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Irene Ziviani lança livro Articule-se, resultado de 40 anos de pesquisas sobre o corpo e o movimento
O lançamento é aberto ao público
No dia 3 de dezembro, sábado, a bailarina e pedagoga do movimento Irene Ziviani realiza o lançamento de seu livro Articule-se, escrito em colaboração com a artista de dança e pesquisadora Júlia Ziviani Vitello. Resultado de 40 anos de pesquisas sobre o movimento, com contribuições importantes, como a de Klauss Vianna, a obra aborda o desenvolvimento do método Articule-se de reeducação do movimento, criado por Irene, que vem sendo aplicado a pessoas comuns que buscam um trabalho corporal consciente, bem como artistas da dança, do teatro, das artes plásticas e da música, em Belo Horizonte e no Rio Janeiro. A edição e produção editorial são de Ludmilla Ferreira. A orelha do livro é de autoria da bailarina Angel Vianna. O lançamento ocorre na Livraria Scriptum - Rua Fernandes Tourinho, 99 (Savassi), entre 11h30 às 14h30. O acesso é gratuito. A obra custa R$70 e está à venda no local do lançamento e também pelo site da editora Scriptum www.livrariascriptum.com.br.
Para saber um pouco mais sobre o trabalho, será disponibilizada a partir de 1º de dezembro, uma palestra de apresentação do método Articule-se, com tradução em libras, nos canais da autora no Instagram (instagram.com/irene_ziviani) e no YouTube youtube.com/@articulese). Também ficará disponível conteúdo acessível para pessoas com deficiência visual, no link youtu.be/P9S2JYMTEL8. Este projeto é realizado com recursos da Lei Municipal de Incentivo à Cultura de Belo Horizonte.
“Articule-se porque é nas articulações dos nossos ossos onde ocorre o movimento do corpo”, comenta a bailarina Irene Ziviani sobre o título da obra. O livro reúne textos teóricos bem como 32 propostas de exercícios que têm como base a reeducação corporal através do movimento consciente, além de fotos e desenhos anatômicos que facilitam a apreensão do leitor, de forma lúdica. “Minha intenção foi de formatar um conteúdo menos técnico e mais simplificado, com exercícios práticos que têm o objetivo de proporcionar a cada um, de forma consciente, um melhor alinhamento do corpo”, conta.
Segundo a bailarina, a pesquisa está relacionada a como cada pessoa dialoga com seu próprio corpo, no simples movimento do dia a dia. “O corpo tem as suas leis mecânicas feitas para impulsionar o movimento. O trabalho é essa tomada de consciência, como você vai respeitando o seu corpo e buscando o movimento mais natural e original, como as crianças no primeiro setênio”, explica.
Esses entre outros conceitos adotados por Irene possuem afinidade com a Educação Somática - campo de pesquisa estruturado no movimento que surge no início do século XX e propõe vivências de autoconhecimento e autopercepção ao repensar padrões antigos e arraigados de comportamentos contraprodutivos, assumidos pelo indivíduo durante a vida. “Se há dor é sinal de que existe algo desalinhado no corpo. A estratégia é aprender a localizar onde está a causa e a causa pode não estar no ponto onde dói. Uma dor no quadril pode nascer de uma hiperextensão do joelho, e assim por diante. O corpo nos apresenta infinitas possibilidades. Sua capacidade de regeneração e recuperação. Então é preciso conhecer seu funcionamento”, conclui.
Assentar, levantar, abaixar para pegar algo próximo ao chão, deitar-se, caminhar, atividades comuns do dia a dia são algumas das práticas encontradas durante uma aula no estúdio de Irene, no bairro Serra (Belo Horizonte). A bailarina também lança mão de conceitos da anatomia, da fisiologia, da biomecânica e da psicomotricidade. Lá a preparadora corporal ministra cursos e workshops para pessoas de diferentes formações como atletas, músicos, bailarinos, atores, engenheiros, arquitetos, médicos, comunicadores e pessoas em geral interessadas em conhecer o próprio corpo. “As minhas aulas são dinâmicas. Gosto de usar materiais diversos: sucata, elásticos que possam imitar a elasticidade de um músculo, canos de PVC para que a gente possa massagear os pés, bolinhas de tênis, mapas de anatomia, peças de resina que imitam o osso como os membros, os braços, as pernas, a bacia, o eixo vertebral”, conta.
