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Festival Gastronômico em Entre Rios de Minas resgata a cozinha caseira passada de geração em geração
Nos dias 25 e 26 de novembro, aconteceu o “I Festival Gastronômico Receitas de Família” na cidade de Entre Rios de Minas, promovido pela Secretaria Municipal de Cultura, Esporte, Lazer e Turismo. Durante os dois dias do festival, um público de aproximadamente 2.000 pessoas saboreou, além dos pratos da cozinha caseira de Minas Gerais, outras delícias da culinária típica, como as quitandas, doces em compota, arroz doce, doce de leite, mingau de milho e ambrosia. O festival contou com 10 stands dedicados à comercialização de comidas e 2 stands dedicados à comercialização do artesanato local.
As cozinheiras participantes foram selecionadas, através de uma avaliação prévia, das melhores receitas e melhores histórias familiares das receitas. Tanto as receitas quanto as histórias dos pratos estão reunidas no Caderninho de “Receitas e Histórias do Festival Gastronômico Receitas de Família” distribuído gratuitamente ao público. Assim, dez cozinheiras ofereceram ao público os deliciosos pratos feitos cotidianamente nas cozinhas de suas casas: “Carne de lata com mandioca” da Jaqueline Rosa Santos Azevedo, “Farofa da Crioula” da Sebastiana de Azevedo Costa, “Feijão Tropeiro” da Maria do Carmo Rosa de Lima”, “Feijão Tropeiro Mineiro” da Vanderléia de Oliveira Ribeiro, “Galinha Caipira à moda da Dona Maura”, “Galinha Caipira do Bar do Geraldo”, da Rosângela Gonçalves Pereira de Resende, “Nhoque de Batatas ao Molho de Bolonhesa”, da Ruthe de Oliveira Pereira, “Frango Caipira ao Molho Pardo com arroz e tutu” da Marlene de Fátima Lima Silva, “Tropeiro Mineiro da Zita” da Maria Zita dos Santos Pereira e “Umbigo de Banana com Linguiça de Porco” da Silvane de Fátima Viana da Costa Messias.
Houve um concurso entre as participantes, onde os jurados Marcelo Batista, chef e jornalista da cidade de Ipatinga, Renata Machado, professora de cozinha brasileira da Universidade Estácio de Sá do Rio de Janeiro e Graziela Milanese, professora da Universidade Presbiteriana Mackenzie de São Paulo, elegeram a melhor receita de família, a melhor história da receita e a melhor decoração do stand. Na categoria “melhor receita” a vencedora foi a Dona Maura, com uma suculenta e bem temperada galinha caipira. A melhor história foi a da Silvane Messias, que contou sobre o convívio familiar na preparação do umbigo de banana. A melhor decoração do stand foi para a Rosângela Gonçalves, que utilizou elementos da sua horta como ornamentação.
Atrações musicais fizeram parte do evento, bandas de diversos estilos, expressão dos artistas locais de Entre Rios de Minas, trouxeram para o palco, MPB, Forró, Moda de Viola, Pop e Rock. Os grupos culturais misturaram-se aos folclóricos, como a Folia de Reis, o Grupo de Teatro Entre Artes, o projeto Cordas Rurais, a Banda de Música Tradicional Nossa Sra. das Brotas e a Bateria de Carnaval Primavera. No Centro Cultural Ministro João Ribeiro, foram realizadas duas palestras: “Conhecimento Básico e Preparo de Alimentos” do Chef Eraldo Oliveira e “A construção do comer pensante” da Chef Renata Machado. Para o público infantil, foi feita uma oficina de culinária com a Chef Juliana Bonomo. Tudo isso só foi possível graças ao trabalho voluntário de todos os envolvidos.
O Festival valorizou a memória da cidade através dos conhecimentos culinários dos seus habitantes, e cumpriu, ainda, o papel de gerar benefícios sócio-econômicos às cozinheiras e aos nossos produtores locais, já que grande parte dos ingredientes utilizados vieram do próprio município. Devido à demanda observada no I Festival Gastronômico Receitas de Família de Entre Rios de Minas, o Secretário de Cultura Felipe Resende e a Chef e historiadora Juliana Bonomo, organizadores do evento, planejam as próximas edições, há possibilidade de ser inserido no Calendário Cultural de Entre Rios de Minas.
