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Convite: visita guiada por "Deserto Fértil" exposição de Carolina Botura na Casa GAL
Abaixo a própria artista conta um pouco mais sobre essa mostra especial!
A mostra “Deserto Fértil” ocupa todo o primeiro andar da Casa GAL, reunindo mais de 30 obras produzidas entre 2012 e 2021 pela artista Carolina Botura. São peças feitas em diversas mídias incluindo pintura, escultura, fotografia, vídeo, além de instalações e obras digitais. Ao longo desse período de pandemia, Botura aprofundou sua pesquisa em torno da criação contida nos ciclos da vida, e o poder da nossa relação com o verde, a natureza e o meio ambiente como um todo.
Abaixo a própria artista conta um pouco mais sobre essa mostra especial!
Deserto fértil por Carolina Bortura
O deserto foi essa força fértil do silêncio que se instaurou na pandemia, por mais que o trabalho de uma pintora seja solitário, de certa forma o isolamento proporcionou uma espécie de foco e direção que pra mim se construiu através do verde. Um desejo que foi crescendo de fazer verdes, equilibrar o quente dinâmico do amarelo com o frio calmo do azul profundo. Inicialmente através de manchas e pinturas de instauração com cores mais chapadas. Naturalmente as folhas foram aparecendo e então estruturas mais complexas e um tipo de paisagem em que não conseguimos distinguir elemento e fundo.
Estou sempre de alguma forma integrando partes, a fragmentação no meu trabalho esta mais ligada com a continuidade, nesta série por exemplo, não conseguimos distinguir muito bem onde acaba uma planta e começa a outra, são várias que são uma, uma que são várias.
O próprio posicionamento não é de alguém que observa e algo q é observado, mas uma tentativa de adentrar a consciência da planta, uma força geratriz que cria e transforma sem cessar. Ou seja, um tipo de sintonia que não vê a natureza como esse algo que nomeamos fora da gente, mas como aquilo que a gente é.
A ambiguidade do nome deserto fértil caiu como uma luva para fazer a costura com uma pesquisa mais antiga que também envolve a natureza, mas que esta relacionada com a observação da vida nas coisas mortas, vou acompanhando a transformação, as torções do tempo nessas estruturas de plantas, galhos, interessada no seu devir terra, o pó como o primeiro e o ultimo sinal do tempo de uma certa forma aproximando os fins e o começos. Acho que isso também fica explicito quando volto com a semente e a flor para o galho seco
Outra ambiguidade esta na relação então entre as pinturas cheias de cores puras e vivas apresentadas na materialidade estática das tintas industriais e a não cor* digamos assim, das estruturas ocres, perdendo água, apodrecendo numa pulsão de movimento intenso, orgânica, absolutamente integrada aos ciclos da terra, de onde tudo veio pra onde tudo volta, um ciclo que está diretamente relacionado a água, pois os corpos são sustentados pela água.
A terra é apresentada como um caminho, uma língua que vai dar na fonte, um tesouro, uma gota de água.
Montar essa exposição numa casa é muito interessante porque estou lidando com um espaço cheio de memórias, a casa é um corpo sensível, habitado, ouvi-la foi essencial para a criação das instalações. Então a terra entrou e se assentou na cozinha, no coração da casa, onde a mãe prepara a comida, o local dessa alquimia que nos nutre e nos dá energia.
No quarto o chamado foi da camomila, um chá de vó, uma planta popular que ajuda a acalmar, a digerir melhor, uma planta que em sua própria plasticidade nos diz que é toda ouvidos, suas pétalas recuam para trás para melhor escutar o que nos aflige. A macela também possui qualidades semelhantes, é usada para fazer travesseirinhos de bebê. E Ambas, assim como o girassol falam da luz, da consciência. É como se ao pegar cada semente pudéssemos pegar o sol nas mãos.
A semente é outro elemento que costura a mostra, por ser esse centro de energia que contem a carga genética, o que a planta foi e o que será, dessa forma ela resume passado presente e futuro, talvez por isso ela esteja aqui compondo uma espécie de portal que rompe a parede.
Sobre Carolina Botura
Carolina Botura é artista visual, performer, poeta e mestre em Reiki. Graduada em Pintura e Escultura pela Escola Guignard – UEMG. É co-idealizadora do dispositivo VESPA [via de experimentação em performance e ação] e compõe o coletivo plástico sonoro POÇA. Suas práticas estão voltadas para a vivência das linguagens como um ecossistema sem fronteiras. Recentemente, a pintura tem se estabelecido como um eixo propulsor de uma pesquisa relacionada a temas que envolvem natureza, espiritualidade, sexualidade, vida e morte. Para Botura, a arte pode ser um meio de investigar o invisível, uma forma de promover impressões sensíveis que atuam em permanente transformação sobre os corpos físicos, sutis e simbólicos como uma ponte de encontro do ser consigo, com o outro e com o divino.
Site: www.carolinabotura.com
Sobre a Casa GAL
Localizada no Sion, foi construída na década de 60, projeto do arquiteto Laercio Gontijo e desde então habitada por uma única família. Desocupada em setembro deste ano, a residência em breve estará à venda. “Achamos que seria interessante abri-la para visitação uma vez que a grande maioria dos espaços não tombados pelo Patrimônio em Belo Horizonte acabam sendo vendidos para incorporadoras e demolidos”, conta Laura. “O interessante em se propor um projeto sem território definido como é o caso da GAL, é que a cada ocupação somos desafiados a pensar e repensar a interação entre a arte contemporânea, a arquitetura, a cidade e o público” completa.
https://www.instagram.com/gal.art.br
Serviço: Casa GAL – Rua Groelândia, 50 – Sion
Visitação por agendamento: 31 99370-8998
“Deserto Fértil” de Carolina Botura fica em cartaz de 05/11 a 18/12
Foto: "Deserto Fértil" / Studio Tertulia
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