquelas de simples melodias acompanhadas. Mesmo nas passagens de grande densidade polifônica, o compositor administra uma rica paleta orquestral: explora o potencial expressivo de cada instrumento, dosa e equilibra dinâmicas, timbres e massas sonoras, além de estabelecer contrastes entre as seções de sua vasta arquitetura formal. Busca, enfim, clareza e ênfase no que tem a dizer. Na Sétima Sinfonia, tal conjunto de procedimentos pode ser constatado logo na seção expositiva e ao longo do primeiro movimento. No tema inicial, o ritmo de marcha tem a participação maciça dos instrumentos de sopro; no segundo tema, destacam-se as cordas; na superposição de materiais temáticos desses dois temas, mergulhados em densa trama contrapontística; nas diferenças marcantes entre andamentos e atmosferas, dentro de um mesmo movimento. A primeira Nachtmusik, após chamamentos de trompas e evocação de cantos de pássaros, apresenta, novamente, a marcha, na evocação de um caminhar pelo mistério da noite. A ambientação noturna reaparece no Scherzo, sob a fantasmagoria da valsa vienense. Antes de atingir o brilho, no último movimento, a obra atravessa a segunda Nachtmusik: ao lirismo, à transparência e à orquestra reduzida acrescentam-se o violão e o bandolim, em uma atmosfera de serenata noturna. No Rondo – Finale, a explosão de luz e a energia do tema inicial têm efeito arrebatador. O diálogo com a tradição aparece no tema de Os Mestres Cantores, de Wagner. Observando a diversidade temática da Sétima Sinfonia e a expressão particular de cada movimento, podemos perceber a riqueza de manifestações da alma humana.

 

O maestro Fabio Mechetti

Desde 2008, Fabio Mechetti é Diretor Artístico e Regente Titular da Orquestra Filarmônica de Minas Gerais. Com seu trabalho, Mechetti posicionou a orquestra mineira nos cenários nacional e internacional e conquistou vários prêmios. Com ela, realizou turnês pelo Uruguai e Argentina e realizou gravações para o selo Naxos. Natural de São Paulo, Fabio Mechetti serviu recentemente como Regente Principal da Orquestra Filarmônica da Malásia, tornando-se o primeiro regente brasileiro a ser titular de uma orquestra asiática. Depois de quatorze anos à frente da Orquestra Sinfônica de Jacksonville, Estados Unidos, atualmente é seu Regente Titular Emérito. Foi também Regente Titular da Sinfônica de Syracuse e da Sinfônica de Spokane. Desta última é, agora, Regente Emérito. Foi regente associado de Mstislav Rostropovich na Orquestra Sinfônica Nacional de Washington e com ela dirigiu concertos no Kennedy Center e no Capitólio norte-americano. Da Orquestra Sinfônica de San Diego, foi Regente Residente. Fez sua estreia no Carnegie Hall de Nova York conduzindo a Orquestra Sinfônica de Nova Jersey e tem dirigido inúmeras orquestras norte-americanas, como as de Seattle, Buffalo, Utah, Rochester, Phoenix, Columbus, entre outras. É convidado frequente dos festivais de verão nos Estados Unidos, entre eles os de Grant Park em Chicago e Chautauqua em Nova York.

Realizou diversos concertos no México, Espanha e Venezuela. No Japão dirigiu as orquestras sinfônicas de Tóquio, Sapporo e Hiroshima. Regeu também a Orquestra Sinfônica da BBC da Escócia, a Orquestra da Rádio e TV Espanhola em Madrid, a Filarmônica de Auckland, Nova Zelândia, e a Orquestra Sinfônica de Quebec, Canadá. Vencedor do Concurso Internacional de Regência Nicolai Malko, na Dinamarca, Mechetti dirige regularmente na Escandinávia, particularmente a Orquestra da Rádio Dinamarquesa e a de Helsingborg, Suécia. Recentemente fez sua estreia na Finlândia, dirigindo a Filarmônica de Tampere, e na Itália, dirigindo a Orquestra Sinfônica de Roma. Em 2016 estreou com a Filarmônica de Odense, na Dinamarca.

Igualmente aclamado como regente de ópera, estreou nos Estados Unidos dirigindo a Ópera de Washington. No seu repertório destacam-se produções de Tosca, Turandot, Carmem, Don Giovanni, Così fan tutte, La Bohème, Madame Butterfly, O barbeiro de Sevilha, La Traviata e Otello. Fabio Mechetti recebeu títulos de mestrado em Regência e em Composição pela prestigiosa Juilliard School de Nova York.

 

Foto: Eugenio Savio

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