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'100 MULHERES CABULOSAS: Feminismo por meio da história de grandes personalidades'

Produzido por mulheres do movimento social Levante Popular da Juventude, o projeto de releituras

fotográficas resgata personalidades femininas que marcaram a história no Brasil e em diversos lugares no

mundo. A iniciativa não se restringe a figuras conhecidas, mas propõe dar visibilidade àquelas que foram

fundamentais para a história mundial e não tiveram seu merecido destaque.

São interpretadas mulheres como Anne Frank, Elis Regina, Frida Khalo, Pagu, Maria Bonita, Nina

Simone, Valentina Tereskowa, a primeira mulher a viajar no espaço, e Margaret Hamilton, mulher que programou a missão tripulada à Lua.

 

Desde agosto deste ano, o projeto tem feito várias ações de divulgação, tanto de biografias das mulheres

retratadas quanto de vídeos de apoiadoras do projeto, como Elza Soares, Ana Canãs e a presidenta

deposta Dilma Rousseff. Também foram feitas exposições de fotografias que vão compor o livro em

várias universidades em Minas Gerais e por todo Brasil. Recentemente, a exposição circulou na

Universidade Federal da Bahia e recepcionou a militante ex-pantera negra Ângela Davis, além de fazer

parte da programação do Festival da Reforma Agrária em Belo Horizonte e do Encontro Nacional do

Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) no Rio de Janeiro.

A campanha de financiamento coletivo do livro está na plataforma Catarse e alcançou 42% da meta de

R$70.000 e resta apenas 4 dias para chegar ao fim. A ideia é doar parte dos livros para bibliotecas, escolas

e centros culturais. Segundo uma das idealizadoras e fotógrafa do projeto, Isis Medeiros, as doações são

motivadas pela identificação com a causa.

 

Quem deseja contribuir com a campanha deve entrar no site e escolher as recompensas, que vão desde

postais, camisetas, bolsas, cadernos, até ilustrações e pôsteres. Para garantir a recompensa do livro o valor

é R$70,00 e a previsão é de que ele esteja pronto no primeiro semestre de 2018.

 

 

100 DIAS DE OCUPAÇÃO CONTRA O RETROCESSO

 

“Nunca se esqueça de que basta uma crise política, econômica ou religiosa para que os direitos das

mulheres sejam questionados. Esses direitos não são permanentes. Você terá que manter-se vigilante

durante toda a sua vida”. Essa frase é de autoria de uma “cabulosa” retratada no livro, a filósofa francesa

Simone de Beauvoir, uma das maiores referências na literatura feminista mundial. “Apesar de ter sido

escrita em outro período histórico, a frase nunca foi tão atual”, entende Isis Medeiros.

 

Para denunciar o golpe que retirou uma mulher do poder no Brasil, o projeto promoveu 100 dias de

ocupação: “Estamos passando por um momento de perda de direitos, principalmente das mulheres, das

pessoas negras, da população LGBTQ+ e da classe trabalhadora. Recentemente 18 homens votaram a

PEC 181, um projeto de lei que nos ataca mais uma vez, na tentativa de responsabilizar as mulheres pelos

filhos de estupro. Não podemos aceitar mais esse abuso do legislativo sobre nós! A vida das mulheres

retratadas tem dado muita força para que todas nós possamos lutar por uma sociedade mais justa para

todos”, defende Isis.

O projeto se tornou um mecanismo para a disputa de narrativas conservadoras que tem surgido nos

últimos tempos. É uma forma didática de falar sobre feminismo popular através da história das mulheres

retratadas.

 

Foto Divulgação

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