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Narrativas imagéticas, metáforas do futebol e a vida cotidiana em cartaz na Galeria de Arte BDMG Cultural

Alexandre Junior e Froiid abrem novo ciclo de exposições do Mostras BDMG

No dia 29 de novembro, às 19h, o BDMG Cultural inaugura um novo ciclo de exposições no Mostras BDMG. Artistas mineiros ou residentes no Estado, após seleção, são convidados para compor a programação que apresenta o que há de mais atual na produção de artes visuais de Minas, um recorte com diversas linguagens e temáticas.

Para abrir o ciclo 19/20 foram escolhidos os artistas Alexandre Junior e Froiid, que irão apresentar simultaneamente trabalhos com narrativas imagéticas, metáforas de futebol e a questões da vida cotidiana, Alegria nas Pernas e Onde a Coruja Dorme, respectivamente. As obras poderão ser vistas até o dia 19 de janeiro, diariamente, inclusive sábados, domingos e feriados, de 10h às 18h. Às quintas, horário estendido, de 10h às 21h. O acesso será gratuito.

Além do futebol, evidente nas duas exposições, humor, ironia e uma boa dose de sarcasmo dialogam nas propostas expositivas. “Na minha exposição, a ironia, o sarcasmo são mais fortes. Na do Froiid, uma espécie de traquinagem em mudar as regras do jogo e nas formas de um campo convencional de futebol”, explica Alexandre. O artista, inclusive, já é veterano no Mostras BDMG. Em 2013, trouxe os Reis do Ringue e, agora, retorna à galeria de arte da instituição trazendo mais uma vez o esporte como referência.

Alexandre se intitula como uma criança clichê, que sonhava em ser jogador de futebol. Com um trabalho que reflete questões autobiográficas, o tema não poderia passar despercebido pelo artista. “O esporte faz parte da minha vida. Então, acho natural que essas coisas venham à tona no meu trabalho em algum momento. Na minha trajetória, o futebol sempre esteve presente mas, essa última investida no tema, foi a forma mais consolidada que consegui dar para ele em todos esses anos”, conta.

Explorando uma das principais paixões do brasileiro, o futebol, Alexandre apresenta a cultura da bola por meio de uma estética gráfica que remete aos anos 80. Sem ressentimentos, o artista passa pelo inesquecível 7x1 da Copa do Mundo FIFA 2014 no Brasil, e flerta com as questões estruturais de educação e saúde do país que ficaram ainda mais expostas durante esse período.

Em Alegria nas Pernas, o artista escolheu a piada e o humor presentes no futebol como recorte para as suas obras. Há o resgate de jogadores antigos tidos como mais confiantes e arrogantes. “Coisa que carece um pouco no futebol de hoje”, afirma Alexandre. “Há hoje uma proliferação de piadas, muitas vezes por meio de memes, muito maior do que sempre existiu dentro do esporte. Acredito que esses pontos ajudam a refletir sobre o estado da sociedade atual. Há desgraça, mas há escárnio, há tragédia, mas ela anda de mãos dadas com o riso. E, mais do que isso, o futebol é algo no qual podemos nos dar ao luxo de rir, afinal, é só um esporte”.

Se o futebol é um escape para problemas cotidianos, Alexandre vai além e externaliza essas questões do dia-a-dia, utilizando a arte como diálogo de crítica e contestação. “O futebol ajuda a esquecer os problemas da vida, mas ajuda a cria-los e propaga-los. Um paradoxo necessário”, conta.

Enquanto isso, compartilhando o mesmo espaço da Galeria de Arte BDMG Cultural, Froiid apresenta esculturas de jogos de tabuleiro. São nove campos inéditos, apresentando formatos livres e mutáveis. “Trata-se de uma exposição onde o público pode jogar e criar suas próprias regras”, explica o artista.

Utilizando os “petelecos”, inspirados em jogos idealizados por artistas de vanguarda da metade do século XX, figuras geométricas pintadas em bases de madeira representam campos de futebol. Onde a Coruja Dorme ganha novas regras, ampliando as possibilidades do jogo.

“Os jogos de certo modo são metaforizações dos modos de vida. As regras e os títulos explicitam isso. Trago diálogos com as vanguardas, com futuristas, ‘Dadás’ e outros grupos, mesclando influências que tive nos jogos nos campos de várzea e de rua”, afirma Froiid. Neste aspecto, o artista também passa pelas relações entre o jogo e o humano, jogando com a realidade. E o nome da exposição diz muito sobre isso, afinal, a expressão futebolística onde a coruja dorme, se refere ao extremo, a dificuldade. É neste “canto” que também mora a complexidade das relações que estão implícitas nos títulos e nas regras dos jogos.

Foto:Divulgação

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