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Cuidados paliativos proporcionam qualidade de vida para pacientes sem perspectiva de cura
Pessoas com doença metastática têm acesso a equipe multidisciplinar, inclusive com acompanhamento psicológico, para humanizar relação com a doença
Nos últimos meses, o câncer está em pauta nas discussões sobre saúde. Em Minas Gerais, todos os anos aumenta a quantidade de pessoas que morrem por algum tipo de tumor maligno. Só na última década, houve um crescimento de mais de 9%, entre 2010 e 2018, segundo os dados mais recentes do Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (INCA). O aumento de mortes por câncer escancara a necessidade de tratamentos cada vez mais humanizados e, inclusive, a urgência do debate sobre o que pode ser feito nos casos em que não há possibilidade de cura. É nesse quesito que entram os cuidados paliativos para, além de aliviar dores e sintomas do paciente, oferecer assistência integral multidisciplinar para que possa ter qualidade de vida até o fim.
"Não é sobre morrer, mas como viver da melhor forma. É o entendimento da morte como um processo natural da vida, entendendo que, mesmo não sendo possível a cura de uma doença, o cuidado é sempre uma possibilidade", afirma Lívia Nishimura, case manager do Contigo, programa gratuito de cuidados paliativos da operadora de saúde Vitallis. Na assistência paliativa, o tratamento se expande, compreendendo o paciente como um sujeito completo, cuja doença tem implicações não só em seu corpo, mas em sua autoestima, interações sociais, crenças e vontade de viver. "O foco não está na doença, mas na pessoa e todas as necessidades que ela tem naquele momento", conta Nishimura.
A proposta desse tipo de terapia não é prolongar a vida a todo custo, mas aliviar os sintomas de sofrimento e melhorar a qualidade de vida do paciente, assim como a de sua família. Por isso, assim como o tratamento médico, o acolhimento psicológico também faz parte da atuação paliativa. "Receber o diagnóstico de uma doença incurável mexe com a vida de qualquer pessoa e de todos que estão a sua volta. O papel do psicólogo é ajudar o paciente e seus familiares a construírem um novo direcionamento. É dar condições para eles lidarem com essa situação e redescobrir o sentido da vida nesse momento", declara a psicóloga do Contigo, Flávia de Fátima Galdino Pereira.
Atuando no tratamento paliativo, o psicólogo se dedica a minimizar os efeitos causados pela doença, como a possibilidade de uma depressão ou ansiedade, de modo a facilitar a reintegração do paciente a uma rotina mais próxima possível da que se tinha antes do diagnóstico, visando manter a autonomia do paciente. "Nosso papel parte do princípio de educar pacientes, familiares e os próprios profissionais de saúde, como os cuidadores, para uma melhor compreensão desse momento de fase final da vida, bem como sobre a melhor maneira de resolver pendências e expressar o que estão sentindo", complementa. Tudo isso é feito de forma personalizada, com atenção ativa e acompanhamento no melhor local para o paciente.
No Brasil, no entanto, o desconhecimento e a desinformação com relação a essa modalidade de tratamento têm retardado a adoção da prática. Dados da Academia Nacional de Cuidados Paliativos (ANCP) mostram que menos de 10% dos hospitais brasileiros oferecem uma equipe dedicada a essa atividade. O programa de cuidados paliativos da Vitallis é o único do país certificado pela New Health Foundation, instituição internacional sem fins lucrativos dedicada ao estudo e à otimização de sistemas de saúde e assistência social. De acordo com a entidade, “o Contigo obteve resultados espetaculares em valor à saúde de seus pacientes”. Foram alcançados índices de 87% de redução de dor; aumento de qualidade de vida e bem-estar de 77%; com redução nos custos assistenciais de 30%.
Lívia Nishimura ressalta que, apesar de serem associados a problemas incuráveis, os cuidados paliativos também podem ser aplicados para diminuir os sintomas de pacientes com doenças graves, mas com possibilidade de cura, e também daqueles que não passam por risco imediato, mas, mesmo assim, vivem mudanças profundas e dolorosas, como diabetes. "O cuidado paliativo deve estar presente em todos os níveis de assistência, desde o diagnóstico. Isso traz uma grande diferença na qualidade de vida e diminui o risco com hospitalizações e intervenções desnecessárias", comenta Lívia.
Foto: Divulgação
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