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Premiado espetáculo "Nastácia" faz temporada gratuita n CCBB BH - com Flávia Pyramo, Chico Pelúcio e Lenine Martins

Peça fica em cartaz de 1º a 11 de dezembro, no Teatro II do Centro Cultural Banco do Brasil

O premiado espetáculo Nastácia retorna ao palco do CCBB BH, no dia 1º de dezembro, quinta-feira, para temporada gratuita. A atualidade do romance “O Idiota”, publicado em 1869 por Fiódor Dostoiévski, deu origem à montagem mineira que conquistou os Prêmios Shell (RJ) de Melhor Direção, APTR de Melhor Direção e APTR de Melhor Cenário, além de 34 indicações aos principais prêmios do país em 2019. Em cena, os atores Flávia Pyramo, Chico Pelúcio e Lenine Martins resgatam a história de Nastácia Filíppovna, a mais genuinamente trágica e encantadora de todas as heroínas de Dostoiévski: uma mulher forte e de beleza estonteante, criada por um oligarca que a transformara em concubina aos 12 anos de idade. A representação da forma mais profunda de uma sociedade patriarcal que acredita que o poder e o dinheiro são absolvição para a prática de abusos, humilhações, violência física e moral contra as mulheres. Nastácia termina morta em uma cama, com uma facada debaixo do seio esquerdo. Feminicídio.

O espetáculo fica em cartaz de 1º a 11 de dezembro, sempre de quinta a domingo, às 19h, no Teatro II do Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB BH). As sessões dos dias 3 e 10, sábados, possuem intérprete de Libras. Após as apresentações dos dias 2, 3, 4, 9, 10 e 11 (sexta a domingo), haverá um bate-papo com os artistas. Classificação indicativa: 16 anos. Gênero: Drama. Duração: 1 hora e 40 minutos. A instalação artística de Ronaldo Fraga, que serve de cenário para a peça, ficará aberta para visitação nos dias 3, 4, 5, 7, 8, 9 e 10 de dezembro, das 13h às 17h, no Teatro II, com a exibição de quatro obras de videoarte de Cao Guimarães. Os ingressos para o espetáculo e para a exposição podem ser retirados gratuitamente na bilheteria física do CCBB ou pelo site bb.com.br/cultura. Mais informações pelo telefone (31) 3431-9400 e pelas redes sociais do CCBB BH.

Aclamado pela crítica, Nastácia recebeu três indicações ao Prêmio Shell do Rio de Janeiro – colocando a peça na liderança de indicações ao prêmio em 2019 –; seis indicações ao Prêmio APTR; cinco ao Prêmio Cesgranrio; oito ao Prêmio Botequim Cultural; seis ao Prêmio Copasa-Sinparc; e seis ao Prêmio Cenym. O Jornal O Globo considerou o espetáculo como um dos melhores daquele ano. A peça foi exaltada também pelo público, que esgotou os ingressos na temporada de estreia, em Belo Horizonte. No Rio de Janeiro, foram dois meses de teatro lotado e filas de espera. A atriz Flávia Pyramo, idealizadora do projeto e intérprete de Nastácia, comenta que sabia da força da personagem e da potência da equipe da peça, mas não imaginava tamanho sucesso. "Nastácia é enorme! Dostoiévski é gigante! Mas eu estava totalmente mergulhada naquele universo. Foi quando eu saí daquela imersão, que compreendi, de verdade, porque a obra foi criada. A comunicação exercida por ela é muito forte. Eu fico impressionada com tudo o que aconteceu, não tinha ideia da real dimensão desse trabalho. Às vezes penso: nossa, que coisa mais linda, e eu estava lá, no meio disso tudo, que sorte a minha!”, comemora a atriz.

