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“Cleópatra”, novo espetáculo da MADAME TEATRO direção Susan Worsfold
Inspirado em “Antônio e Cleópatra” de William Shakespeare, o mineiro Diego Bagagal (“Salomé”) se une à diretora britânica Susan Worsfold (The Gospel According to Jesus, Queen of Heaven) para criar um espetáculo-solo
No dia 17 de novembro (sexta-feira), a plataforma de artes MADAME TEATRO e a diretora Susan Worsfold estreiam o solo “Cleópatra”, com uma temporada de seis apresentações, de 17 a 26 de novembro, sexta a domingo, sempre às 19h, no Teatro de Bolso do Sesc Palladium. Ingressos já estão à venda, a R$20 (inteira), R$10 (meia) e R$5 (comerciários), na bilheteria do SESC Palladium.
Gênero: Teatro Contemporâneo. Classificação indicativa: 16 anos. Duração: 50 minutos. Cocriação: Diego Bagagal e Susan Worsfold. Direção: Susan Worsfold. Interpretação: Diego Bagagal. Produção: Juli Azevedo. Realização: Sesc Palladium e Madame Teatro.
Este projeto possui a parceria do Creative Scotland eBritish Council. Agradecemos ao National Theatre of Scotland pelo apoio.
SINOPSE
Estamos no mausoléu de Cleópatra e Marco Antônio, que já está morto nos braços da Rainha. Recusando-se a figurar no desfile triunfal de Roma, Cleópatra encena sua própria morte. É uma festa de despedida do Egito (ou da Síria, do Brasil ou da Amazônia vendida). É o adeus a qualquer terra corrompida. Nesta versão inspirada no clássico Antônio e Cleópatra, de William Shakespeare, Diego Bagagal ("Salomé" e "BATA-ME!") se une à diretora britânica Susan Worsfold (The Gospel Accordingto Jesus, Queen of Heaven) para evocar erotismo e política. Começaremos pelo fim de um mundo.
O NASCIMENTO DE CLEÓPATRA
Em 2015, convidado pelo British Council, Diego Bagagal vai ao Festival de Edimburgo e conhece a peça “The Gospel According to Jesus, Queen of Heaven”, interpretada pela atriz e dramaturga transexual Jo Clifford e dirigida pela diretora britânica Susan Worsfold. A peça causa um impacto profundo em Diego, que percebe um diálogo direto entre o espetáculo e os pensamentos em arte e humanidades que a cidade de Belo Horizonte tem fomentado em relação às questões de identidade de gênero e sexualidade. Ele, então, propõe a peça ao FIT- BH-2016, que integra o espetáculo à sua programação oficial.
Somente em 2016, em Belo Horizonte, Diego e Susan se conhecem. Ao ver “o Diego” pela primeira vez Susan diz: “Você é a Cleópatra de Shakespeare!". Coincidentemente, naquele, mesmo dia, Diego preparava uma conversa para o projeto “Shakespeare Lives”, sobre a paixão em Shakespeare, para o qual escolhe a personagem Cleópatra como objeto de estudo, especificamente o seu último monólogo. A coincidência duplicou, pois Susan tinha escolhido esse mesmo monólogo para o workshop que ministrou naquela semana aos atores mineiros.
Tiveram a certeza imperativa (intuitiva) que precisavam trabalhar juntos e cocriar a partir de “Antônio e Cleópatra” de Shakespeare. É também nessa ocasião que os artistas se encontram com a produtora e relações internacionais Juli Azevedo, apresentando-lhe essa ideia e, a partir daí, formam a tríade que desencadearia o nascimento de “Cleópatra”, no Brasil.
Após várias pesquisas, inúmeras conversas por Skype e um ensaio fotográfico, Susan e Diego se encontram em outubro de 2017 em Glasgow (Escócia) para uma imersão no universo dessa icônica personagem, na busca de uma “Cleópatra” para o tempo presente.
O ESPETÁCULO-SOLO CONJUNTO
“Cleópatra”começa pelo nosso fim. É um solo que parte do pressuposto básico de que todo o homem social interage e interdepende do outro. Em cena um ator que provoca o contato com o público.
O encontro com Cleópatra dá-se no momento de sua morte – do suicídio cometido com a ajuda de uma naja. Nesse momento fatal, vemos flashbacks de sua vida: a poderosa e política Rainha, seu amor por Antônio e sua prisão iminente, culminando em uma “festa” para ela se matar. Uma morte digna da Rainha do Egito (que também é da Síria e se autoproclama Deusa Isis), algo entre um ato terrorista e erótico.
