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forumdoc.bh chega à sua 26ª edição em 2022

Totalmente gratuito, o evento será realizado entre 10 a 20 de novembro, com exibição de 65 filmes e realização de seminário

O forumdoc.bh – Festival do Filme Documentário e Etnográfico, Fórum de Antropologia e Cinema – chega à 26ª edição em 2022. O evento será realizado entre os dias 10 a 20 de novembro, no Cine Humberto Mauro e no Cine Santa Tereza. A programação é gratuita e em formato híbrido, com atividades presenciais e online.

Neste ano, a programação conta com a exibição de 65 filmes, distribuídos em três mostras e sessões de homenagens e a realização do seminário “Imagens Indígenas do Sul e do Norte: cinemas yanomami-inuit”, assim como da masterclass com os diretores Sylvain George, Adirley Queirós e Joana Pimenta sobre os processos de realização de seus trabalhos mais recentes. Também serão realizados os lançamentos dos livros "Sob os tempos do equinócio", de Eduardo Góes Neves e "O Sorriso de Nanook - Ensaios de Antropologia e Cinema", de Marco Antônio Gonçalves. Tais convidados são referências fundamentais em suas áreas de conhecimento, seja na reflexão em torno à relação ao filme etnográfico, seja sobre as novas bases da pesquisa na Amazônia.

A abertura do forumdoc.bh será no dia 10 de novembro, às 19h, no Cine Humberto Mauro. Haverá a exibição comentada da obra Mato Seco em Chamas (Adirley Queirós e Joana Pimenta, Brasil/Portugal, 2022) com a presença dos diretores e da montadora Cristina Amaral.

A retomada da programação presencial após o período de pandemia é motivo de comemoração para a equipe do evento. "Minha maior expectativa para a 26ª forumdoc.bh é, sem dúvida, a retomada da programação presencial, o encontro com o público e os filmes na sala de cinema, os debates e bate-papos após as sessões. Fiz parte da curadoria da Mostra Contemporânea Brasileira. Dedicamos centenas de horas para assistir os filmes recebidos, fomos surpreendidos com uma gama incrível de obras e selecionamos os 35 filmes que fazem parte da programação oficial", conta Paulo Maia, um dos curadores da Mostra Contemporânea Brasileira.

O forumdoc.bh surgiu com o objetivo de compartilhar filmes de difícil acesso nas salas de cinema convencionais, além de promover reflexão e formação crítica de público, fomentar a pesquisa e a qualificação da produção audiovisual em torno ao filme documentário. Em suas edições anteriores, promoveu retrospectivas autorais e resultantes de curadorias que se articulam em torno de conceitos, movimentos ou temáticas específicas, além de apresentar um panorama das produções documentais recentes em mostras nacionais e internacionais.

O evento tem apresentado nos últimos anos uma produção potente para renovação do filme documentário como forma expressiva de coletivos e segmentos sociais e étnico-raciais marginalizados, tais como: realizadores e realizadoras indígenas; os cinemas negros, cinemas queer, e os coletivos e autores e autoras de regiões de periferia.

Para a organizadora e curadora do forumdoc.bh, Júnia Torres, a diversidade faz parte da história do festival. "O festival do filme documentário e etnográfico tem na diversidade seu conceito central. Diversidade de olhares, filmes realizados em diferentes contextos étnicos, sociais, geográficos e raciais. Temos interesse por outras formas fílmicas, filmes-performances, ficções, filmes diários que estabelecem um diálogo produtivo e profícuo com as questões mais presentes e relevantes de nosso tempo histórico. Acompanhamos a grande diversificação do cinema brasileiro nas duas últimas décadas e meia, sendo testemunha de uma explosão muito importante e interessante das autorias e protagonismos autorais por pessoas, artistas, grupos e coletivos antes afastados da possibilidade de produção cinematográfica", explica.

O festival conta com incentivo da Lei Federal de Incentivo à Cultura, patrocínio do Itaú Cultural e da Lei Municipal / Prefeitura de Belo Horizonte, patrocínio do UNI-BH e Governo de Minas Gerais, por meio do Fundo Estadual de Cultura. Conta ainda, com o apoio da Fundação Clóvis Salgado, por meio do Cine Humberto Mauro e FAFICH-UFMG. A curadoria e a produção são assinadas por pesquisadores e integrantes do coletivo Filmes de Quintal.