Nastácia teve a circulação interrompida após a temporada no Rio de Janeiro, em virtude da pandemia. Após quase 3 anos, a peça retorna aos palcos, com recursos da Lei Estadual de Incentivo à Cultura de Minas Gerais, para temporada em quatro cidades mineiras: São João Del-Rei, Uberlândia, Ipatinga e Belo Horizonte. A turnê pelo interior do estado repetiu o sucesso de público de 2019: teatros lotados e ingressos esgotados, motivo de entusiasmo e comemoração para o elenco, conforme sublinha Flávia Pyramo: “Voltar para o teatro depois de tudo o que vivemos coletivamente com a pandemia, sofrendo ainda a desvalorização da cultura e a descredibilização dos artistas no Brasil, é uma oportunidade de corroborar a relevância da função artística, além de avolumar o grito contra toda forma de opressão que a peça traz e que o momento exige.” Para o ator Chico Pelúcio, “retornar com Nastácia é a sensação de preservar, de resiliência, de termos passado pelo isolamento, sobrevivido à pandemia. É estarmos dizendo para o público que estamos vivos, com esperança e poesia.”

Com direção de Miwa Yanagizawa, direção de arte de Ronaldo Fraga e dramaturgia de Pedro Brício, Nastácia une teatro e videoarte de Cao Guimarães para contar a história da mais genuinamente trágica e encantadora de todas as heroínas de Dostoiévski. Para Flávia Pyramo, “Interpretar Nastácia é conviver com um coração disparado e olhos alagados. Toda vez que sou atravessada pelo pensamento de reencontrá-la, um estado de êxtase se instala, e junto vem a dor de um útero apertado, pois tenho contado essa história olhando nos olhos de muitas protagonistas dessa tragédia real que é a violência contra a mulher", afirma.

O atual elenco é formado por Chico Pelúcio (Totski), Flávia Pyramo (Nastácia) e Lenine Martins, substituindo o ator Odilon Esteves na interpretação de Gánia. Flávia Pyramo ressalta que a chegada de Lenine traz muito talento e uma forte presença cênica para o espetáculo. "Recebi o flyer de um solo com a recomendação de não perder o Lenine em cena: ’Dos melhores que temos em BH’. Assisti e adorei. Quando veio a informação de que o Odilon (que amamos!) não poderia participar desta temporada, pois estaria gravando no Rio no mesmo período, lembrei daquele ator que me deixou uma impressão instigante. O Lenine aceitou o convite e quando as pessoas souberam que ele faria o Gánia, os comentários foram os melhores e ainda mais animadores. O Odilon mesmo me escreveu: ’Uau! O Lenine é referência para todos nós. Vai ser maravilhoso!’. Portanto, posso dizer que estou ansiosa para entrar em cena com ele.”

O time de artistas conta ainda com a consultoria teórica de Paulo Bezerra – principal tradutor da obra de Dostoiévksi para o português – e Flávio Ricardo Vassoler; iluminação de Chico Pelúcio e Rodrigo Marçal; trilha sonora de Gabriel Lisboa e direção de movimento de Tuca Pinheiro.

A NARRATIVA

O espetáculo se passa no apartamento de Nastácia, na noite do seu aniversário. Ela deve anunciar seu casamento com Gánia, união articulada pelo oligarca Totski, homem que a transformou em concubina desde a adolescência. Nastácia é submetida a um verdadeiro leilão naquela noite. A escolha do recorte na festa do seu aniversário se deu pela importância deste momento, no qual ela enfrenta seu algoz e toda a sociedade que a rodeia, e trata a todos e ao seu dinheiro (com o qual tentaram comprá-la) com o mais altivo desdém. Enquanto todos à sua volta chegam à escala mais baixa da sua dignidade por causa de dinheiro, para Nastácia ele é objeto de repulsa por ser também o seu desencontro com o mundo.

Na festa, além dos três personagens, há outros convidados que não vemos. “São aparências e ausências”, conta Pedro Brício. A festa não acontece de maneira cronológica, na imagem do tempo e na sua manifestação no palco, os limites estão borrados. A potência do drama dos personagens é o que nos arrebata, por ser tão vertiginoso, por se transformar de uma hora para outra, diante dos nossos olhos.