“Cleópatra” é uma investigação política e pessoal da colonização contemporânea e do abuso de poder através do clássico “Antônio e Cleópatra” de William Shakespeare. É uma despedida. Mas está distante do amor inocente e juvenil de“Romeu e Julieta”, pois sexo e corrupção permeiam toda a obra. É uma recusa a subjugar-se à dominação estrangeira, ao controle do Império Romano.
“Cleópatra”, na macro-política talvez nos convide a refletir sobre o que é resistir? O que é liberdade? Até onde vai o orgulho? O que nos move? Quando é que expressamos e erguemos nossas bandeiras políticas?
Porém, talvez, nesse momento, em seu mausoléu, ela reverbere apenas questões micropolíticas: "Onde em mim há manifesto? Qual é meu manifesto? Onde está meu amor? Quando é que morro por amor e política? O que é a morte perante a liberdade de amar? Quando é que me libertarei?"
Talvez seja a despedida do Brasil. O amar até o fim. Um adeus a uma terra consumida por decisões coloniais, patriarcais, entorpecidas pelo poder imediato. Um adeus ao Egito tomado ou à Amazônia dizimada ou à Venezuela dilacerada ou à Síria aterrorizada.
Morte. Suicídio. Memória. Arrependimento. Sexo. Poder. Amor. Terror. Celebração. Bebedeira. Ascensão. Despedida. Iraque. Síria. Venezuela. Brasil. Portugal.
Seja bem-vindo à “Cleópatra”, à celebração de sua morte – por meio da qual vida, poder, política, estratagemas sensuais e sexo dessa Rainha (que manipulava sua própria identidade de gênero e sexualidade) virão à tona. Ela também se dizia a encarnação da Deusa Isis, que também era a Rainha da Síria e foi tão má quanto uma terrorista. Talvez fosse uma ditadora. Faliu uma nação. Mas amou mais que Julieta. E se eternizou pelo orgasmo final da morte.
Não há mais esperança, não há outra saída? Então, é preciso cruzar o mar, como ela o fez tantas vezes e despedir-se de Cleópatra e acolher o mar.
Este solo é um experimento da celebração do fim deste tempo presente. Talvez seja sobre o exílio. É um convite para que geremos o movimento além-mar até encontrar terra firme...e se encontrarmos, talvez sejamos chamados de refugiados. E talvez nos refugiaremos em terras férteis novamente.
DIEGO BAGAGAL (Belo Horizonte)
Nascido em Belo Horizonte (MG) é ator, diretor, dramaturgo e cofundador, com Martim Dinis, da plataforma multidisciplinar MADAME TEATRO.
Bacharel em “Comunicação Social” e pós-graduado em ‘CreatingTheatreand Performance’ pela London InternationalSchoolofPerformingArts (LISPA), retornando ao Brasil no final de 2009 para dirigir a 13ª edição do projeto Oficinão do Galpão Cine Horto, resultando no espetáculo POP LOVE.
Autor e diretor dos espetáculos: “Salomé” (2017); -“Shakespeare: Livros para Sobreviver” (2015), uma coprodução com a Academia Mineira de Letras (AML), apresentando-se na Festa Literária Internacional de Paraty a convite do British Council e no consagrado “Festival de Teatro Clásico de Almagro” na Espanha, concorrendo ao prêmio de melhor espetáculo; -“1Dior” (2015) com Marta Neves e Fernando Cardoso; -“Em Louvor à Vergonha” (2013), vencedor do Prêmio Cena Minas e CenaMúsica; -“BATA-ME! (Popwitch)” (2013), vencedor do prêmio Cultura Copa como um dos representantes do teatro contemporâneo nacional e única produção latino-americana convidada para a mostra curatorial do festival “Sydney Gay andLesbianMardi Grass” na Austrália; -“POP LOVE” (2010), na 13ª edição do Oficinão do Galpão Cine Horto, projeto que colecionou fortuna crítica e recorde de público e atraiu o canal MTV a dedicar um programa inteiro à pesquisa de Bagagal para um teatro jovem e atual; -“The Witchand The Frog – Pop Version” (2009), que representa o início de pesquisa de linguagem de Bagagal e estreou no Three Mills Studio em Londres; - e “Lilimão” (2006), primeiro projeto profissional.
Em 2016, a convite do Goethe-Institut, o MADAME TEATRO realizou uma residência artística de dois meses em Munique e Berlim, na Alemanha. Em 2017, também a convite do Goethe-Institut, participou do workshop de Thomas Ostermeier, diretor artístico do Schaubuhne (Berlim) para jovens diretores.
Em 2016, junto com Eduardo Moreira, fez parte da equipe curatorial do Festival Internacional de Teatro, Palco & Rua, de Belo Horizonte (FIT-BH), edição 2016. Em 2010 foi considerado pela Revista Encontro | Edição Personalidades do Ano como revelação no teatro.