Conheça mais sobre as mostras, homenagem e artista convidada:

Abertura

O Cine Humberto Mauro recebe na quinta-feira (10/11), às 19h, a abertura do forumdoc.bh. com o lançamento em Belo Horizonte do filme Mato Seco em Chamas (Adirley Queirós e Joana Pimenta, Brasil/Portugal, 2022). A sessão será comentada pelos diretores e a montadora Cristina Amaral.

A obra mescla documentário e drama e acompanha um grupo de mulheres que se apossa do petróleo que abunda no subsolo e passa a comandar toda uma rede de comércio ilegal do produto na favela de Sol Nascente, Ceilândia (DF).

Com lançamento mundial em 2022, o filme recebeu os prêmios principais de melhor filme em renomados festivais de cinema: o Cinéma du Réel, na França e DocLisboa, Portugal. Lançado no Brasil no Festival de Cinema do Rio, recebeu o Prêmio Especial do Júri e o Prêmio de Melhor Fotografia para Joana Pimenta. Foi exibido também no Festival de Berlim, em 2022.

Mostra Contemporânea Brasileira

Depois de não ser realizada em 2021, a Mostra Contemporânea Brasileira está de volta e é a maior do forumdoc.bh 2022. Serão exibidos 35 títulos nacionais produzidos entre 2021 e 2022.

Objetivo é apresentar ao público o documentário recente, ampliando a visibilidade das autorias fílmicas para diversos segmentos étnicos, raciais, geográficos e de gênero. Exibir filmes que vêm propondo novas formas plásticas e narrativas que têm transformado a produção contemporânea brasileira.

Mais de 460 realizadores inscreveram seus trabalhos. A seleção das obras foi realizada pelas cineastas Milena Manfredini, Maya Da Rin, pelos pesquisadores Ewerton Belico e Paulo Maia. O recorte final apresenta filmes de viés ensaístico, performáticos e filmes que se debruçam sobre uma única personagem sem se tornarem, no entanto, filmes-retrato no sentido mais clássico.

Mostra Imagens Indígenas do Sul e do Norte: Cinemas Yanomami-Inuit

A relação entre os cinemas realizados por povos originários da Amazônia e do Ártico é o tema desta mostra. Composta por 18 filmes, propõe uma confluência entre os povos Yanomami, da Amazônia e Inuit, povo originário do Ártico. Fazem parte da mostra produções realizadas em diferentes partes do mundo, que exemplificam um processo de retomada da produção e circulação das próprias imagens destes povos. Também estão na programação filmes colaborativos entre cineastas indígenas e não-indígenas.

Os povos do Grande Norte - personificados no povo Inuit - e os povos do Sul - personificados nos Yanomami - têm proposto outros modelos de criar e contar suas histórias, levando em conta a sua relação com os territórios, o fazer coletivo, as tradições e o mundo ocidental.

No ano que completa o seu centenário, será exibido o filme Nanook of the North, de Robert Flaherty. A obra, além de ser a primeira realizada no Ártico, é considerada o primeiro clássico do cinema etnográfico.

Acompanha a mostra um seminário com a participação de realizadores, pesquisadores e curadores indígenas e não indígenas. Com cinco encontros, o intuito é fomentar o encontro e a reflexão impulsionada pelos filmes exibidos. Estarão presentes Sergio Yanomami, Divino Tserewahú, Vincent Carelli, Tatiana Almeida, Louise Botkay, Daniel Jabra, Paula Berbert, Nina Vincent, Marco Antônio Gonçalves e ainda Angohó Pataxó, Dogllas Índio Xakriabá, e Romário Pataxó. As inscrições estão abertas até o dia 13 de novembro e podem ser feitas pelo site https://www.forumdoc.org.br/

Sessões Especiais / Mostra Contemporânea Internacional

Serão exibidos 12 filmes selecionados por associarem a pesquisa em linguagem documental às questões do nosso tempo histórico, abordando temáticas como as retomadas indígenas no audiovisual e filmes de caráter etnográfico e políticos marcados.