A história de Nastácia, como tudo em Dostoiévski, é “de uma espantosa atualidade”, sublinha o tradutor Paulo Bezerra. “Primeiro ela é vítima de um grão-senhor e gentleman pedófilo, que se vale do repentino estado de miséria dela e do muito dinheiro que possui, e a transforma em concubina aos doze anos de idade, sem sofrer qualquer censura da sociedade: é o poder do dinheiro falando mais alto. Depois, já adulta, é vítima de um amante paranoico, que, por não conseguir conquistar seu amor, simplesmente a mata. Portanto, duas formas de crime contra a mulher: o crime alicerçado no dinheiro e o crime derivado da impossibilidade de conquistar o coração e a mente da mulher. Ou seja, o crime motivado pelo sentimento de posse, pela tentativa de coisificação da mulher.”

Concebido entre 1867 e 1869, “O Idiota” está longe de ser anacrônico. Segundo o Datafolha, uma em cada quatro mulheres acima de 16 anos afirma ter sofrido algum tipo de violência no Brasil durante a pandemia de Covid. Isso significa que cerca de 17 milhões de mulheres (24,4%) sofreram violência física, psicológica ou sexual no último ano.

"Leia os jornais, por favor, porque a conexão visível entre todos os assuntos, gerais e particulares, está ficando cada vez mais forte e mais óbvia". Flávia Pyramo relata que foi assim que escreveu Dostoiévski sobre o caso (que estampou os jornais da Rússia no séc. XIX) da adolescente Olga Umiétskaia, que viveu sob tirania e desumanidade familiar, e acabou inspirando a criação de Nastácia Filíppovna. “São os conteúdos jornalísticos de hoje, de Minas Gerais, do Brasil, do mundo, que denunciam a trágica realidade em que ainda vivemos”, ressalta.

VAN AO TEATRO

O programa social que acompanha as produções da PyrAmo ProArte, mobiliza moradores de comunidades periféricas da cidade, oferecendo transporte e ingressos gratuitos para o espetáculo Nastácia. O propósito é popularizar o teatro e facilitar a democratização do acesso e consumo das obras culturais. Uma van busca os cidadãos em suas comunidades para assistirem ao espetáculo e, ao final, leva as pessoas de volta para casa. O programa acontece de sexta a domingo, nas duas semanas da temporada no CCBB BH.

OFICINA

Ministrada pela diretora Miwa Yanagizawa e pela atriz Flávia Pyramo, a oficina “Experimento Criativo Coletivo”, oferecida gratuitamente para 20 participantes, visa incentivar o processo criativo do indivíduo dentro de uma coletividade. O trabalho compartilha a experiência do processo criativo coletivo que gerou o espetáculo Nastácia. A oficina será realizada do dia 21 a 25 de novembro (de segunda a sexta), no Galpão Cine Horto, sendo direcionada para jovens acima de 16 anos e adultos, alunos de artes cênicas, atores e não atores. Carga horária: 40 HA.

Ficha Técnica | Nastácia

Dramaturgia: Pedro Brício | Tradução: Paulo Bezerra | Direção: Miwa Yanagizawa | Elenco: Chico Pelúcio, Flávia Pyramo e Lenine Martins | Direção de arte (Cenário e Figurino): Ronaldo Fraga | Videoarte: Cao Guimarães | Iluminação: Chico Pelúcio e Rodrigo Marçal | Trilha sonora e composição: Gabriel Lisboa | Direção de movimento: Tuca Pinheiro | Operador de luz: Jésus Lataliza, Rodrigo Marçal e Edimar Pinto | Operador vídeo: Ralph Antunes | Operador de som: Colibri | Consultoria teórica: Paulo Bezerra e Flávio Ricardo Vassoler | Programação visual: Paola Menezes | Fotografia: | Guto Muniz, Ana Colla, Cao Guimaraes, Geniane Vieira, Priscila Natany e Lívia Chiovato | Direção de produção: Agentz Produções | Coordenação geral: PyrAmo ProArte

Premiações:

• PRÊMIO SHELL (RJ) de Melhor Direção (Miwa Yanagizawa);

• PRÊMIO APTR de Melhor Direção (Miwa Yanagizawa);

• PRÊMIO APTR de Melhor Cenário (Ronaldo Fraga).