Durante a prática, para facilitar o aprendizado, tudo é experimentado por cada aluno em seu próprio corpo. “A resposta vem com a aquisição de novas habilidades motoras, trazendo para o indivíduo, a capacidade de autonomia para que ele possa adotar uma vida ativa e saudável”, afirma Irene.
O engenheiro e jornalista Guilherme Minassa, de 70 anos, foi aluno de Irene Ziviani. Avesso ao esporte e a atividades físicas em geral, com o passar do tempo o corpo passou a acumular todo tipo de dor, sobretudo nas costas. Depois de se consultar com diversos médicos, foi recomendado à bailarina por um acupunturista. Apesar de poucos encontros com Irene, conta que nunca mais foi o mesmo. “Ela me deu dicas simples sobre minha forma de caminhar. Disse que estava um pouco instável e me pediu que imaginasse que cada pé ocupava uma canoa. Portanto, eu não poderia desequilibrar o corpo, ou então, uma das canoas viraria”. Além de aliviar as dores, Guilherme garante que prestar atenção enquanto caminha passou a ser uma descoberta diária. “Também comecei a praticar pilates e hoje tomei gosto pelo exercício físico. Ganhei qualidade de vida”, diz.
Desde que Irene e o ortopedista José Arthur Coelho de Aguiar se conheceram, há mais de 10 anos, criaram uma parceria de admiração.“Não costumo ser um médico invasivo. Têm casos de atletas e músicos que chegam ao meu consultório, com problemas como hérnia na coluna, bursite e tendinite, que acabo encaminhando à Irene. Às vezes, ela orienta uma simples correção postural, sem necessidade de cirurgias ou medicamentos“. Para o médico, são ajustes valiosos que valem para uma vida toda. “Uma grande maestrina que nos ensina a movimentar e afinar os instrumentos (músculos, tendões e articulações), tornando o dia a dia mais leve e livre de tensões”, afirma.
A história de Irene Ziviani com o movimento nasce de uma escoliose identificada ainda na infância, na década de 1960. Para corrigir o desvio, é levada pela mãe para a prática da dança no Ballet Ana Lúcia Carvalho, tradicional escola de Belo Horizonte. “Dançar trouxe uma base segura para que eu pudesse construir a minha trajetória como artista e professora. Exige muita disciplina, mas oferece muitas possibilidades como equilíbrio, não só físico, mas também emocional”, garante.
Aos 17 anos, quando já dava aulas, Irene conhece os bailarinos Klauss Vianna e Angel Vianna. Pioneiros da expressão corporal no Brasil, o casal modifica a forma de Irene abordar o movimento. “klauss trouxe o estudo da anatomia para dentro da sala de aula. Para ele era importante que os bailarinos conhecessem com profundidade o próprio instrumento de trabalho”. Entre os ensinamentos de Klauss, o movimento deveria iniciar no centro do corpo, onde reside a memória inteligente, e só então ser projetado no espaço. “Ele falava muito da importância dos ossos para impulsionar o movimento através das articulações. Também falava do sorriso das clavículas, do sorriso do joelho. Ele dizia: ‘mas é só um sorriso e não uma gargalhada porque a gargalhada compromete o espaço nas articulações’ ”, lembra.
Nos anos 60 surgem, no Brasil, diversas técnicas de consciência corporal, frutos de uma nova mentalidade que percorre o mundo e tenta derrubar as fronteiras estabelecidas desde a Renascença, nas artes cênicas. “Essas pesquisas emprestam, pela primeira vez, no ocidente, voz aos dançarinos e despertam nos atores de teatro a consciência de que não são apenas voz, mas voz e corpo em movimento a serviço da expressão artística”, contextualiza o diretor João das Neves em texto escrito sobre Irene. Falecido há 4 anos, o artista (ex - Grupo Opinião) conheceu Irene logo que se mudou para Belo Horizonte e foi um dos frequentadores de suas aulas. “Um corpo jamais será o mesmo depois de passar pelas mãos de Irene Ziviani. Como costumo afirmar, o seu é um trabalho delicadamente violento. Música e movimento se fundem, confundem e abrem caminho para a espontaneidade criativa”, conclui.
Assim como João, outras gerações de artistas também foram alunos da educadora, como os atores Benjamim Abras e Rodrigo Jerônimo, a artista plástica Leonora Weissmann e a cantora Titane, que segundo Irene “está presente em todos os momentos. Acredita no meu trabalho e se submete a ele, consciente da existência de uma relação intrínseca entre voz e corpo”, afirma.
