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Espetáculo de formatura da Escola de Teatro do Cefart traz o clássico “Alice no país das Maravilhas” adaptado para Belo Horizonte
Intitulada “Aliç n’país d’jogo d’bich”, a peça leva protagonismo ao baixo-centro da capital mineira e entrelaça o enredo com diversos jogos populares
A Fundação Clóvis Salgado, por meio do Centro de Formação Artística e Tecnológica (Cefart), estreia o espetáculo Aliç n’país d’jogo d’bich, que marca a formatura do Curso Técnico de Teatro. A obra é uma adaptação do clássico “Alice no País das Maravilhas”, criada originalmente pelo inglês Lewis Carroll, que se passa no hipercentro de Belo Horizonte. Sob a direção de Thálita Motta e Thales Brener Ventura, e dramaturgia de Idylla Silmarovi, o espetáculo tem classificação indicativa de 16 anos e poderá ser visto gratuitamente no período de 11 a 14 de novembro, sempre às 20h, pelo Canal da FCS no Youtube.
Com um título explicitamente inspirado na sonoridade do sotaque mineiro, Aliç n’país d’jogo d’bich leva protagonismo ao baixo-centro belo-horizontino e entrelaça o enredo com diversos jogos populares. A partir da pergunta “Jogamos: a que será que se destina?” e baseando-se no conceito de teatro enquanto jogo, o espetáculo investiga jogos que compõem o imaginário brasileiro, como o truco, o buraco, o futebol e, sobretudo, o “Jogo do Bicho”.
Considerado ilegal, mas fortemente presente nas tradições periféricas do Brasil, o “Jogo do Bicho” é visto por muitos como um jogo de azar, no qual a vitória do apostador geralmente está vinculada ao sonho com algum animal, entre eles, o coelho, um dos principais personagens da história original de “Alice no País das Maravilhas”.
Formato Experimental
O espetáculo utiliza-se de um formato experimental, que transita entre o audiovisual e o teatro. “Optamos por uma linguagem mais cinematográfica, mas com um processo todo teatral, tanto na preparação dos atores quanto na configuração do texto. No final, transmutamos esse texto dramatúrgico para um roteiro cinematográfico e a câmera foi adaptando-se a nossa linguagem. Assim, a Alice é a própria câmera”, explica a diretora Thálita Motta.
A partir de uma narrativa informal, a obra conta com gravações em tradicionais locais de Belo Horizonte, como o Grande Teatro Cemig Palácio das Artes, além de espaços vivos da memória do centro da capital mineira que dialogam com o ambiente suburbano. Desta forma, o Viaduto Santa Tereza, a Praça da Estação, a Praça Sete e a Rodoviária se transformam em elementos essenciais da narrativa. “O espetáculo possui um tom muito suburbano. A chegada da Alice é através do metrô central de Belo Horizonte, com uma perspectiva de quem vem da periferia”, conta o diretor Thales Brener Ventura.
Para o aluno e ator Álisson Valentim, o processo de atuar na rua é uma experiência marcada pela naturalidade e muitas vezes pela imprevisibilidade, ainda que se busque certo controle. “Tudo pode acontecer durante a gravação. A rua é viva e é o local do inesperado. Por exemplo, um pedestre pode entrar em cena, um cachorro pode aparecer, carros podem passar ou algum barulho pode sobressair-se. O jogo com a rua e a câmera, ao mesmo tempo, deixa tudo mais orgânico. A experiência de gravar cenas em locações pelo hipercentro de BH oferece outra camada para a atuação”, pontua.
Ação pedagógica habitual nos processos de criação dos espetáculos de formatura do Cefart, mais uma vez, os atores participaram também do processo de criação do texto, assinando o roteiro do espetáculo, juntamente com a roteirista Idylla Silmarovi. “Foi um processo coletivo, no qual os alunos são atores-criadores da obra, característica comum do teatro contemporâneo”, observa Thálita.
Sinopse:
Onça-pintada, mico-leão-dourado, lobo-guará! Aliç maravilha perdida n’país d’jogo d’bich na cidade do foto-na-hora-foto bem no centro dos fundos do fim do mundo.
Truco!
Aliç não sabe quando o jogo vira guerra, se é bich ou gnt. Aliç segue um maluco de quebrada sem saber onde td vai dar. Aliç ni rua e nu teatro é câmera. N’país do jogo quem construiu a raç? Cê é bich ou gent?
O Governo de Minas Gerais e a Secretaria de Estado de Cultura e Turismo de Minas Gerais, por meio da Fundação Clóvis Salgado, apresentam o espetáculo Aliç n’país d’jogo d’bich. A peça tem correalização da APPA – Arte e Cultura, patrocínio máster da Cemig, AngloGold Ashanti e Unimed-BH / Instituto Unimed-BH¹, por meio das Leis Estadual e Federal de Incentivo à Cultura, e patrocínio ouro da Codemge – Companhia de Desenvolvimento de Minas Gerais.
O patrocínio da Unimed-BH / Instituto Unimed-BH é viabilizado pelo incentivo de mais de cinco mil médicos cooperados e colaboradores.
A Fundação Clóvis Salgado é integrante do Circuito Liberdade, complexo cultural sob gestão da Secretaria de Estado de Cultura e Turismo de Minas Gerais (Secult) que reúne diversos espaços com as mais variadas formas de manifestação de arte e de cultura em transversalidade com o turismo. Trabalhando em rede, as atividades dos equipamentos parceiros ao Circuito buscam desenvolvimento humano, cultural, turístico, social e econômico, com foco na economia criativa como mecanismo de geração de emprego e renda, além da democratização e ampliação do acesso da população às atividades propostas.