Outras celebrações populares se aproximam. O Reveillon de Entre Rios de Minas, é a primeira festa após o aniversário do município que ocorre no dia 20 próximo quando a cidade comemora 304 anos. O Reveillon de Entre Rios de Minas não surpreenderá apenas pela solta de fogos. Barracas com petiscos da terra, banda “Tikindum Tikindoto” composta por músicos e cantores locais irá apresentar ritmos quentes da música brasileira. O cenário histórico é um show a parte: casario, praças, Igreja em estilo Neogótico e a grande árvore de Pau-Ferro estão entre as atrações. É com alegria que a cidade anuncia o Carnaval de Entre Rios de Minas - 2018 que terá confecção das históricas máscaras de Zé Pereira feitas em papel, oficina de bateria com material reciclado para as crianças, mais de 10 blocos populares, programação artística e desfiles que se iniciam na parte da tarde e se estendem até a noite.
Artigo
“Uma cidade na cozinha de casa”
Poucas coisas nessa nossa curta vida são mais agregadoras que o sentar e comer em família, entre amigos. Um momento sagrado, eternizado até pelo nosso Senhor que, dando Graças ao Pai, repartiu o pão e dividiu o vinho entre os seus, entre nós. Um momento onde todas as preocupações ficam momentaneamente para trás e podemos olhar nos olhos daqueles com quem dividimos a comida, a vida. O trabalho, a lida de casa, a escola... tudo o mais pode esperar, porque agora estamos juntos! E quem tem o privilégio de preparar a comida, o faz com alegria, com prazer e principalmente com amor. Pode parecer clichê, mas cozinhar é, sim, um ato de amor, um ato de distribuição de vida. É doar-se sem esperar nada em troca.
Foi exatamente isso o que aconteceu em Entre Rios de Minas neste final de semana passado, nos dias 25 e 26 de novembro por ocasião da realização do I Festival Gastronômico da cidade. Mais que uma comunidade empenhada em oferecer suas melhores histórias, suas melhores decorações e as mais saborosas receitas de família, o que vimos foi algo que transcendeu o tempero, a cocção, o cheiro, a competição. Vimos todos como uma grande e colaborativa família num dia de festa. Como um almoço de domingo na casa da avó com as crianças brincando no terreiro e a viola tilintando alto no alpendre. Mulheres, homens, crianças e jovens se divertindo como uma só família.
Não somente não me senti um intruso – e tenho certeza que falo por todos nós, jurados – como me senti abraçado e beijado por todos. Foi uma festa intensa, visceral, emocionante! Como esquecer o olhar carinhoso das pessoas? O cuidado, a mão estendida, os cachinhos dos cabelos da criança, o olhar cansado e doce da senhora que tem dificuldades para andar, mas sorri com uma facilidade ímpar? Ser mineiro é ter um dom divino. O dom de receber, de servir, de hospedar, de encantar.
Trago no peito – e ninguém vai me tirar isso! – a alegria de ter sido convidado para avaliar as barracas do Festival nos critérios de melhor história, melhor decoração e melhor receita. Confesso que me emocionei com as histórias. Imaginei em minha cabeça cada uma delas e, mineiro que sou, me vi testemunha ocular de todas! Senti o cheiro da terra, da lenha queimando, do cafezinho na mesa. Senti o frio da manhã... fui passageiro do tempo, arrebatado pelas decorações que remetiam à vida simples do campo, aos tão amados e respeitados avós e bisavós distantes no tempo e tão presentes na alma! Fiz viagens atemporais com o sabor do tempero mineiro na boca e no coração. A maior dificuldade foi mesmo a de não me deixar levar por tudo isso e manter a racionalidade da mente para traduzir em números, em notas, as emoções que só mesmo a poesia pode interpretar, pois a vontade era só a de cair na festa.
Entre Rios de Minas foi, em seu Festival do final de semana, um poema recitado a milhares de vozes, em uníssono. Foi um presente que recebi e que só tenho a agradecer. Eu fui um vencedor afortunado. Todos os participantes foram vencedores. Venceu a cultura, a preservação, a família, a vida, a arte da gastronomia e a arte de viver e sorrir. Obrigado, Entre Rios de Minas!
Marcelo Leite Batista é jornalista, escritor, cozinheiro e, acima de tudo,
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