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10º Cinecipó – Festival do Filme Insurgente
De 20 a 30 de novembro, online e gratuito, apresenta uma retrospectiva de títulos exibidos nas edições anteriores da mostra
De 20 a 30 de novembro, acontece o 10º Cinecipó - Festival do Filme Insurgente (edição Serra do Cipó), online e gratuito, em cartaz no site www.cinecipo.com.br. Serão exibidos cerca de 40 filmes, entre curtas, médias e longas-metragens, e debates com os realizadores. Em tempos políticos e sociais sombrios no Brasil e no mundo, o 10º Cinecipó busca ressaltar as questões políticas presentes nas telas, assumidas em concepção plural, bem como as linhas de fuga vislumbradas contra tudo aquilo que constitui violência e opressão. “A mostra comemorativa aos 10 anos do festival traz uma retrospectiva de obras exibidas nos anos anteriores, celebrando a potência da vida sobre a negatividade neoliberal em um ato de lembrança de que é necessário seguirmos juntos na construção de pontes e na realização de grandes plantios a partir dos quais todos possam comparecer à mesa do banquete”, informa Cardes Amâncio, idealizador do projeto.
A programação da mostra conta com filmes de diversos países e regiões brasileiras que abordam temáticas diversificadas, como étnicos-raciais, gênero, feministas, ambientalistas, entre outras. Haverá também uma sessão infantil, uma com filmes de realizadores quilombolas e outra sessão de filmes com acessibilidade (libras, audiodescrição e LSE – legendas para surdos e ensurdecidos).
Além das exibições, acontecerá uma aula aberta com José Cury e Alberto Álvares, no dia 30 de novembro, às 19h. Alberto Álvares e José Cury partilharão, num primeiro momento, a trajetória acadêmica e cinematográfica de cada um e, na sequência, exibirão produções realizadas em parceria com a equipe do Cinecipó – Festival do Filme Insurgente desde 2012. A ideia é compartilhar trechos de trabalhos exibidos ao longo dessas edições do festival e, em seguida, finalizar o evento falando do projeto Yvy Pyte, o primeiro trabalho com direção compartilhada.
O Cinecipó – Festival do Filme Insurgente iniciou-se há 10 anos na Serra do Cipó, distrito de Santana do Riacho – MG. A inspiração veio de festivais socioambientais como o Fica em Goiás e o CineEco Seia, em Portugal, e muito também do Forum.doc, de Belo Horizonte. Inicialmente, o evento contou com a disposição de uma pequena equipe e dos apoiadores locais, que com pequenas quantias ou serviços, acolheram a ideia de um festival de cinema no local. Amigos e amigas também firmaram parcerias inestimáveis, colaborando na curadoria, na produção, na ministração de oficinas, na composição de membros do júri, entre outras funções.
“Quando imagens variadas atravessam nosso cotidiano, cada vez mais um festival realizado com uma boa equipe de curadoria e com afeto traz para o primeiro plano as rebeldias tão necessárias para que sigamos em movimento, com altivez e participação intensa na extensa rede onde estão aqueles que não perdem a capacidade de se indignar. Então, um festival firme nos seus propósitos tem funcionamento análogo a uma catapulta, a lançar seus projéteis onde o cinema comercial, o streaming e a programação cotidiana da televisão não chegam. E o que pode-se esperar disto? Não sabemos. Apenas o imprevisível, que foge à possibilidade de todo cálculo, e uma fogueira mantida acesa por esses gestos todos, numa longa primavera de amor e insurreição”, ressalta Cardes Amâncio.
O 10º Cinecipó – Festival do Filme Insurgente (edição Serra do Cipó) é um projeto contemplado na Lei Aldir Blanc, edital 16/2020, da Secretaria de Estado de Cultura de Minas Gerais – Secult-MG.