Tradição na Formação de Artistas
Voltado para a formação de atores e atrizes, o Curso Técnico em Arte Dramática do Cefart, em 2021, celebra 35 anos. Criado formalmente em 1986, o curso é validado pela Secretaria de Estado de Educação e tem reconhecimento nacional comprovado pela constante atuação dos alunos do Cefart em festivais nacionais e internacionais de teatro, nas programações de TV, no cinema (curtas e longas-metragens) e na formação de novos grupos.
A primeira turma a finalizar o curso, em 1989, estreou o espetáculo “A flor da obsessão – Fragmentos”, da obra de Nelson Rodrigues, com direção de Eid Ribeiro. No elenco, entre outros artistas, estavam Rita Clemente, diretora do atual espetáculo, Davi Dolpi e Iara Fernandes, que se tornaram professores do Cefart.
Entre diretores e professores, passaram pela Escola de Teatro: Ana Addad, Ana Jardim, Anderson Aníbal, Ângela Mourão, Antônio Melo, Carlos Gradim, Carlos Rocha, Carmen Paternostro, Cláudio Dias, Cristiano Peixoto, Elvécio Guimarães, Fernando Linares, Gil Amâncio, Gláucio Machado, Glicério do Rosário, Grupo Espanca, Ivanete Mirabeau, João das Neves, José Walter Albinati, Juliana Pautilha, Kalluh Araújo, Lenine Martins, Letícia Castilho, Lúcia Ferreira, Luiz Carlos Garrocho, Luiz Paixão, Marcelo Bones, Marcello Castilho Avellar, Marcos Voguel, Mariana Muniz, Marco Flávio Alvarenga, Marina Viana, Mauro Xavier, Mônica Ribeiro, Odilon Esteves, Paulinho Polika, Rita Clemente, Rodrigo Campos, Sérgio Marrara, Tarcísio Ramos, Walmir José.
Entre tantos Ex-alunos, estão: Alexandre de Sena, Alexandre Toledo, Ana Flávia Rennó, Ana Haddad, Anderson Aníbal, Assis Benevenuto, Camilo Lélis, Carolina Bahiense, Cristina Vilaça, Dimir Viana, Fernanda Ribeiro, Grace Pasô, Guilherme Marinheiro, Helena Mauro, Henrique Carsalade, Henrique Cordoval, Jefferson da Fonseca, Jussara Fernandino, Léo Quintão, Leonardo Bertholini, Lira Ribas, Luiz Arthur, Maicon Sipriano, Márcia Bechara, Márcia Torquato, Marney Hitmann, Neise Neves, Suzana Cruz, Thiago Amador.
Segundo Marta Guerra, diretora do Cefart, foram muitos atores e atrizes, professores, diretores, dramaturgos, figurinistas, cenógrafos, maquiadores, que passaram pelo Centro de Formação Artística e pelos palcos do Palácio das Artes, tornando esse rico passado cultural referência sólida que reflete no trabalho atual. “São 35 anos de um caso de amor já consolidado! São muitas lutas, eliminação de barreiras, desafios diários e dores, mas também muitos prazeres emoldurados por uma força especial, através de muito estudo, dedicação, disciplina e autoconsciência na busca de quem somos”, conta Marta Guerra.
A diretora destaca ainda que a Escola de Teatro do Cefart é mais do que uma usina de novos talentos, “É, principalmente, a eterna busca da excelência na formação de profissionais que seguirão trabalhando passo a passo pelo desenvolvimento pessoal e realizações artísticas, sempre dedicadas ao público”.
De acordo com pesquisa realizada por alunos da Fundação João Pinheiro em 2019, junto a alunos formados nos Cursos Técnicos em 2016, 2017 e 2018, 71,9% dos alunos formados nesses Cursos do Cefart trabalham em suas respectivas áreas de formação, sendo que 75% se inseriram no mercado de trabalho em menos de um ano após a formatura.
Sob a coordenação de Paulo Maffei e Rogério Araújo, o Curso de Teatro, que tem duração de três anos, também oferece aos alunos atividades extracurriculares de treinamento e pesquisa em técnicas específicas – alguns também abertos a coletivos e ex-alunos ligados ao Cefart, nas áreas de Trilha Sonora, Projetos Culturais, Teatro Físico e Performance, Máscaras, Técnica Vocal e Leitura Dramática, ministrados por corpo docente capacitado.
Thálita Motta - Diretora teatral, diretora de arte e pesquisadora. Doutora em Artes pela Universidade Federal de Minas Gerais. Atualmente é Professora da Disciplina de Atuação e Montagem do Curso de Teatro do CEFART, onde desenvolve um processo como diretora teatral. Também é professora substituta no Teatro Universitário da Ufmg.
Thales Brener Ventura - Diretor, ator, produtor e coreógrafo. Integrante da Companhia TODA DESEO. Formado em Bacharel em Teatro pela Universidade Federal de Minas Gerais e formado no Técnico profissionalizante da Escola de Educação Básica e Profissional do TU/UFMG. Fez especialização na pesquisa da ação física de ator em Buenos Aires (Argentina), Pontedera (Itália) e Paris (França). Estudou ballet clássico na Escola Toute Forme e dança contemporânea no Corpo Escola de Dança. Um dos idealizadores da Mostra de CineCidade. Produtor e sócio do Espaço Cultural GRUTA, que há 20 anos exerce influencia, reflexão e identidade cultural em Belo Horizonte.
Serviço: Aliç n’país d’jogo d’bich | Formatura do Cefart
Datas: 11, 12, 13 e 14 de novembro
Horário: 20h
Classificação Indicativa: 16 anos
Transmissão: Canal do Youtube da FCS - https://www.youtube.com/user/palaciodasartesmg
Informações para o público: (31) 3236-7400
Foto: Paulo Lacerda / Divulgação
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