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Coral faz shows em Brasília e São Paulo, em formato de voz e violão, com canções de “Carne”
Artista baiana radicada em BH interpreta repertório autoral que inclui músicas de seu trabalho de estreia, lançado em setembro
A poeta, cantora e musicista Coral refaz a si própria ao cantar: “deixa o sol curar, Xangô / bota fogo ni mim”. Nessa antítese sobre o viver, em ode plena aos renascimentos, Coral informa a quem a ouve que não pretende se reconhecer em um conceito, um juízo, um cartaz, um som, uma cidade, apenas. Múltipla em suas criações, depois de estrear com o EP “Carne” (2021), com quatro músicas conduzidas por uma apurada e desconcertante veia poética, a artista baiana radicada em Belo Horizonte mostra o vigoroso repertório autoral, em cinco shows em São Paulo e Brasília, no formato de voz e violão.
Essas serão as primeiras aparições de Coral com a presença de público, após quase dois anos de afastamento dos palcos, devido às necessárias restrições de prevenção à covid-19. A estreia acontece na capital federal, nesta quarta-feira, dia 10, em um show no Cine Brasília, como uma das homenageadas do Distrito Drag, coletivo brasiliense responsável por promover o Prêmio Jorge Lafond de Arte e Cultura LGBT, que reconhece a importância de artistas, políticos, comunicadores e outras personalidades na luta por equidade, diversidade, respeito e inclusão.
Depois, serão quatro apresentações em São Paulo, no Teatro da Rotina, dia 13, e no Espaço de Passos, dia 14, além de duas datas no Galeria Café, dias 17 e 18. Essa miniturnê pela terra da garoa será a primeira vez de Coral na capital paulista, apresentando os universos cosmopolitas de suas canções, que ganham balanço radiofônico com as combinações de beats, violões e até sanfonas.
“Estou muito ansiosa, feliz e nervosa com a possibilidade de ver ao vivo as pessoas que acompanham o trabalho e que eu não conheço. Tenho um desejo de conhecer São Paulo. No decorrer das lives do Instagram que fiz na pandemia, eu acabei ganhando um público na cidade. Recebi convites pra ir pra lá durante a pandemia, mas não tinha como ainda”, explica Coral.
Como pessoa trans não-binária e entendida como uma quimera musical, aberta às construções tonais não-lineares, devota de sonoridades e contrastes harmônicos bem enlaçados em suas diferenças, Coral transpõe para a música uma atmosfera que abraça as empatias e os futuros possíveis que ela canta com a voz aveludada, expansivamente sóbria e consciente das próprias potencialidades. “Eu que sou tão fundo / Quero virar praia, procurar no mundo / Um jeito molhado de mergulhar em tudo”, como diz a letra de “Três da Manhã”.
Acompanhada apenas do violão nos shows, as interpretações de Coral reforçam, neste formato, as diversas estruturas que a artista apresenta musicadas no EP “Carne”: canções, declamações, poemas e orações – além de outras músicas autorais ainda não gravadas. No disco, composto durante o período da pandemia e gravado no estúdio 1som, em Belo Horizonte, todo esse conjunto lírico é harmonizado por arranjos conduzidos por bases eletrônicas, ora alimentadas por climas soturnos, ora iluminadas por harmonias solares e de refrões marcantes, para cantar junto em repetições prazerosas.
Todos os shows obedecem a protocolos sanitários de prevenção à Covid-19, incluindo comprovação de vacinação, uso obrigatório de máscara, higienização com álcool em gel e limitação de público, de acordo com as regras de cada casa de espetáculos. Sobre a expectativa de expor um cancioneiro tão heterogêneo, com o calor do público presente depois de tantos meses de ausências, Coral fala como quem expande o próprio fazer artístico, colocando suas criações em movimento de constante afetação. “Estou na esperança de ouvir os aplausos de novo, de sair um pouco do plano e ir pra um lugar com mais profundidade”, diz a artista.
Sobre Coral
Coral é poeta e musicista de Jequié, Bahia, com mais de 15 anos de estrada na música. Mais recentemente, morando em Belo Horizonte, vem produzindo suas composições autorais e despontando na cena musical independente. Lançou o seu primeiro EP, “Carne”, em 2021, e seu próximo trabalho será lançado no começo de 2022 com o apoio da Natura Musical. Escutar Coral é uma experiência única, tanto pela voz macia e performance marcante quanto pela poesia engajada que apresenta sua vivência como artista e pessoa trans não-binária.
Coral apresenta shows em Brasília e São Paulo
Quando. Entre os dias 10 e 18 de novembro
Onde. Cine Brasília (DF), dia 10; Teatro da Rotina (SP), dia 13; Espaço de Passos (SP), dia 14; Galeria Café (SP), dias 17 e 18.
Quanto. Entre R$ 25 e R$ 35
Mais. Os ingressos estão disponíveis neste link: www.linktr.ee/aocoraloficial
Foto: Coral - Carne- Foto Letícia Sousa
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