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Cia. Luna Lunera transmite gratuitamente espetáculo "E Ainda Assim se Levantar"

Espetáculo, que faz parte do Cena Plural 2020, questiona como podemos nos erguer em situações de iminente esgotamento

Com direção de Isabela Paes, membro da companhia, o estímulo para a criação do espetáculo E AINDA ASSIM SE LEVANTAR foi o projeto de pesquisa “a potência da precariedade”, que durante todo o processo de criação levantou questões que buscam identificar: como podemos encontrar força em situações de iminente esgotamento? O espetáculo vai ser transmitido online no próximo domingo, dia 6, às 19h, gratuitamente, pelo canal YouTube da Cia. Luna Lunera (link de acesso e inscrição: https://www.youtube.com/c/CiaLunaLunera). Ficará disponível por 48 horas e será seguido de um bate-papo. A apresentação será realizada com recursos do edital Cena Plural 2020.

Toda a equipe envolvida respeitou rigorosamente os protocolos de segurança, com uso de máscaras, álcool em gel e o distanciamento recomendado. O elenco se submeteu a testes para detecção da COVID-19, com resultado negativo. Readaptou cenas e só retirou as máscaras no palco, no momento da gravação, no Galpão Cine Horto (Belo Horizonte/MG), num reencontro presencial forte e emocionante.

Com atuação de Anderson Luri, Cláudio Dias e Letícia Castilho, E AINDA ASSIM SE LEVANTAR aposta numa reconfiguração da narrativa clássica (história, personagens e cenário) para dar lugar à potência dos corpos como principal instrumento de criação. “Queremos abdicar da teatralidade para encontrar o que o teatro possui de mais potente: a possibilidade de explorarmos atravessamentos que só acontecem na copresença”, explica Isabela Paes.

De onde podemos encontrar forças quando parece que não podemos aguentar mais? Essa é uma das reflexões que motivaram a criação do espetáculo. E é preciso defender o que nos salva, defender nossa alegria. A musicalidade do espetáculo – executada pelos próprios atores que cantam e tocam instrumentos percussivos – é um dos principais recursos que apontam o caminho. Cláudio Dias explica que “buscamos na valorização da alegria, por meio da música e do carnaval, uma forma de respiro potente como maneira de apoiar nosso movimento de sobrevivência.”

 

E AINDA ASSIM SE LEVANTAR teve duas indicações ao 6º Prêmio Copasa Sinparc de Artes Cênicas nas categorias Trilha Sonora Original (Cia. Luna Lunera) e Criação de Luz (Marina Arthuzzi e Jésus Lataliza).

Durante a pandemia, a companhia teve a iniciativa de disponibilizar acesso online a dois de seus espetáculos: “Aqueles Dois” e “Urgente”. E foi convidada a participar de uma leitura dramática dentro da programação do Festival Cenas Curtas Online do Galpão Cine Horto. Cláudio Dias e Zé Walter Albinati interpretaram o texto inédito "Vamos ver como você vai acordar amanhã", de Pedro Lemos e Vitor Lemos (Brasil/Portugal).

Sinopse

Como encontrar forças para seguir em frente? Como manter a esperança e o desejo com todas as ameaças no futuro? Como ainda ajudar e ouvir o outro quando se está prestes a cair? Como continuar quando nossos corpos não aguentam mais? Como fazer teatro quando a palavra se tornou uma ameaça? Não temos respostas, mas sabemos que não vamos desistir.

Sobre as personagens

O espetáculo promove um encontro mediado por três pessoas: um homem jovem, uma mulher e um homem maduro. O Homem Jovem parece sempre estar no caminho certo, rumo ao sucesso, à vitória, à realização. O topo. Mas, na própria corrida sem tréguas, sente que se perdeu no fundo de tanto otimismo e certeza. Tenta quebrar a máscara de ferro moldada para esse homem. Tenta desfazer os inúmeros nós em sua garganta.

A Mulher não consegue identificar ao certo de onde vem o cansaço. Cansada de ter que provar tudo o tempo todo. Cansada de ter que ser forte para conseguir ser ouvida. Cansada de ter que mostrar que não quer ser objetificada. Encontra no outro, no jogo, nesse encontro aqui e agora e em sua própria voz as faíscas que a reacendem. E, às vezes, por breves momentos, conseguimos vê-la por inteiro. Sabe que é preciso defender a alegria.

O Homem Maduro sempre ia à frente, mas está exaurido da luta, dos golpes. Parece difícil continuar sendo artista, gay, ativista, mas ele não sabe ser outra coisa senão ele mesmo. A caminhada foi longa e sente a idade, o corpo envelhecendo, as inúmeras derrotas. Pensa em desistir. Não consegue nem mais chorar. A morte ronda. Mas para ele talvez não tenha outra saída, enquanto estiver vivo vai insistir em viver.