SUSAN WORSFOLD (Glasgow)
Atriz, diretora de teatro e voicecoach.
Formada com mérito em direção teatral pela Royal Conservatoireof Scotland (RCS). Desde sua graduação tem trabalhado como diretora de teatro, atriz e voicecoach, com especialização na técnica do Nadine George TechniqueofVoice Studio International. Já trabalhou em várias instituições por toda a Escócia, incluindo: Tron, Traverse, Tramway, Arches, Perth Rep, Play,Pie,Pint (PPP), His Majesty’sTheatre Aberdeen, Macrobert, RCSandattheTricycle, Sadlers Wells, Queen Elizabeth Hall attheSouthbank Centre, Hoxton Hall, CamdenPeople’sTheatre, Dance City Newcastle, AmnestyInternational HQ. Susan é artista associada ao DaedalusTheatre, com sede em Londres, cofundadora e coordenadora do Artists in Exile em Glasgow e é professora associada do Royal Conservatoireof Scotland.
Ela é Diretora do The AtticCollective, um novo coletivo teatral, residente no Edinburgh Festival Theatre e Kings Theatre, em Edimburgo, com apoio do Festival City TheatersTrust, que trabalha com artistas emergentes entre 18 e 26 anos. Susan é codiretora da Queen Jesus Plays, trabalhando com Jo Clifford e a produtora Annabel Cooper como diretora do internacionalmente aclamado O Evangélio Segundo Jesus, Rainha do Céu, que viajou para o Brasil em 2016. Em fevereiro de 2017, a Queen Jesus Play coproduziu o simpósio “Beyond The Binary” (“Para além do Binário”) com o Teatro Nacional da Escócia, discutindo sobre artistas trans no mundo digital e streaming ao vivo para sua empresa afiliada no Brasil. Em 2017, dirigirá Lysistrata (Kings Theatre), War in America (Old Royal High School, estreia mundial da peça de Jo Clifford), Threepenny Opera (Kings Theatre), todas para The AtticCollective; O Evangélio Segundo Jesus, Rainha do Céu (turnê no Reino Unido); Heroine de Mary Jane Wells (Edinburgh Festival Theatre); Eve de Jo Clifford (para o Teatro Nacional da Escócia no Traverse e CitizensTheatre); The Last Post (para o Festival Internacional St Magnus e vencedora do Prêmio Made in Scotland 2017).
JULI AZEVEDO (Belo Horizonte)
Relações Internacionais, tradutora/intérprete e produtora de campo em eventos com atuação no mercado cultural e de tradução e interpretação consecutiva em oficinas, fóruns e seminários desde 2006. Graduada pelo Curso de Graduação em Artes Cênicas da Escola de Belas Artes – UFMG. Pós-graduada em Tradução em Língua Inglesa pela Universidade Gama Filho, SP. Curso de extensão em Relações Internacionais: Teoria e História pelo Instituto Legislativo Brasileiro, Senado, Educação a Distância. Festivais e eventos culturais em que atuou como tradutora/intérprete e produtora de campo: FITBH – Festival Internacional de Teatro de Palco e Rua de Belo Horizonte, ECUM – Encontro Mundial das Artes, Festival I Love Jazz, Festival Tudo é Jazz, Savassi Jazz Festival, ANIMA MUNDI BH, FID – Fórum Internacional da Dança, MID – Movimento Internacional da Dança, Competências Criativas, Mostra de Design 2014.
Festivais e organizações em que atuou como relações internacionais: FITBH, Festival I Love Jazz, Festival Tudo é Jazz, FESTIA – Festival Internacional das Artes, PLATÔ – Plataforma de Internacionalização do Teatro.
MADAME TEATRO
É uma plataforma luso-brasileira, fundada por Martim Dinis e Diego Bagagal, sediada em Belo Horizonte, de criação artística entre artistas locais e internacionais. Desenvolve uma pesquisa de linguagem transdisciplinar que atrita a relação sexo e política no tempo presente. Possui um repertório que privilegia a alteridade: “1Dior” (2015); “Bata-me! (Popwitch)” (2013); “EmLouvor à Vergonha” (2013); “Pop Love” (2010) e “The Witch and The Frog (Pop Version)” de 2009. Dialoga, desde 2015, com a entidade teatral portuguesa Colectivo 84, cocriando “Shakespeare: Livros para Sobreviver” (2015) e “Salomé” (2017). Já circulou com trabalhos e como artistas residentes na Alemanha, Brasil, Chile, Escócia, Espanha, Inglaterra, Itália, Polônia e Portugal.
Foto: Luiza Palhares
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