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Lançameto-show do livro "marina tsvetaeva - textos exilados, traduções por ana alvarenga"

A obra de Marina Tsvetaeva é composta de poemas, prosas, peças teatrais, composições musicais, cartas e diários

A obra de Marina Tsvetaeva é composta de poemas, prosas, peças teatrais, composições musicais, cartas e diários. De tudo, estes dois últimos me interessaram particularmente. As cartas são muitas e diversas – homens e mulheres conhecidos e desconhecidos da autora são destinatários de um desejo de tradução de si através da correspondência com o outro. Os diários são dois, imensos, traçando um ininterrupto ato de transcrever a própria vida. Destes, recolhi fragmentos que transitam em torno de sete significantes: vazio, exílio, estrangeiro, partida, natureza, amor e morte. Como se uma vida e uma obra pudessem ser lidas em sete palavras. Tal como uma escrita que, marcada pela intensidade do vivido, é tão radicalmente sucinta quanto potente, tão individual quanto de toda mulher que traz em si um “feminino de ninguém”.

Um feminino de ninguém e de todas que trazem no corpo da voz a berro do real de sua singularidade. Como de alguém que não deixou rastro, mas se dá a ver em cada pegada feminina do universo. Assim, uma voz que pode ser de não todas e de ninguém. Assim, como uma Marina que é fruto de muitas Marias, mas “de todas estas Marias dentre as quais sou a única – Marina.” Carrega essa Maria o N de ninguém – Marina. “Sou toda em itálico”.

Assim vamos não todas nós nos traduzindo, umas nas outras, ninguém em ninguém, não todas em uma, uma em não todas, não todas em ninguém. Assim também textos exilados, extraviados e eternizados em vozes tão mudas quanto permanentes, tão incompreensíveis quanto reveladoras.

“Sempre fui uma estranha em qualquer círculo – a vida toda.

Entre os políticos e os poetas. Meu círculo – é o círculo do universo, e o círculo do ser humano, de seu isolamento, de sua solidão.”

“Une âme née sans point d’attache” (uma alma nascida sem amarras) partiu sem deixar rastros, deixando, entretanto, seu (eu) não fundamental. Um ser-passageiro que se desalojou de todos os lugares anteriores de sua vida.

“Um náufrago que não sabe nadar – nenhuma vela – Inútil gritar, eu sei. Algo sem testemunhas jamais existiu. Eu – sou a coisa sem testemunha.”

Traduzir Marina foi como avistar um barco ao longe em um instante de naufrágio. Frágil como estava, também eu, identifiquei-me com ela.

“Neste momento sou o que há de mais distante da flor. Sequer um recanto está intacto em mim, sou só dor.”

Meu encontro com Lucia Castello Branco pode se resumir nas palavras que dela escutei: “Então, quero te dizer que, se a convoco sempre ao trabalho, quando é da dor de existir que você me fala, é porque suponho que esta é a força estranha que te habita: a do trabalho com a arte, com o ritmo, com a música, com a tradução. Isso você sabe fazer com delicadeza, com beleza – o último véu ante o horror.”

E, pelas mãos de uma de minhas três caras editoras, Maraíza Labanca, catei de Nuno Ramos: “Sei que acreditar em tudo isso será, no começo, a tua grande solidão. Mas chegará o instante em que me darás a mão, não mais por solidão, mas como eu agora: por amor.”

Com este meu primeiro livro, quero simplesmente dizer que chegou o instante em que dou a mão por amor. E que, por amor à escrita, acredito - sobrevivemos.

Nesta sexta, dia 3 de dezembro, lanço o livro "marina tsvetaeva - textos exilados, traduções por ana alvarenga". Fruto de minha pesquisa de pós-doutorado em Poéticas da Tradução (UFMG), a obra reúne fragmentos em torno de sete significantes: amor, vazio, exílio, estrangeiro, partida, natureza e morte. O lançamento-show será das 18h às 21h, na Quixote.

* das 18h às 20h: autografo os livros, enquanto minha irmã, Luciana Alvarenga, toca piano (Debussy, Gismonti, Bach, Chiquinha Gonzaga e outros).

* 20h: os bailarinos Cláudia Lobo, Ivan Sodré e Ariane Freitas (Cia de Dança Palácio das Artes) se unem à pianista para darem corpo aos significantes "amor", "morte" e "partida". Cada um em sua travessia, ao mesmo tempo em que sete leitores pronunciam fragmentos. As três performances antecedem um pocket-show do Cappella em Trio, formado por Zefinha, Luciana e eu, Ana Alvarenga.

Imagem: Convite / Divulgação

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