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FORUMDOC.BH.2017 comemora sua 21ª edição com pelo menos 70 documentários nacionais e internacionais

O Festival do Filme Documentário e Etnográfico de Belo Horizonte, que acontecerá de 23 de novembro a 03 de dezembro, trará produções e temáticas diversificadas para debater questões urgentes da nossa contemporaneidade. Lançamentos de filmes brasileiros recentemente premiados nacional e internacionalmente se destacam: Arábia (Affonso Uchoa e João Dumans, eleito melhor filme no Festival de Cinema de Brasília em 2017), Baronesa (Juliana Antunes), e Era uma Vez Brasília (Adirley Queirós). Dando continuidade ao seu tradicional escopo (exibir, debater e colocar em evidência produções que abordam diversas perspectivas autorais e culturais), o forumdoc.bh está de volta à capital mineira comemorando sua 21ª edição. Realizado pelo coletivo Filmes de Quintal, o festival, com participação dos programas de pós-graduação em Antropologia e Comunicação da UFMG, será realizado com sessões de cinema gratuitas, além de curso e fórum de debates que compreende um seminário e sessões comentadas, no Cine Humberto Mauro, Cine 104, e FAFICH/EAD - UFMG. Esta edição proporcionará ao público a exibição de mais de 70 filmes documentais e obras que com este gênero dialogam. A programação se organiza em três mostras:Os Fins Neste Mundo: Imagens do Antropoceno, com 35 filmes; Mostra Contemporânea Brasileira, com 21 filmes, e Mostra Contemporânea Internacional, com 10 filmes. Além de Sessões Especiais e Mostra de Fotografias.

Na sessão de abertura, dia 23 de novembro, quinta-feira, às 19h, será exibido o curta ATL 2017, dirigido pelo realizador indígena Edgar Correa Kanaykõ (Xakriabá), e Piripkura, documentário vencedor do Festival do Rio de 2017, dirigido por Mariana Oliva, Renata Terra e Bruno Jorge. A sessão será comentada por Edgar Correa Kanaykõ e Renata Terra.

A mostra Os Fins Neste Mundo: Imagens do Antropoceno, curada pelas organizadoras do festival, Júnia Torres e Carla Italiano, e o pesquisador Frederico Sabino, busca discutir e problematizar a iminência do fim do mundo como o conhecemos hoje, capitaneado pela exploração desmesurada e pelo esgotamento dos recursos ambientais associados ao modelo de desenvolvimento Ocidental contemporâneo. Tal intervenção humana vem causando mudanças irreversíveis de tal magnitude que se define uma nova época geológica, nomeada por cientistas - geógrafos, filósofos, antropólogos - como Antropoceno. A mostra apresenta um arranjo de filmes de diversos países e povos (Suíça, Alemanha, EUA, França, entre outros), desde consagrados cineastas que vêm propondo inovações formais ancorados na relação entre paisagem e cinema, a realizadores indígenas de diversas etnias que nos apresentam outros modos de vida e um outro olhar para as relações entre o homem e o mundo natural.

O Antropoceno não promove, mas justamente desafia a noção de um sujeito universal, pois o que existe é “uma diversidade de alinhamentos políticos dos diversos povos ou ‘culturas’ mundiais” considerando também os “povos não-humanos”, como nos lembram Déborah Danowski e Eduardo Viveiros de Castro, que participarão da conferência como parte do seminário que integra a mostra. Ao provocar deslocamentos importantes na auto-percepção dos modernos, a noção de Antropoceno deve agenciar uma abertura para as realidades não modernas, para percepção de outros modos de existência. Para tanto, o festival trará as seguintes produções dividida em quatro conjuntos:

O primeiro grupo reúne filmes “lírico-apocalípticos” nos quais a paisagem é alçada à protagonista. É o que pretende os filmes Behemoth e Erosões, nas montanhas arrasadas da Mongólia e de Minas Gerais, ouMetamorphosen, com os rios e lagos mais radioativos do mundo. Ou ainda Three studies in geography (Neil Henderson) e Time and Tide (Peter Hutton), que levam a cabo o descentramento do humano na concepção da imagem. O segundo agrupamento apresenta fabulações nada otimistas acerca de nosso destino enquanto espécie: e se a vida como a conhecemos deixasse de existir? Homo sapiens concebe um mundo pós-humano em que nossas construções de ferro, concreto e aço foram dominadas por plantas e outros animais. Em Cavalo de Turim acompanhamos a chegada gradual da morte para um velho homem do campo, uma filha e um cavalo, sinalizando a inevitabilidade de uma desaparição coletiva. Era uma vez Brasília, novo longa de Adirley Queirós, é o único a efetivamente projetar um "futuro", ao mesmo tempo intergalático e de um ponto de vista periférico, não muito diferente da exploração social que conhecemos no presente.

O terceiro agrupamento se caracteriza por ensaios que apostam em camadas de significação a partir de motes temáticos. Os motes variam: a relação entre cinema e Antropoceno para A Film, reclaimed, dirigido por Ana Vaz; a monocultura da soja no Brasil em Aprender a viver com o inimigo; o aterrorizante sistema de produção de alimentos em escala industrial desvelado por Our daily bread. O mote pode ser infinitesimal como uma partícula de poeira, como no longa Staub, de Bitomsky, ou o modo com que lidamos com seres não-humanos na proposição de James Benning em Natural History.

Foto: Divulgação

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