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“Lamento Sertanejo” é a 2ª releitura instrumental do EP “Prisma”, da baixista Larissa Horta

Clássico de Gilberto Gil e Dominguinhos ganhou versão que protagoniza o baixo; faixa chega às plataformas digitais dia 19/11, sexta

Dando sequência ao lançamento do EP “Prisma”, que traz versões instrumentais de clássicos do cancioneiro nacional, a baixista mineira Larissa Horta lança, no dia 19/11, sexta-feira, sua releitura de “Lamento Sertanejo”. Sob o olhar da artista, a pérola de Gilberto Gil e Dominguinhos apresenta a icônica melodia envernizada pelo baixo, que também cumpre a função da harmonia rítmica, além de executar a linha de graves. Baixo fazendo voz, guitarra e baixo, junto a beats e teclados – característica que norteia as três versões do EP, que chega no dia 3/12, com o lançamento da releitura de “Novo Tempo”, de Ivan Lins. Todas as faixas são acompanhadas por videoclipes assinados pelo artista visual Dudi Polonis, que também clicou as fotos do trabalho.

Primeira empreitada solo e Larissa Horta, que já tocou com nomes como Fernanda Takai e Titane, “Prisma” mostra que é possível transitar, com o baixo, por lugares da construção musical que fogem tanto do acompanhamento da melodia e da harmonia rítmica quanto do virtuosismo de solos rebuscados e slaps. Prova disso é a primeira faixa, que saiu no dia 5 de novembro, dando o pontapé do lançamento do EP – a malemolente “Saúde”, de Rita Lee e Roberto Carvalho –, e esta que chega, “Lamento Sertanejo”. Canções de sucesso de diferentes climas e épocas, cravadas no imaginário musical brasileiro.

“Lamento Sertanejo foi a primeira música que eu escolhi para o EP. Há muitos anos desejo rearranjar esta música para o baixo, porque a melodia é bonita demais, e acho que combina muito com os timbres agudos e macios, mas ao mesmo tempo pesados, que o baixo tem”, comenta a baixista. Eu quis trazer uma roupagem mais moderna para a música, com programações eletrônicas e registros graves bem presentes nos baixos deste arranjo, retratando a realidade dura e densa do personagem da canção, porém sem tirar sua doçura e leveza”, completa a baixista, que mantém na versão as melodias originais de Gil e Dominguinhos, trazendo ainda um pouco de improviso.

Para Larissa Horta, os graves do baixo combinam com o ambiente introspectivo e denso da canção, o que deu potência a sua releitura. “Eu gosto bastante do tom melancólico que ‘Lamento Sertanejo’. Os graves dialogam muito com esse lugar introspectivo, de repouso, silêncio e acolhimento, e o baixo se torna um instrumento bastante expressivo por carregar esta vibração”, afirma, lembrando que o diálogo é físico, inclusive, para além do sentimento. “Quando eu toco e deixo o baixo soar com notas longas, as frequências vibram mais em mim e me permitem uma outra forma de sentir a música. Quero que as pessoas possam ouvi-la de outras formas também, sentindo as frequências vibrarem no corpo. É por isso que baixo é movimento! Nós somos feitos de pulso, frequência, vibração”.

O contraste com as outras músicas escolhidas para o EP não é acaso, como conta a baixista. “Não à toa trouxe esta música para o EP, porque as outras duas são alegres e dançantes, mas achei importante mostrar que o movimento também pode ser pequeno, calmo, lento e profundo. E, na maioria das vezes, vem de dentro”, diz Larissa. “Saúde”, por sua vez, ganhou uma versão cheia de suingue, que traz um beat produzido pela artista junto uma base de teclados de Glaw Nader (que assina a direção musical do álbum), além de um feat especial com Rosana Horta, mãe de Larissa, que recita um texto na introdução da faixa.

“Minha mãe é professora por formação e atua na área de linguagens. Como ela mesma diz, gosta muito de escrever nas horinhas de descuido. Na minha infância sempre a ouvi cantando Rita Lee em casa. Durante a pandemia, tivemos o nosso laço ainda mais fortalecido, então senti que seria uma boa forma de celebrar as nossas vidas e a nossa relação”, afirma Larissa. “Minha parceira e amiga Glaw Nader, que gravou os teclados do EP, propôs um arranjo com linha de baixo inspirada em ‘Billie Jean’, do Michael Jackson, de quem também sou fã. A partir daí, fomos construindo as camadas de baixo e harmonia. Eu já tinha a ideia de trazer para a música sons lúdicos que lembrassem barulhinhos de joguinhos de videogame, então montei a base eletrônica e Glaw arrematou a estrutura musical com camas harmônicas de teclados. O resultado é uma música alegre e inusitada, com muito bom humor e uma pitada de força e incentivo para seguir em frente”.

