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MÚLTIPLOS OLHARES SOBRE A PAMPULHA

Concebido pelo publicitário Denilson Cardoso, livro apresenta imagens de um dos principais cartões-postais de Belo Horizonte sob a ótica de renomados fotógrafos mineiros

Patrimônio cultural da Unesco desde 2016, o Conjunto Moderno da Pampulha é revelador do espírito modernista que, entre os anos 1920 e 1960, redefiniu as expressões artísticas e sociais do país. No livro Pampulha Olhares Imagens Modernidade, a ser lançado no dia 14 de dezembro, às 10h, no Núcleo de Estudos Fotografia, Arte e Cultura (rua Michel Jeha, 142 A – São Bento), o reverenciado ponto turístico de BH é retratado segundo a sensibilidade de importantes fotógrafos mineiros. Concebida e organizada pelo publicitário Denilson Cardoso, a obra conta com imagens inéditas, feitas por ele, assim como por Alexandre Guzanshe, Guto Muniz e Glenio Campregher. Os cliques valorizam a arquitetura, a cultura e os estilos da época de criação do Conjunto, assim como seus contemporâneos, que confirmam a vocação da Pampulha como ambiente de diálogo e democratização. Também no dia 14, inaugura-se, no próprio Núcleo, a exposição que reúne 30 fotos presentes no livro.

A ideia do projeto nasceu em 2016, quando Denilson Cardoso trabalhou com os três fotógrafos durante o 13º Festival Internacional de Teatro Palco e Rua de Belo Horizonte (FIT-BH), realizado pela Fundação Municipal de Cultura. “Juntos, realizamos um trabalho que, tenho certeza, enche de orgulho toda a equipe envolvida. Encerrado o festival, tive a honra de ser convidado a realizar o projeto gráfico da revista impressa – [FITBHREVISTA5] –, como registro de todos os momentos do festival, incluindo o fotográfico, quando recebi, maravilhado, em primeira mão, as belíssimas imagens produzidas por Alexandre, Guto e Glenio”, conta.

À época, o Conjunto Moderno da Pampulha participava, justamente, da candidatura ao título de Patrimônio da Humanidade da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), como forma de destacar sua importância histórica e cultural. “Pesquiso a relação entre design e formas de valorização do patrimônio desde 2014, quando criei produtos inspirados nos profetas de Aleijadinho, localizados em Congonhas (MG)”, explica Cardoso.

Confirmada a declaração do título, surgiu a ideia de realizar um trabalho que contribuísse com a valorização e a divulgação do patrimônio moderno da Pampulha, por meio de um livro de imagens, retratadas por olhares diversificados, tanto de Denilson quanto dos fotógrafos com quem tinha trabalhado no FIT-BH – acostumados às mais variadas formas culturais, que revelariam a identidade do Conjunto e a genialidade de artistas importantes ao Brasil.

Formado pelos equipamentos culturais e pela região que circunda a lagoa, o Conjunto Moderno da Pampulha foi idealizado no final dos anos 1930, por Juscelino Kubistchek, como forma de inserir a nova capital, Belo Horizonte, no mapa de um Brasil moderno, impulsionado pela industrialização. “Levava-se em consideração o crescimento urbano de um país em desenvolvimento e a inserção de novas práticas culturais de lazer e sociabilidade – até então, inexistentes”, destaca Denilson Cardoso.

Integram o Conjunto o edifício e os jardins do antigo Cassino de Belo Horizonte (hoje, Museu de Arte da Pampulha), a Casa do Baile (atual Centro de Referência em Urbanismo, Arquitetura e Design), o Iate Tênis Clube, a Igreja São Francisco de Assis, o espelho d’água e a orla da Lagoa. A Pampulha é resultado da colaboração de vários gênios, a exemplo do arquiteto Oscar Niemeyer, do paisagista Roberto Burle Marx e do pintor Candido Portinari, cujas linguagens artísticas resultariam em obras repletas de particularidades, responsáveis por compor a expressividade de um todo harmônico e coerente.

A obra

No livro Pampulha Olhares Imagens Modernidade, retrata-se o Conjunto, suas obras e seu entorno, por meio de imagens, em grande maioria, inéditas, que valorizam a arquitetura, a cultura e os estilos da época de sua criação. Além, como ressaltado, dos usos contemporâneos do espaço. Na primeira seção, “Olhares”, estão a sutileza e a força da linguagem da arquitetura moderna, expressas em materiais, linhas, curvas, ângulos e cores. A seção “Imagens” apresenta a grandeza das edificações, o todo da genialidade dos artistas, a harmonia entre as construções, as paisagens e o jogo integrado entre arquitetura e natureza. Por fim, a contemporaneidade ganha destaque no capítulo “Modernidade”.

“Em tempos de pouco acesso e incentivo a práticas culturais, de desvalorização de formas de pensamento e de descaso com as artes e os meios de expressão, espero, com o livro, contribuir para a divulgação e a valorização de nosso patrimônio cultural. Meu intuito é proporcionar, por meio da arte da fotografia, reflexões várias acerca da monumentalidade e da riqueza do Conjunto Moderno da Pampulha, da genialidade dos artistas e da beleza do paisagismo e da arquitetura, tão importantes para a cultura brasileira do século XX”, completa Denilson Cardoso.

O livro Pampulha Olhares Imagens Modernidade foi patrocinado pela Lei Municipal de Incentivo à Cultura de Belo Horizonte. O livro será distribuído nas escolas municipais de Belo Horizonte, bibliotecas públicas, centro culturais, museus e demais equipamentos culturais além de órgãos públicos que possuam relação com o turismo, a cultura e o patrimônio, como IPHAN, IEPHA, UNESCO, secretarias de turismo, cultura, entre outros.

Foto:Divulgação

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