Sobre o Cinecipó – Festival do Filme Insurgente
O Cinecipó – Festival do Filme Insurgente teve sua primeira edição em 2011, na aconchegante Serra do Cipó. A proposta era realizar quatro dias de cinema ao ar livre, na praça e de graça, levando ao público filmes que não têm espaço na mídia convencional. Até 2015, o festival foi realizado na Serra do Cipó, Lapinha e Santana do Riacho e já realizou mostras em outras partes do Brasil como Pernambuco e Brasília, produziu exibições itinerantes no Espaço Comum Luiz Estrela, Quilombo dos Marques, Quilombo do Palmital, Palácio das Artes, SESC Palladium e em escolas públicas. Além dos filmes, o festival também ofereceu oficinas e workshops nas áreas de cinema, artes plásticas e música voltadas para a questão socioambiental.
Sobre Alberto Álvares e José Cury
Alberto Álvares é cineasta indígena da etnia Guarani Nhandewa, nascido na aldeia Porto Lindo, Mato Grosso do Sul, professor e tradutor de Guarani. Graduado em Licenciatura Intercultural para Educadores Indígenas, pela FAE/UFMG, e atualmente mestrando no Programa de Pós-Graduação em Cinema de Audiovisual na Universidade Federal Fluminense – PPGCINE. Atuou como professor de audiovisual na formação de cineastas indígenas em Biguaçu, Santa Catarina (2013), e em Paranhos, Mato Grosso do Sul (2014); nos projetos da Série de TV “Amanajé o Mensageiro do Futuro” (2016); “Inventar com a Diferença/UFF” (2017/2018); e “Lentes Guarani na aldeia Tekoa Ka’aguy Porã”, no Estado de Espírito (2020). Em 2016 e 2017, participou de duas edições do “Encontro Mekukradjá”, promovido pelo Itaú Cultural (SP). Em 2019, realizou o filme O último sonho (60 minutos), que foi exibido no encontro Mekukradjá; participou do festival Doclisboa e da 21a BIENAL DE ARTE CONTEMPORÂNEA SESC_VIDEOBRASIL. Em 2020, Alberto Álvares atuou na direção de fotografia do documentário de longa-metragem Mulheres Mbya: Território Jaraguá SP, e na direção e filmagem do documentário de curta-metragem: Ayvu Ypy – Origem da Língua, na aldeia Rio Silveira - SP. Em 2021, de janeiro a março, ministrou uma oficina de filmagem em Gopro de 360 graus para os jovens da aldeia Ka’aguy Hovy Porã, Maricá-RJ, parceria entre aldeia e Universidade Montreal de Canadá. Em 2021/22 realiza, em co-direção com José Cury, o longa-metragem Yvy Pyte - Coração da Terra.
José Cury é mestre em Comunicação Social pelo PPGCOM com a dissertação intitulada "Comunidade das Imagens: notas sobre a política de cinema Ye'kwana". De 2012 a 2017, foi pesquisador e coordenador de formação em cinema pelo OEEI - Observatório da Educação Escolar Indígena, FaE/UFMG, onde desenvolveu trabalhos de fotografia e montagem de documentários juntamente com os povos das etnias Ye'kwana e Yanomami (RR), Pataxó e Xakriabá (MG) e Guarani (RJ e SC). Paralelo a este projeto de pesquisa, atuou, de 2014 a 2017, como professor conteudista da ação Saberes Indígenas na Escola (SIE) do Ministério da Educação Governo Federal, onde coordenou nove projetos de filmes em comunidades indígenas das etnias Ye'kwana, Guarani, Pataxó e Xakriabá. Destaque para os filmes que dirigiu: Uî Kanã Pataxí - Na minha aldeia (68 minutos) e o filme Kudiiyada Tödöödö (71 minutos). De 2018 a 2019, José Cury coordenou formação em cinema no projeto de documentação de culturas - PRODOCULT, financiado pela Unesco em parceria com Museu do Índio, que documentou os cantos da etnia Ye'kwana, produzindo, ao final do projeto, um filme intitulado Deekeni - Os olhos de Wiyu (77 minutos). Em 2021/22 realiza, em co-direção com Alberto Álvares, o longa-metragem Yvy Pyte - Coração da Terra.
SERVIÇO: 10º Cinecipó - Festival do Filme Insurgente (edição Serra do Cipó)
Data: 20 a 30 de novembro, no site www.cinecipo.com.br
*Online e gratuito
Aula aberta com José Cury e Alberto Álvares
Data: 30 de novembro, às 19h.
Foto: Jade Rainho
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