Atualmente no país, além de Irene Ziviani, são referências na pedagogia do movimento a Faculdade Angel Vianna (RJ) e Ivaldo Bertazzo (SP) e sua reeducação corporal. Em seus anos de estudos e descobertas, Irene observa diferenças de resposta ao método Articule-se, entre um artista e uma pessoa que não usa o corpo como instrumento de trabalho. “Uma pessoa que utiliza seu corpo apenas para se locomover, não tem memória corporal de algo que vem de fora. Ela tem uma postura menos viciada. Você chega explicando os mecanismos do corpo, o lugar dos ossos e do sistema articular e ela vai acessando esses pontos, na maioria das vezes, com mais facilidade do que o artista treinado a uma resposta e a um estímulo de externo”, afirma.
Para a bailarina Dudude Herrmann, referência na dança contemporânea brasileira, pertencente à geração de alunos de Klauss e Angel Vianna, em Belo Horizonte, o livro de Irene será de grande contribuição. “Detalhista e dedicada, seu trabalho oferece a possibilidade de um corpo vivo e pertencente a cada pessoa. Agora o livro se faz real e concreto a partir do desejo de que o leitor possa estudar e perceber as importâncias de um corpo articulado, perceber o desenho e toda sua estrutura matriz que são os ossos e seus espaços articulares que servem como pontes do mover saudável, engenhoso”, afirma.
Sobre Irene e sua obra “Articule”, a bailarina Angel Vianna, companheira de Klauss, comenta: “lidar com as diferenças no ser humano me fascina. Ninguém é igual ao outro, cada um é único e todos são especiais para mim. Ao me questionar, vem o entendimento de que o pouco de cada um é de um tamanho enorme. A contribuição que Irene Ziviani apresenta neste livro tem muito a somar ao estudo do corpo em movimento. Esta importante etapa de sua vida não é um ponto final, pelo contrário, pode se desdobrar e deve continuar para que novas etapas possam surgir à frente“.
Para a pesquisadora Márcia Fabiano Neves, autora do prefácio “Irene Ziviani: A construção autoral de uma pedagogia do movimento”, o método Articule-se permite ao leitor um exercício de autonomia. “Ele representa o direito que todas as pessoas têm de se voltar para si e se dedicar ao autoconhecimento e ao autocuidado, valores atualmente desprezados. Pode-se, portanto, constatar que a abordagem metodológica de Irene Ziviani é uma convocação subversiva ao tempo de estar consigo, investindo em bem-estar, conforto e reconexão, o que incita o cultivo do interesse, zelo, amabilidade e respeito pelo que somos e podemos vir a ser”, reflete.
SERVIÇO: Lançamento presencial do livro Articule-se
3 de dezembro, sábado - 11h30 às 14h30
Livraria Scriptum - Rua Fernandes Tourinho, 99 - Savassi - BH/MG
Entrada gratuita
Venda no local e também pelo site da editora Scriptum
www.livrariascriptum.com.br | Valor: R$70
*Palestra de apresentação do livro, com tradução em libras, disponível a partir de 1º de dezembro, 20h, nos canais da autora no Instagram (instagram.com/irene_ziviani) e no YouTube (youtube.com/@articulese). O conteúdo para pessoas com deficiência visual (vídeo com audiodescrição) pode ser acessado no link youtu.be/P9S2JYMTEL8
SOBRE IRENE ZIVIANI
Irene Ziviani é bailarina de formação, professora e preparadora corporal. Seu fascínio pelo movimento corporal é expresso no livro Articule-se, dedicado à pesquisa à prática e ao ensino das diversas possibilidades oferecidas pelo corpo. Desde 1970, dirige sua própria escola de Consciência Corporal e Reeducação do Movimento - Articule-se, em Belo Horizonte/MG, onde mantém cursos regulares e intensivos de reeducação de postura para leigos e profissionais das áreas artísticas e da saúde.
SOBRE JÚLIA ZIVIANI
Companhias de dança. Balé Stagium - São Paulo, SP. Balé da Cidade de São Paulo, São Paulo SP. Formação Acadêmica. Graduação e Mestrado em Dança. New York University, NY, USA. Doutorado, Faculdade de Educação UNICAMP Campinas, SP. Professora Titular pelo Instituto de Artes da UNICAMP. Direção Artística. Balé da Cidade de São Paulo, São Paulo SP. 1983 a 1985. Grupo Dançaberta. 2000 a 2022. Assistente de coreografia. Balé da cidade de São Paulo- gestão Klauss Vianna. 1982 a 1985.
Foto: Nat Hare
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