Esta apresentação se dará através do edital Cena Plural 2020, da Prefeitura de Belo Horizonte, por meio da Secretaria Municipal de Cultura e Fundação Municipal de Cultura.

 

Ficha Técnica de E AINDA ASSIM SE LEVANTAR

Direção: Isabela Paes

Dramaturgia: Marcos Coletta e Cia. Luna Lunera

Assistência de direção: Cláudio Dias

Atores/criadores: Anderson Luri, Cláudio Dias e Letícia Castilho

Figurino: Camila Moreno e Cia. Luna Lunera

Cenário: Ed Andrade e Cia. Luna Lunera

Criação de luz: Marina Arthuzzi e Jésus Lataliza

Vídeos do espetáculo: Fabiano Lana
Filmagem para o CenaPlural: Bendita Conteúdo & Imagem
Apoio de montagem de palco: Equipe Galpão Cine Horto

Design: Rafael Maia
Adaptação da programação visual: Mateus Meireles

Fotografias: Carlos Hauck e Kika Antunes

Assessoria de Imprensa: Zé Walter Albinati e Mateus Meireles

Administrativo Financeiro: Marcelo Souza e Silva

Produção Executiva: Cláudio Dias e Nathan Coutinho

Direção de Produção: Isabela Paes

Produção: Cia. de Teatro Luna Lunera

 

A trajetória da Cia. Luna Lunera

Criada em 2001, a Cia. Luna Lunera é hoje considerada um dos expoentes do teatro brasileiro contemporâneo. Vem despertando interesse e reconhecimento pelo desenvolvimento de um método próprio de criação compartilhada, no qual os espetáculos surgem de uma série de encontros, pesquisas e improvisações, e onde os lugares tradicionalmente destinados ao diretor, ao ator, ao dramaturgo e ao público são completamente redefinidos.

A Cia. realizou mais de mil apresentações, levando mais de 200 mil pessoas aos teatros do Brasil, Argentina, Chile, Colômbia, Costa Rica, França, México, Panamá, Portugal, Uruguai e Venezuela. Além do seu reconhecimento artístico, a Luna Lunera vem se tornando uma referência na formação profissional e de público, através de inúmeras ações de trocas de experiência, democratização do acesso à arte e ampliação dos seus circuitos de exibição.

A principal atividade da Luna Lunera é a criação e circulação de espetáculos autorais, com estética acentuadamente contemporânea. A Cia. investe em diversos caminhos de criação através da pesquisa e diálogo com outros criadores contemporâneos do teatro, da dança, da música e das artes visuais e digitais, abrindo seus processos criativos para o público, tornando-o cocriador. Consolidou parcerias que possibilitaram projetos de grande envergadura: o CCBB Centro Cultural Banco do Brasil financiou a criação e circulação dos espetáculos Prazer e Urgente, totalizando mais de 16 meses de temporada em 4 unidades do CCBB. Também a parceria com o SESC possibilitou uma turnê por 33 cidades em 25 estados brasileiros através do Palco Giratório. A Cia. realizou também uma turnê por 7 capitais nas regiões Norte e Nordeste do país, com patrocínio da Eletrobras Eletronorte/Chesf. Em viagens e temporadas, é prática da Cia. realizar debates com o público e oferecer oficinas gratuitas para artistas interessados em conhecer as técnicas de criação da Cia., bem como discutir temáticas relacionadas aos espetáculos. Ministra o IN CENA, curso livre de teatro, agora em formato online.

Espetáculos

- Urgente (2016), direção de Miwa Yanagizawa e Maria Sílvia Siqueira Campos.

- Prazer (2012), direção e dramaturgia da Cia. Luna Lunera, livremente inspirado na obra de Clarice Lispector.

- Cortiços (2008), direção de Tuca Pinheiro, inspirado em O Cortiço, de Aluísio Azevedo. Dramaturgia de Tuca Pinheiro e Cia. Luna Lunera.

- Aqueles Dois (2007), baseado no conto de Caio Fernando Abreu, direção e dramaturgia da Cia. É o trabalho de maior projeção nacional e internacional da Cia., tendo sido apresentado em 25 capitais brasileiras e em 5 países.

- Não desperdice sua única vida ou... (2005), teve direção de Cida Falabella, também codramaturga junto da Cia.

- Nesta Data Querida (2003), direção de Rita Clemente e dramaturgia de Guilherme Lessa, resultou do Projeto Cena 3x4, do Galpão Cine Horto e da Maldita Cia. de Investigação Teatral.

- Perdoa-me por me Traíres (2000), de Nelson Rodrigues e direção de Kalluh Araújo, arrebatou plateias através da uma estrutura passional de teatro-dança.

Foto: Divulgação

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