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Com o lema “Nenhum a menos”, Senac atua para a inclusão de profissionais e alunos PCDs no mercado de trabalho
Tecnologias assistivas, acessibilidade comunicacional e atitudinal são utilizadas para promover oportunidades em equidade para deficientes visuais
Comemora-se em 13 de dezembro o Dia Nacional da Pessoa com Deficiência Visual. A data foi criada em 1961 para combater o preconceito e a discriminação, além de promover os direitos e a inclusão das pessoas com deficiência visual em nosso país.
De acordo com dados do Censo 2010 (IBGE), há cerca de 6,5 milhões de pessoas com deficiência visual no Brasil. A deficiência visual pode ser definida como a perda total ou parcial da visão, sem correção óptica. Pode ocorrer como resultado de doenças, acidentes ou má formação congênita. A cegueira leva a pessoa a necessidade de utilizar o Sistema Braille ou de ferramentas tecnológicas que verbalizam textos em computadores e celulares para a possibilitar a comunicação de leitura e escrita.
Já o termo baixa visão é usado para a pessoa que tem função visual comprometida, mas que é potencialmente capaz de usar a visão para executar algumas tarefas. Ou seja, o resíduo visual lhe permite ler impressos com o auxílio de recursos de tecnologia assistiva, como letras ampliadas, lupas e ampliadores de tela.
PCDs e o mercado de trabalho
Visando aumentar a participação desses e de outros profissionais no mercado de trabalho, a Lei de Cotas para PCDs, promulgada em 1991, estabelece que as empresas com mais de 100 colaboradores devam ter de 2 a 5% das suas vagas destinadas a pessoas com deficiência.
Apesar da grande mudança já vivenciada no mercado, ainda há um longo caminho a ser percorrido. É o que expõe a pesquisa realizada pela Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH) Nacional, Isocial e Catho. Feito com 2.949 profissionais de RH, o levantamento concluiu que a qualidade das vagas inclusivas ainda é baixa e, na maioria das vezes, a escolha do candidato é feita apenas como forma de cumprir a lei.
O problema é que, muitas vezes, a segregação começa já nas instituições de ensino, que, por falta de recursos materiais ou humanos para se adaptar às necessidades dos estudantes com deficiência, acabam os separando dos demais.
Equidade de Oportunidades
A oferta de cursos do Governo Federal e organizações civis está ampliando a qualificação profissional de pessoas com deficiência para atuarem em diversas áreas e ocuparem cargos mais elevados. O Senac atua ativamente para promover a inclusão de docentes e alunos PCDs, em especial, com deficiência visual. Como resultado, em 2022, teve mais de 1.500 matrículas de alunos com deficiência, sendo que, destes, 148 são com deficiência visual.
“Várias são as adaptações que realizamos em prol deste público, desde tecnologias assistivas como Lupa eletrônica, Computador Ampliador de Textos, teclado em braile, dentre outras, como, quando necessário, ampliamos a fonte dos materiais, apresentações e tudo que há a necessidade de leitura. Também fazemos audiodescrição e descrição de imagens, sejam estáticas ou não, para que a acessibilidade comunicacional ocorra em sua plenitude”, conforme destaca Juliana Gaudêncio, Coordenadora de Educação Inclusiva do Senac.
A gestora aponta ainda que é importante entender que, para além destas adaptações, a acessibilidade atitudinal de cada um é imprescindível “porque faz toda a diferença, uma vez que conseguimos incluir as pessoas com deficiência visual em tudo que a instituição promove com respeito, sensibilidade e responsabilidade”.
A Coordenadora de Educação Inclusiva do Senac salienta ainda que é preciso sempre pensar em oportunidades para as pessoas com deficiência visual em equidade. “A educação e o caminho profissional para essas pessoas deverão ser sempre pensados para todos e para cada um em suas singularidades. Aqui no Senac temos o lema: ‘Nenhum a menos’! Acreditamos no potencial dos indivíduos, desde que as adaptações sejam realizadas dentro da perspectiva da necessidade de cada um”.
