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GRUPO CORPO faz temporada popular apresentando as peças 21 e Parabelo.
Para fechar sua agenda de atividades de 2018, o GRUPO CORPO faz uma temporada a preços populares em Belo Horizonte.
O programa duplo, composto pelas duas peças 21 e Parabelo, acontece de 5 a 9 de dezembro, no Cine Theatro Brasil Vallourec (Grande Theatro Unimed BH).
Os ingressos começam a ser vendidos hoje dia 22 na bilheteria do teatro e online: www.eventin.com.br/ingressos.html
AS MÚLTIPLAS COMBINAÇÕES DE 21
Criado em 1992, 21 é um divisor de águas na história do Grupo Corpo. Depois de atuar por uma década com temas musicais pré-existentes, com este balé a companhia mineira de dança não apenas volta a trabalhar com trilhas especialmente compostas – como acontecera em seus primórdios nos bem sucedidos Maria, Maria e Último Trem, ambos com música original de Milton Nascimento e Fernando Brant – como passa a adotar como regra este critério. A decisão proporciona a Rodrigo Pederneiras a oportunidade de dar início à construção do extenso vocabulário coreográfico, de inflexões notadamente brasilianas, que se tornaria marca registrada das criações do grupo.
Das inúmeras combinações sugeridas pelo no 21, grande o suficiente para conter em si todos os números básicos, e pequeno o suficiente para não se distanciar deles, nasceram a música de Marco Antônio Guimarães e o balé do GRUPO CORPO, numa gestação que durou seis meses entre o processo de criação da música e a fase final dos ensaios. Divididas em três partes, música e coreografia de 21 surpreendem o espectador a todo o momento ao longo dos 40 minutos de duração do espetáculo.
A força contida na tensão entre as cores vermelha, da luz chapada de fundo, e amarela, das malhas utilizadas pelos bailarinos, dá o tom da primeira parte do balé, onde a repetição de múltiplas combinações rítmicas e timbrísticas em escala decrescente do 21 até o 1 ganha um quê minimalista.
Oito pequenas peças musicais extraídas das combinações entre os números 6, 5, 4, 3, 2, 1 (que, somados, dão 21), e que alternam elementos das músicas erudita, popular, oriental, cigana e jazzística dão vida ao que os criadores de 21 chamam de os hai-kais do miolo do espetáculo - numa alusão aos poemas japoneses estruturados em cima de três versos curtos. Confinados numa espécie de caixa preta de tule, que reduz o espaço físico do palco, ao mesmo tempo em que lhe cria uma veladura, os hai-kais funcionam quase como um parênteses no espetáculo, marcado por uma linguagem simples e econômica, e uma iluminação artesanal, feita, por vezes, pelos próprios bailarinos.
Uma colcha de retalhos monumental, com estampas de colorido vibrante tipicamente interioranas, cortadas por figuras geométricas que remetem a primitivas pinturas africanas e fazem referência às partituras musicais deMarco Antônio Guimarães, deixa antever a explosão do momento final do balé. Aqui, música e coreografia brincam com citações regionais, provocam lembranças de folguedos populares, e guardam por trás da aparente simplicidade estruturas complexas, como as divisões em 7 da música (que, a cada três repetições, somam, mais uma vez, 21). Tudo desemboca numa percussão quase tribal que permite a Rodrigo Pederneiras desenhar com os corpos de seus bailarinos a melodia oculta no deslumbrante espetáculo rítmico oferecido por este trecho da composição de Marco Antônio Guimarães.
PARABELO
[1997]
Coreografia: Rodrigo Pederneiras
Música: Tom Zé e José Miguel Wisnik
Cenografia: Fernando Velloso e Paulo Pederneiras
Figurino: Freusa Zechmeister
Iluminação: Paulo Pederneiras
Escrever na língua nativa a palavra balé (assim, com um ele só e acento agudo) tem sido a busca consciente e obstinada de Rodrigo Pederneiras desde o antológico 21, de 1992. A inspiração sertaneja e a transpiração pra lá de contemporânea da trilha composta por Tom Zé e José Miguel Wisnik para Parabelo, de 1997, permitiram ao coreógrafo do Grupo Corpo dar vida àquela que ele mesmo define como a “a mais brasileira e regional” de suas criações.
De cantos de trabalho e devoção, da memória cadenciada do baião e de um exuberante e onipresente emaranhado de pontos e contrapontos rítmicos, emerge uma escritura coreográfica que esbanja jogo de cintura e marcação de pé, numa arrebatadora afirmação da maturidade e da força expressiva da gramática construída ao longo de anos pelo arquiteto de Missa do Orfanato e Sete ou Oito Peças para um Ballet.
A estética dos ex-votos de igrejas interioranas inspira Fernando Velloso e Paulo Pederneiras na composição dos dois painéis, de 15m X 8m, que dão sustentação cenográfica ao espetáculo.
Com a intensidade das cores velada por um tule negro e revelada somente no espaço exíguo e imperativo das sapatilhas, a figurinista Freusa Zechmeister cria o jogo de luz e sombra que veste os bailarinos na primeira parte deParabelo, enquanto na reta final e explosiva do balé as malhas se libertam do véu, alardeando a temperatura jubilosa e alta de suas cores.
Foto: Divulgação
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