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Festival de Arte Negra de Belo Horizonte lança data, conceito e abre inscrições para residência

O público alvo são adultos, artistas da dança e teatro. A residência é gratuita e são oferecidas 20 vagas

A Prefeitura de Belo Horizonte, por meio da Secretaria Municipal de Cultura e da Fundação Municipal de Cultura, em parceria com o Centro de Intercâmbio e Referência Cultural (CIRC), anuncia data, conceito e identidade visual do Festival de Arte Negra de Belo Horizonte – FAN BH. O evento acontecerá entre os dias 4 e 12 de dezembro, em diferentes espaços da capital, com atividades presenciais e virtuais. O FAN BH tem o tema “Muvuca de Pretuntu” e apresentará, como novidade, a união de artistas diferentes, de linguagens diversas, nas “Muvucas Artísticas”, espaços de criação colaborativa e apresentação de espetáculos inéditos, criados especialmente para o festival.

No sábado (20), Dia da Consciência Negra, o FAN-BH abre as inscrições para a Residência Artística Afro Butoh Nzila ti N’gombe, ministrada por Benjamin Abras, participação de Cátia Costa e Mukanya. O público alvo são adultos, artistas da dança e teatro. A residência é gratuita e são oferecidas 20 vagas. A aula magna, no dia seis de dezembro, será realizada de forma virtual, com transmissão por plataforma digital e aberta ao público geral. Já as aulas seguintes, entre os dias sete e dez, acontecem de forma presencial, durante a programação do festival. Para se inscrever, é necessário preencher o formulário até o dia 27 de novembro no endereço pbh.gov.br/fanbh.

SOBRE O CONCEITO, IDENTIDADE VISUAL DO FAN BH E CURADORIA

Buscando transmitir o conceito do tema “Muvuca de Pretuntu” e as relações da cultura Bantu com as tradições negras de Minas Gerais, o FAN BH convidou, para criar a identidade visual dessa edição, o coletivo Minas de Minas Crew e o designer Vinícius Costa. As quatro ilustradoras do grupo criaram uma imagem representando a conexão energética dos pés sobre o chão, com a dança e o movimento referentes às tradições negras, representando a abertura de caminhos e a força de permanência da cultura popular. Já o designer convidado, a partir de referências também da física quântica e da partícula filosófica do “Ntu” africano, buscou formas e símbolos que contemplam a energia e os encontros do evento neste ano.   A identidade visual pode ser conferida no site fan.pbh.gov.br e nas redes sociais do festival.

A curadoria do FAN BH 2021 é composta pela atriz, cantora e compositora Júlia Tizumba, pelo artista plástico e pesquisador Froiid e pelo cantor e compositor Sérgio Pererê. A direção artística desta edição é de Aline Vila Real, diretora de Promoção das Artes da Fundação Municipal de Cultura.

SOBRE A RESIDÊNCIA AFRO BUTOH NZILA TI N’GOMBE DE BENJAMIN ABRAS

Afro Butoh é um campo de pesquisa performativos e filosófico contemporâneo, a arte atua na descolonização através de técnicas advindas da ritualística e filosofias afro diaspóricas brasileiras. Os fundadores são Tatsumi Hijikata e Kazuo Ohno e Yoshito Ohno, com o qual Benjamin Abras teve oportunidade de dançar e dialogar sobre sua pesquisa com Afro Butoh. Dentro da terminologia de Benjamin, o aprendizado envolve a reverberação contemporânea nas tecnologias do corpo, presentes nas tradições do Candomblé, Umbanda, e a Capoeira de Angola, que formam a base de sua pesquisa sobre “motrizes performáticas afro brasileiras”, em especial no eixo Bantu, desenvolvidas por ele ao longo de 26 anos.

Ao longo de 10 anos, o Afro Butoh foi utilizado pelo artista no Brasil, em espetáculos como Madame Satã e ZUMBI, e vivenciado na Europa, Ásia e África. Para isso, Benjamin Abras vale-se da ritualidade como ação política, reescrita da memória e desconstrução do corpo institucionalizado, colonizado pelas identidades eurocêntricas. O trabalho oferece aos participantes uma imersão prática filosófica nas danças de Kalunga, na filosofia do Catimbó de preto velho, trabalhando imersivamente em três técnicas: ressonância de Umbanda, educação afro-somática e transe da presença.

SOBRE O FESTIVAL DE ARTE NEGRA DE BELO HORIZONTE

O Festival de Arte Negra de Belo Horizonte - FAN BH é parte integrante da política pública de cultura do município e é um dos maiores eventos dedicados à arte e à cultura negra na América Latina. Sua primeira edição, em 1995, integrou as celebrações do tricentenário da morte de Zumbi dos Palmares, herói nacional e símbolo da resistência cultural da população negra do Brasil. Na época, o evento movimentou a cidade, que assistiu a ocupação de suas ruas, praças e teatros por artistas oriundos de diversos pontos da África e das diásporas negras.

A partir da segunda edição, em 2003, o FAN BH ganhou caráter permanente, com periodicidade bienal. Da mesma forma, reforçou a sua contribuição enquanto difusor da arte negra no Brasil e a sua fundamental importância para compreensão da origem e a inserção das diversas vertentes das culturas de matrizes africanas. Ao longo de sua trajetória, o Festival tem se consolidado como um importante fórum de encontros entre artistas locais, nacionais e internacionais para compartilhar ideias, procedimentos, perspectivas e técnicas sobre a Arte Negra.

A edição mais recente do FAN BH aconteceu em novembro de 2019 e teve como eixo de reflexão “Território Memória”, articulado às práticas culturais e artísticas negras. A programação da 10ª edição levou 510 artistas a diversos palcos da cidade, sendo 330 de Minas Gerais e 180 de outros 10 estados e países como Alemanha, Gana e Senegal. Foram realizadas 150 atividades, alcançando um público de mais de 25 mil pessoas.

SERVIÇO

Inscrições para a Residência Artística Afro Butoh Nzila ti N’gombe
Período: de 20 a 27 de novembro
Forma de inscrição: A partir de formulário no endereço pbh.gov.br/fanbh

Foto: Benjamin Abras / Ladan

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