Notícias
Filarmônica de Minas Gerais apresenta Romeu e Julieta de Prokofiev
Várias das grandes obras do século XX foram escritas para balé. Dentre elas, a releitura de uma das histórias mais marcantes de todos os tempos: peça emblemática da literatura sinfônica, Romeu e Julieta, op. 64, de Prokofiev, será apresentada pela Orquestra Filarmônica de Minas Gerais, nos dias 1º e 2 de dezembro, na Sala Minas Gerais, às 20h30, sob regência do maestro Fabio Mechetti. Ingressos entre R$ 17 (meia) e R$ 98 (inteira).
Antes das apresentações, das 19h30 às 20h, o público pode participar dos Concertos Comentados, palestras que abordam aspectos do repertório. O palestrante dos dois dias será o ator e diretor de teatro Chico Pelúcio, integrante do Grupo Galpão, que conversará com o público sobre a peça Romeu e Julieta, de Shakespeare – recontada por meio dos sons de Prokofiev.
Na histórica montagem do Grupo Galpão, assim começa a saga de amor: “Era uma vez Verona, onde o ódio entre duas famílias, nobres, mas insanas, tremeluz no fio das adagas e no vil estrepitoso das espadas. A guerra entre os Montéquio e os Capuleto arrepia até a mesmice destas pedras e o carregume destes secos. Mas, meu senhor e minha senhora, a vida não é um circo às avessas?”.
Estes concertos são apresentados pelo Ministério da Cultura, Governo de Minas Gerais e Itaú Personnalité e contam com o patrocínio da Picchioni Câmbio por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura. Já as palestras dos Concertos Comentados são apresentadas pelo Ministério da Cultura e Governo de Minas Gerais.
O repertório
Sergei Prokofiev (Ucrânia, 1891 – Rússia, 1953) e a obra Romeu e Julieta, op. 64 (1935/1936)
Os primeiros balés de Prokofiev, escritos entre 1914 e 1927, foram encomendados por Sergei Diaghilev e tinham como características a aspereza harmônica e a complexidade rítmica. Em 1927, o compositor – que havia dez anos vivia entre a França, os EUA e a Alemanha – reatou relações com a União Soviética, e, para buscar grandes públicos, passa a polir o próprio estilo, em direção à tonalidade e à clareza formal. Para o primeiro grande balé de tal “fase soviética”, o compositor escolhe Romeu e Julieta, peça mais popular de W. Shakespeare, autor bastante cultuado na Rússia. A partitura mantém-se fiel aos versos, de lirismo inigualável, e ecoa seus vários aspectos, da complexidade psicológica das personagens ao realismo das cenas. A música acompanha a transformação de Julieta, de alegre e despreocupada adolescente em mulher apaixonada. Também descreve o requinte da cena do baile ou a violência das lutas entre os Montéquio e os Capuleto. Em função de suas grandes dimensões, Romeu e Julieta foi chamada, pelo próprio compositor, de “ópera-balé”. Cada um de seus quatro atos tem um colorido especial: o Primeiro é dominado pela cena do baile, no palácio dos Capuleto; o Segundo Ato retrata uma festa popular, de melodias fluentes e muita alegria, mas termina em tragédia, com as mortes de Mercúcio e Teobaldo; o Terceiro conta com orquestração mais camerística, que se alterna entre a intimidade do quarto de Julieta e a cela de Frei Lourenço; por fim, o Quarto Ato resume-se a dois números: o funeral de Julieta adormecida e a morte do par de amantes. No epílogo – breve e intenso, como a vida dos protagonistas –, a música se torna quase imaterial.
O maestro Fabio Mechetti
Desde 2008, Fabio Mechetti é Diretor Artístico e Regente Titular da Orquestra Filarmônica de Minas Gerais. Com seu trabalho, Mechetti posicionou a orquestra mineira nos cenários nacional e internacional e conquistou vários prêmios. Com ela, realizou turnês pelo Uruguai e Argentina e realizou gravações para o selo Naxos. Natural de São Paulo, Fabio Mechetti serviu recentemente como Regente Principal da Orquestra Filarmônica da Malásia, tornando-se o primeiro regente brasileiro a ser titular de uma orquestra asiática. Depois de quatorze anos à frente da Orquestra Sinfônica de Jacksonville, Estados Unidos, atualmente é seu Regente Titular Emérito. Foi também Regente Titular da Sinfônica de Syracuse e da Sinfônica de Spokane. Desta última é, agora, Regente Emérito. Foi regente associado de Mstislav Rostropovich na Orquestra Sinfônica Nacional de Washington e com ela dirigiu concertos no Kennedy Center e no Capitólio norte-americano. Da Orquestra Sinfônica de San Diego, foi Regente Residente. Fez sua estreia no Carnegie Hall de Nova York conduzindo a Orquestra Sinfônica de Nova Jersey e tem dirigido inúmeras orquestras norte-americanas, como as de Seattle, Buffalo, Utah, Rochester, Phoenix, Columbus, entre outras. É convidado frequente dos festivais de verão nos Estados Unidos, entre eles os de Grant Park em Chicago e Chautauqua em Nova York.
Realizou diversos concertos no México, Espanha e Venezuela. No Japão dirigiu as orquestras sinfônicas de Tóquio, Sapporo e Hiroshima. Regeu também a Orquestra Sinfônica da BBC da Escócia, a Orquestra da Rádio e TV Espanhola em Madrid, a Filarmônica de Auckland, Nova Zelândia, e a Orquestra Sinfônica de Quebec, Canadá. Vencedor do Concurso Internacional de Regência Nicolai Malko, na Dinamarca, Mechetti dirige regularmente na Escandinávia, particularmente a Orquestra da Rádio Dinamarquesa e a de Helsingborg, Suécia. Recentemente fez sua estreia na Finlândia, dirigindo a Filarmônica de Tampere, e na Itália, dirigindo a Orquestra Sinfônica de Roma. Em 2016 fez sua estreia com a Filarmônica de Odense, na Dinamarca.
Igualmente aclamado como regente de ópera, estreou nos Estados Unidos dirigindo a Ópera de Washington. No seu repertório destacam-se produções de Tosca, Turandot, Carmem, Don Giovanni, Così fan tutte, La Bohème, Madame Butterfly, O barbeiro de Sevilha, La Traviata e Otello. Fabio Mechetti recebeu títulos de mestrado em Regência e em Composição pela prestigiosa Juilliard School de Nova York.
Sobre a Orquestra Filarmônica de Minas Gerais
Belo Horizonte, 21 de fevereiro de 2008. Após meses de intenso trabalho, músicos e público viam um sonho tornar-se realidade com o primeiro concerto da primeira temporada da Orquestra Filarmônica de Minas Gerais. Criada pelo Governo do Estado e gerida pela sociedade civil, nasceu com o compromisso de ser uma orquestra de excelência, cujo planejamento envolve concertos de série, programas educacionais, circulação e produção de conteúdos para a disseminação do repertório sinfônico brasileiro e universal.
Foto: Rafael Motta
Selecionamos os melhores fornecedores de BH e região metropolitana para você realizar o seu evento.
