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Prefeitura de Nova Lima promove Feira de Queca e Lamparina neste sábado, 2/12

Evento marca o encerramento da série de cursos de capacitação do projeto Produtores de Queca e Lamparina, promovido pelo governo municipal

As tradições gastronômicas dizem muito sobre a cultura e a história de uma região. Por meio delas é possível conhecer as raízes de um povo, sua identidade, heranças e costumes. Ciente da importância de se valorizar esse legado, a Prefeitura de Nova Lima implementou o projeto “Produtores de Queca e Lamparina”. A iniciativa visa promover a capacitação profissionalizante das quituteiras regionais para ampliar o negócio local e o desenvolvimento do mercado gastronômico e cultural da cidade. Para marcar o encerramento dos cursos promovidos neste ano com 16 produtores da cidade, no próximo sábado, 2 de dezembro, das 9h às 18h, na Igreja Anglicana (Rua Dr. Cássio Magnani, 505 – Olaria) será realizada a Feira de Queca e Lamparina. Além de comercialização dos doces, a programação inclui exposição de documentos antigos do período da imigração inglesa e apresentação musical de órgão de tubo.

Segundo a gestora do Departamento de Turismo de Nova Lima, Fabiana Giorgini, além do fortalecimento da cidade como polo cervejeiro, o governo municipal também quer incentivar o turismo gastronômico. “Para isso, além das capacitações, queremos regulamentar as iguarias junto à vigilância sanitária, criar uma marca de divulgação e desenvolver o selo nutricional, transformando a gastronomia cultural da cidade ainda mais conhecida tanto dentro quanto fora dela”, explica. Ainda de acordo com a gestora, durante seis meses foram realizados palestras e cursos de precificação, manipulação de alimentos, rotulagem e embalagem, marketing, entre outros. “Para isso, contamos com importantes parcerias dentro da própria administração municipal, como as Secretarias de Saúde e de Trabalho, Emprego e Renda, além de instituições como Associação Comercial, Emater e Senac”, afirma.   

Um doce criado para agradar o imperador Dom Pedro II

A Lamparina, doce adaptado do pastel de Belém de Portugal, é feita à base de massa folheada e tem como principal ingrediente o coco. A iguaria foi criada por um casal francês que tinha uma pousada em Nova Lima, para agradar o imperador Dom Pedro II, que estava em visita à região no ano de 1881. A Lamparina é preparada em formas de empadas e leva este nome porque, antigamente, sobre o doce, colocava-se um pavio concentrado com azeite e água, que era acendido com fogo, tal qual uma lamparina.

Dos tempos da monarquia aos dias atuais, a Lamparina segue sendo um sucesso em Nova Lima. Uma das produtoras mais antigas da região, Dona Maria Cesária prepara Lamparinas há 63 anos e a fama, também antiga, é de que as que ela prepara derretem na boca. A receita, Dona Maria aprendeu com a mãe, que a ensinou porque achava importante deixar esse legado. “Ela falava que a lamparina fazia parte da história da cidade e da nossa família, pois ela mesma tinha aprendido com minha vó, e que por isso era importante manter viva essa tradição”, conta. A quituteira, que tem uma clientela fiel, afirma que recebe encomendas o ano inteiro. “As pessoas gostam de encomendar para aniversário, festas e até para congelar e servir quando recebem alguma visita”, relata. Segundo Dona Maria, não existe segredo para fazer uma boa lamparina. “Apenas sigo fielmente a receita e sempre rezo para São Benedito quando as coloco no forno”, finaliza.

A Lamparina foi registrada como Patrimônio Cultural Imaterial em 21 de setembro de 2016.

Tradição inglesa

Já a Queca, uma variação do “Christmas Cake” inglês, era um bolo tradicional nas festas natalinas da época, feito à base de conhaque e frutas cristalizadas variadas, como castanhas, nozes, passas, ameixas e cerejas. Na versão mineira do bolo, as frutas podem vir dos próprios quintais das quituteiras, mas há quem não abra mão de manter a tradição à risca, como é o caso de Maria das Dores Tochetti Macedo, mais conhecida como Dona Mariinha. Ela é uma das produtoras mais antigas de Nova Lima, são mais de 60 anos fazendo a iguaria, e afirma que gosta de ser fiel à receita que aprendeu com sua mãe, quando era ainda menina. “Foram os próprios ingleses que ensinaram a receita à minha mãe, por isso, gosto de manter a tradição exatamente como ela é, com os ingredientes nobres, que são as castanhas, passas, nozes, o conhaque de boa qualidade. Eles é que dão o verdadeiro sabor da queca”, ressalta.

Ao longo dessas seis décadas, Dona Mariinha diz que já perdeu as contas de quantas quecas preparou. Segundo ela, nas encomendas de final de ano, vende-se uma média de 50 a 60 bolos. Por enquanto, na família, ela ainda é a única produtora, mas o marido e a filha a ajudam na preparação. “Como o preparo é bastante trabalhoso, eles me ajudam a picar as frutas, a organizar os ingredientes. Inclusive, é meu marido quem faz as compras pra mim”, conta. Embora ainda seja um costume entre as famílias nova-limenses presentear amigos com a iguaria no Natal, hoje a queca é comercializada durante o ano inteiro e saboreada em chás, cafés e sobremesas. Mas Dona Mariinha prefere manter a tradição até nisso. “Só faço para o Natal porque, como gosto de utilizar os ingredientes originais da receita, essa é a época do ano em que os encontro mais facilmente”, finaliza.

A Queca tornou-se Patrimônio Cultural Imaterial em 16 de novembro de 2011.

Foto: Lívia Bastos

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