“Prisma”

Projeto surgido durante a pandemia da Covid-19, “Prisma” evidencia a versatilidade de Larissa Horta, bem como a de seu instrumento de preferência. Nas três faixas, o baixo desenha a melodia, comumente desempenhada pela voz; a harmonia, geralmente tocada pela guitarra, o violão ou os teclados; e, propriamente, os graves, função primária do instrumento. Tudo isso amparado por beats produzidos por Larissa e pelos teclados de Glaw Nader. “Minha ideia inicial era desenvolver arranjos apenas para o baixo, com camadas e frases sobrepostas, algo bem simples onde o baixo pudesse cumprir todas as funções de uma música, fazendo a melodia e a harmonia rítmica, além da sua tradicional função de linha de graves. Durante o processo, defini o conceito do disco e fui consolidando as ideias junto com a Glaw. Percebemos que as releituras poderiam ser bem mais do que uma simples transcrição das músicas para o baixo, e a Glaw trouxe propostas de arranjo com loops de bateria, conta Larissa.

A partir daí, “um mundo de paisagens sonoras” se abriu para Larissa Horta, que começou explorar pacotes de sons e beats eletrônicos. “Comprei um controlador e foi como um parque de diversões. Refiz os beats manualmente no computador, com sons e barulhinhos que traziam a estética que eu queria, e fui gravando as camadas de baixo a partir disso, tudo no meu home studio. Depois desta etapa, senti que ainda faltavam outros timbres nas músicas e, então, convidei a Glaw para gravar bases de teclados, que combinavam muito com a estética do meu trabalho e preencheram bem os espaços que faltavam”, conta a artista, que chegou ao conceito de “Prisma” pela relação com “o movimento que o baixo traz para a música e para minha vida”.

“O baixo é um instrumento que provoca e conduz muito o movimento na música e, além disso, por ser a minha voz e a minha forma de comunicação enquanto musicista, também me propõe muito movimento, sempre me impulsionando para o crescimento e para as ações. E agora não é diferente”, reflete Larissa. “Há muitos anos desejo transformar músicas que são referências para mim em arranjos para baixo, com o instrumento fazendo harmonia e melodia, porque o baixo, apesar de ser um instrumento grave, tem timbres lindíssimos em seus agudos, e essa é uma região que eu gosto bastante de explorar e ouvir. Além disso, o baixo é um instrumento que geralmente está em posição de acompanhar outros instrumentos, e acho muito legal mostrar a possibilidade de que ele também pode tocar uma música sozinho”, diz.

Assim como “Saúde” e “Lamento Sertanejo”, a última faixa do EP, “Novo Tempo”, (Ivan Lins), também guarda relações afetivas com Larissa Horta. Essa foi, de acordo com a baixista, uma das principais linhas-guia para a construção do repertório. “Todas as três músicas têm alguma relação com o que eu acredito ou com o que eu gosto de ouvir, além de serem canções de artistas muito inspiradores para mim”, afirma Larissa Horta, que vê “Prisma” como o marco de um novo momento de sua trajetória.  “Tem sido um desafio grande e, ao mesmo tempo, muito prazeroso. Sinto que o baixo é uma forte via de comunicação para mim, um ‘portal’ por onde eu posso me expressar e me posicionar diante do mundo. Depois de tantos anos comunicando mensagens e opiniões de outros artistas através do meu instrumento, agora é a minha vez de sustentar a minha própria voz”.

Sobre Larissa Horta

Mineira de Belo Horizonte, Larissa Horta começou sua carreira musical há 19 anos e passou por importantes trabalhos de formação, como o Grupo Rosa dos Ventos, criado pela cantora Titane e o diretor teatral João das Neves (2005 a 2009). Foi baixista e backing vocal da cantora Fernanda Takai (2014 a 2018) e circulou com a turnê “Na Medida do Impossível”, do disco que leva o mesmo nome, lançado também em 2014 e registrado em DVD em 2016, no Inhotim, no qual também gravou. Tem se aprofundado em movimentos e composições femininas nos últimos anos, tendo participado de trabalhos autorais e gravado em álbuns e singles de diversas cantoras de Belo Horizonte, como Amorina, Flávia Ellen, Joana Bentes e Maíra Baldaia, com quem também gravou o DVD “Mais” (2018). Larissa é integrante das bandas OH! DARA, MPBaixinhos e do coletivo Truck do Desejo, e inaugura uma nova etapa da carreira em 2021, com o EP “Prisma” e a chegada de novidades autorais.  

Larissa Horta lança “Lamento Sertanejo” | EP “Prisma”

Quando. Dia 19 de novembro, sexta-feira
Onde. Nas plataformas digitais de streaming
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Foto: Larissa Horta / Dudi Polonis

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