Indicações aos prêmios teatrais:

● PRÊMIO SHELL RJ (líder de indicações) = Melhor Direção; Melhor Cenário e Melhor Figurino.

● PRÊMIO APTR = Melhor Espetáculo; Melhor Autor; Melhor Direção; Melhor Atriz; Melhor Cenário e Melhor Figurino.

● PRÊMIO CESGRANRIO = Melhor Direção; Melhor Atriz; Melhor Ator; Melhor Cenário e Melhor Figurino.

● PRÊMIO BOTEQUIM CULTURAL = Melhor Espetáculo; Melhor Dramaturgia; Melhor Direção; Melhor Atriz; Melhor Ator (2); Melhor Cenário e Melhor Figurino.

● PRÊMIO COPASA-SINPARC = Melhor Direção; Melhor Atriz; Melhor Ator; Melhor Cenário; Melhor Figurino e Melhor Iluminação.

● PRÊMIO CENYM = Melhor Texto Adaptado; Melhor Ator; Melhor Direção de Arte; Melhor Qualidade Artística de Produção; Melhor Programação Visual e Melhor Preparação Corporal.

Cemig: a energia da cultura

A Cemig é a maior incentivadora de cultura em Minas Gerais e uma das maiores do país. Ao longo dos seus 70 anos de fundação, a empresa investe e apoia as expressões artísticas existentes no estado, por meio das leis de dedução fiscal estadual e federal, de maneira a abraçar a cultura de Minas Gerais em toda a sua diversidade.

Além de fortalecer e potencializar as diferentes formas de produção artística e cultural no estado, a Cemig se apresenta, também, como uma das grandes responsáveis por atuar na preservação do patrimônio material e imaterial, da memória e da identidade do povo minero. Os projetos incentivados pela Cemig objetivam chegar nas diferentes regiões do estado, beneficiando um maior número de pessoas e promovendo a democratização do acesso às práticas culturais. Assim, incentivar e impulsionar o crescimento do setor cultural em Minas Gerais reflete e reforça o compromisso e o posicionamento da Cemig em transformar vidas com a nossa energia.

Circuito Liberdade

O CCBB BH é integrante do Circuito Liberdade, complexo cultural sob gestão da Secretaria de Estado de Cultura e Turismo (Secult), que reúne diversos espaços com as mais variadas formas de manifestação de arte e cultura em transversalidade com o turismo. Trabalhando em rede, as atividades dos equipamentos parceiros ao Circuito buscam desenvolvimento humano, cultural, turístico, social e econômico, com foco na economia criativa como mecanismo de geração de emprego e renda, além da democratização e ampliação do acesso da população às atividades propostas.

SERVIÇO: Espetáculo Nastácia
De 1º a 11 de dezembro - quinta a domingo, às 19h
Teatro II do CCBB BH (Praça da Liberdade, 450 - Funcionários)
Gratuito – retirada de ingressos na bilheteria física do CCBB ou pelo site bb.com.br/cultura
Classificação indicativa: 16 anos. Gênero: Drama. Duração: 1 hora e 40 minutos

Bate-papo com os artistas: dias 2, 3, 4, 9, 10, 11 (sexta a domingo), após as apresentações
Instalação artística: visitas - dias 3, 4, 5, 7, 8, 9 e 10 de dezembro, das 13h às 17h
Gratuito – retirada de ingressos na bilheteria física do CCBB ou pelo site bb.com.br/cultura

Mais informações para o público: tel.: 31 3431 9400
Redes sociais CCBB: (Instagram) @ccbbbh / (Twitter) @ccbb_bh / (Facebook) @ccbb.bh
SAC 0800 729 0722 – Ouvidoria BB 0800 729 5678
Deficientes Auditivos ou de Fala 0800 729 0088

Foto: Guto Muniz

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