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MM Gerdau inaugura exposição "Cristais do Tempo", com obras que misturam arte, ciência e tecnologia como resposta aos desafios do mundo atual
Abertura da Exposição do edital CoMciência - "Cristais do Tempo" marca um momento importante para o Museu, que conseguiu realizar a segunda edição do edital mesmo em um ano atípico como 2020
O público acaba de ganhar uma boa notícia para o fim de ano já que o MM Gerdau – Museu das Minas e do Metal retoma as atividades presenciais com uma ação muito especial: a inauguração da exposição “CoMciência - Cristais do Tempo”, no dia 08 de dezembro. Desta vez a ocupação dos espaços expositivos do MM Gerdau com arte, ciência e tecnologia teve como tema proposto aos artistas "Cristais do tempo: emergências nas fissuras do presente". A definição de um futuro a partir de um presente demasiadamente complexo nos leva a refletir que é necessário pensar um tempo mais propositivo, reconstruindo nossa proposta de humanidade e coletividade, sendo a arte e a tecnologia meios legítimos para isso.
Para isso, os curadores do edital Tadeus Mucelli e Alexandre Milagres selecionaram 09 (nove) obras inscritas no Edital “CoMciencia”, que inspiram e refletem o momento que vivemos, modificam nossa relação com o tempo presente, mudam nossa percepção com os outros, com o planeta, com o visível e o invisível, e, sobretudo, com as memórias que construímos e compartilhamos. A exposição é o resultado de um edital que recebeu 269 inscritos dos 06 continentes do mundo, sendo 20 % de inscrições estrangeiras e 75% de propostas inéditas. “Abrimos uma chamada artística corajosa, tanto no recorte curatorial e na proposta dos trabalhos, quanto na relação com o momento que o mundo vive pela pandemia do COVID-19. Devido ao recorte digital e a possibilidade de criação artística ainda mais alinhada, conseguimos um resultado incrível que se apresenta de forma mais internacional, presencial e virtual, em meio ao processo de abertura dos espaços expográficos do Museu com todo os cuidados necessários”, aponta Alexandre Milagres, um dos curadores do edital e da exposição.
A mostra materializa a proposta do edital de fomentar um debate ao apresentar obras criadas e pensadas a partir do convite e da provocação artística de se construir questionamentos e reflexões para mudarmos o mundo em que estamos vivendo, para que seja possível viver um futuro distinto. O edital conquistou um crescimento representativo em relação a primeira edição, realizada em 2019, chegando a receber inscrições de 28 países, além de projetos de artistas de 17 estados das 5 regiões brasileiras.
Dentre todos os trabalhos selecionados, 03 (três) deles ocuparão presencialmente o espaço expositivo do museu: “Reflexion: In Sync / Out of Sync”, da colombiana Claudia Robles-Angel; “Vegetal Reality Shelter (VRS)”, do brasileiro Guto Nóbrega; e “Emancipacíon Microbiana”, da mexicana Maro Pebo. Já no espaço virtual wwwprogramacomciencia.org.br, o público poderá visitar mais 06 (seis) obras que integram a exposição, sendo três delas de artistas brasileiros - “Estrelas no Deserto”, de Felipe Carrelli; “obs-cu-ra”, de Bruno Alencastro; “O Ceú na Terra”, de Luciana Ohira e Sérgio Bonilha – e outras três de artistas internacionais: “Untangling Noises of Matter”, do holandês Louise Braddock Clarke; “Silver Tree: the sounds of wind through the crystalline forest”, “Saturn’s Breath” e “Think Like a Mountain”, da australiana Penelope Cain; e “The universe according to Dan Buckley”, do canadense Roberto Santiaguida.
A exposição “CoMciência - Cristais do Tempo” pode ser conferida às quintas e sextas, das 16h às 20h; e nos sábados, domingos e feriados, das 13h às 17h.
DESTAQUES
Dentre os destaques presenciais, a obra “Reflexion: In Sync / Out of Sync” da artista colombiana Claudia Robles-Angel convida o público a confrontar sua própria capacidade de sentir empatia pelo outro. O conceito principal da obra é baseado em pesquisas que apontam que nossos batimentos cardíacos podem ser sincronizados, aprofundando a percepção dos outros, na interação entre os indivíduos e seu impacto em suas respostas fisiológicas, baseados em conceitos do psicólogo Michael Richardson. Para isso, a instalação presencial coloca duas pessoas sentadas frente à frente, rodeadas por uma estrutura leve com fios eletroluminescentes e som em tempo real, além de terem sua frequência cardíaca medida por meio de sensores de pulso aplicados ao dedo de suas mãos. Quando os dois participantes não compartilham a mesma frequência cardíaca, a instalação está fora de sincronia e o som fica dissonante. Já quando as frequências são sincronizadas, a instalação reage em estado “In-Sync”, com um som agradável e harmônico.
Outro destaque da Exposição CoMciência é a obra do brasileiro Guto Nóbrega, intitulada Vegetal Reality Shelter (VRS), um sistema imersivo criado com base em sons e imagens da natureza e na interação com plantas. Este trabalho é fruto de uma vivência na Floresta Amazônica organizada pelo LABVERDE, ocorrida durante os 10 dias do programa de residência artística na Reserva Florestal Adolpho Ducke. Trata-se de um pequeno domo imersivo (abrigo) com base na geometria de guarda-chuvas. Contém um pequeno sistema hidropônico com plantas, seis canais de áudio e projetor de vídeo, combinado ao espelho esférico para projeção em domo. No interior desse abrigo, plantas são monitoradas quanto à resposta galvânica de suas folhas quando interage com o visitante. Os dados monitorados nas plantas são utilizados para modificar a paisagem sonora e imagens da floresta em formato espelhado. A ideia desse “abrigo de realidade vegetal” é criar um sistema que permita ao visitante uma experiência virtual da natureza a partir de imagens e sons. Algo que remetesse à dimensão da floresta e o efeito que ela exerce sobre nós quando a adentramos. Contudo, trata-se também de um diálogo mediado com uma planta, posto que esta é o principal mediador desta experiência, que ocorre a partir da presença do visitante dentro do domo.
Foto: Lucas D' Ambrósio
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