Vale destacar na programação o clássico Sertânia, de Geraldo Sarno e 03 títulos estrangeiros que compõem a Mostra Contemporânea Internacional: EAMI, dirigido por Paz Encina e vencedor do Tiger Award - Prêmio Principal do International Film Festival Rotterdam 2022, uma imersão na cosmologia Ayoreo, por uma das principais realizadoras do cinema sul-americano; Alcindo, documental que contextualiza o racismo em Portugal, realizado pelo pesquisador Miguel Dores e integrantes de comunidades angolanas e cabo-verdianas; Xaraasi Xanne / Crossing Voices, de Bouba Touré e Raphael Grisey, filmado entre o Mali e a França, numa abordagem pós-colonial montada em tempos espiralares.

Homenagem à Jean-Louis Comolli

O documentarista, pesquisador e crítico de cinema Jean-Louis Comolli será um dos homenageados da 26 edição do forumdoc.bh.2022. Comolli, que faleceu este ano, tem ligação forumdoc.bh há muitos anos, seja pela publicação de seus artigos e textos, por sua presença em ocasiões de encontros e formação, ou por meio de mostras dedicadas a seus filmes e a filmes que influenciaram sua obra.

O seu filme Os Espíritos Do Koniambo - Na Terra Kanak (França, 2004, 90’) será exibido e será realizada uma mesa de debates em sua homenagem, com a presença da pesquisadora Cláudia Mesquita e dos pesquisadores César Guimarães e Ruben Caixeta. O documentarista também será homenageado com a publicação de textos e entrevistas no catálogo do forumdoc.bh.2022 no site.

Masterclass com os diretores Sylvain George, Adirley Queirós e com a diretora Joana Pimenta

Na sexta-feira (11/11), logo após a exibição do filme Nuit Obscure - Feuillets Sauvages/ Noite Obscura-Folhas Selvagens (Sylvain George, França / Suíça, 2022) no Cine Humberto Mauro, os premiados diretores Sylvain George, Adirley Queirós e a diretora Joana Pimenta se encontrarão para uma masterclass sobre os processos de realização de seus mais recentes e premiados filmes.

Sylvain dirigiu diversos documentários, entre os quais Pages Arrachées (2009), Qu’Ils Reposent en Révolte (Des Figures de Guerre) (2010), Les Éclats (Ma Gueule, Ma Révolte, Mon Nom) (2012), Rumo à Madri (2021, 37ª Mostra) e Paris Est une Fête - Un Film en 18 Vagues (2017). Seus filmes se voltam ao registro da experiência dos marginalizados – dos migrantes, em especial – e dos novos movimentos sociais. Em Noite Obscura, o diretor acompanha Melilla, um enclave espanhol no Marrocos. A fronteira terrestre entre o continente africano e a Europa é zona tampão onde se vêem as políticas migratórias europeias, os seus desafios e as suas consequências. Um lugar onde se agrupam os migrantes do Magreb.A atividade conta com o apoio cultural da Embaixada da França no Brasil. Haverá emissão de certificados.

Adirley Queirós e Joana Pimenta são os premiados diretores de Mato Seco em Chamas, que será exibido na quinta-feira (10/11) no Cine Humberto Mauro, como sessão de abertura do forumdoc.bh.

Artista convidada: UYRA

UYRA é a entidade vivida pela artista indígena contemporânea, Emerson Pontes. Ela foi convidada para apresentar seu trabalho e compor com a identidade visual do forumdoc.bh.2022. A artista reside em Manaus (AM), território industrial no meio da Floresta. Sua produção consiste em narrar histórias sobre sistemas vivos e suas violações, memória e diásporas indígenas por meio de fotoperformances e performance.

Emerson já integrou o Salão Arte Pará (2019), a exposição pelo Prêmio EDP das Artes, Tomie Ohtake (2020), 34ª Bienal de São Paulo (2021), e exposições em instituições na Áustria, Itália, São Francisco, Holanda, França. Ainda em 2022, participará da Manisfesta! (Bienal nômade da Europa), e apresentará duas mostras individuais, no Museu de Arte do Rio- MAR e no Museu de Arte Moderna – MAM Rio.

O catálogo do forumdoc.bh.2022 será disponibilizado gratuitamente impresso e em formato digital no site.

Foto: Divulgação/Motoseco

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