Inclusão na prática
CEO da Descomplicando suas Finanças e entusiasta dos temas de diversidade, inclusão, investimentos, empreendedorismo, Bruno da Silva Paulo iniciou sua trajetória no Senac, em setembro de 2015. Trabalhou em diversas áreas da instituição e atualmente é Assistente Administrativo da Coordenação de Tecnologias Inclusivas.
Ele avalia que sua atuação no Senac contribui positivamente para a inclusão de outras pessoas com deficiência visual no mercado de trabalho. “Tanto na perspectiva do Senac, quanto na abrangência de minha atuação interna e externa à instituição, percebo que as temáticas da inclusão, diversidade e acessibilidade vêm ganhando espaço para diálogo, reflexão e, mais importante ainda, de implementação prática efetiva”, afirma.
Sthefany Avelar, estudante desde 1º de agosto do curso Técnico em Recursos Humanos da Faculdade Senac de Contagem, também avalia que sua trajetória no Senac influencia a inclusão de outras pessoas com deficiência visual. “Gosto de dar incentivo às pessoas por onde passo, e não pretendo parar de estudar. Acho importante fazer com que os outros se sintam capazes de alcançar seus objetivos, e minha deficiência não me torna menos capaz. Acredito que com esforço podemos ir muito longe, e o que pode nos impedir de chegar aos nossos objetivos somos nós mesmos”.
Para a estudante, a temática da inclusão vem ganhando força no mercado de trabalho. “Hoje há mais oportunidades de inclusão no mercado e também de qualificação como essa que o Senac nos oferece”.
Bruno Silva aponta que as principais perspectivas para o mercado de trabalho para pessoa com deficiência são o aumento da inclusão desses profissionais e a mudança na cultura das organizações, que ainda veem PCDs com certo preconceito. “O primeiro passo é preparar o setor de RH e, principalmente, os gestores para serem capazes de avaliar o profissional com deficiência por sua qualificação e comportamento, e não pelas suas limitações físicas ou sensoriais”.
Para Juliana Gaudêncio, os principais desafios para a inclusão de profissionais com deficiência visual no mercado de trabalho são referentes à acessibilidade atitudinal que pode se transformar em um capacitismo - o preconceito para com as pessoas com deficiência. “Muitas vezes, tiramos conclusões precipitadas de como podemos desenvolver a acessibilidade para as pessoas com baixa visão ou cegueira. Ou seja, colocamos muitos obstáculos quando, na maioria das vezes, não há”.
A Coordenadora de Educação Inclusiva do Senac indica formas de promover a equidade de oportunidades dentro das empresas. “Primeiramente, devemos sempre perguntar a estas pessoas do que realmente elas precisam para que possamos ser certeiros nas adaptações. É por considerarmos que as adaptações para a pessoa com deficiência visual são muito complicadas e complexas que, na maioria das vezes, a absorção no mercado de trabalho é tão rara”.
Conforme salienta Juliana, “devemos dar oportunidades em equidade para estas pessoas, pois já foi comprovada que uma equipe diversa é muito mais criativa, engajada e comprometida pois precisamos de pessoas com pensamentos diferentes dentro de uma organização”.
Oportunidades de trabalho
O Senac conta atualmente com 31 profissionais com deficiência visual como colaboradores. A instituição está recebendo inscrições para o Banco de Talentos, para a Pessoas com Deficiência (PCDs) e Reabilitados do INSS para atuar nas unidades da Grande Belo Horizonte e das regiões Norte e Leste, Triângulo Mineiro, Sul e Zona da Mata.
Todos os candidatos com deficiência que se interessarem deverão se candidatar e a seleção ocorrerá de acordo com as vagas disponíveis, os requisitos do cargo, as experiências e expectativas de carreira do candidato. Este cadastro será utilizado para identificar candidatos para vagas de todas as áreas de negócio do Senac.
Foto: Getty Imagens
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