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Solo “Ondas de onde parto”aborda temas pouco explorados sobre a maternidade
Os momentos difíceis enfrentados pela mulher ao tornar-se mãe é o foco do espetáculo “Ondas de onde parto”, que pode ser conferido entre os dias 10 e 12 de novembro, no Teatro de Bolso SESIMINAS
“Ondas de onde parto”, espetáculo inédito com direção de Fernando Barcellos e dramaturgia de Letícia Andrade, é um espetáculo solo da atriz Mariana Rabelo que estreia no festival BH In Solos, cumprindo temporada nos dias 10, 11 e 12 de novembro de 2017, no Teatro de Bolso SESIMINAS. Nele, a atriz mistura recortes autobiográficos e narrativas de outras mulheres para construir pontos de vista sobre diferentes momentos da maternidade, como o parto, a amamentação e a criação. O espetáculo surgiu a partir da mobilização de três artistas belo-horizontinos, Barcellos, Rabelo e Letícia Castilho, que integram o Coletivo Sala Vazia. A proposta do coletivo é trabalhar solos com concepção e direção coletiva, atravessando as linguagens do teatro, da dança e do circo em pesquisas autobiográficas e narrativas de si.
Mãe solo, Rabelo apresentou ao coletivo o desejo de construir um espetáculo que abordasse a temática da maternidade, e que pudesse tocar de forma mais profunda em questões recorrentes, mas que destoam da imagem utópica materna. Para além da “maternidade de comercial de margarina”, interessa à atriz temas como as transformações radicais e dolorosas (de corpo e de alma) que a mulher sofre no processo de tornar-se mãe, o abandono masculino em etapas cruciais deste processo, e os momentos de rejeição que podem existir por um ser que a mulher nem conhece, mas já ama. Paralelamente ao âmbito temático, Rabelo, que ao longo do último ano tem se aproximado da técnica do pole dance, ansiava construir uma linguagem em que as belezas e durezas da maternidade pudessem estar relacionadas com a técnica do pole dance. Em um dos ensaios, o coletivo decidiu experimentar uma proposta em que Rabelo relatasse o seu parto ao mesmo tempo em que “dançasse” no aparelho. Tal proposta veio a gerar a micropeça “Ponto do Prazer”, dirigida por Letícia Castilho e Fernando Barcellos, apresentada no La Movida Microteatro em maio de 2017.
A potência da micropeça levou o coletivo a desdobrar o processo, que seguiu dirigido unicamente por Barcellos, culminando no espetáculo “Ondas de onde parto”, que estreia em novembro no BH In Solos. Para compor a equipe de criação, Barcellos e Rabelo entenderam que fazia-se necessária a presença de uma dramaturga, mulher, mãe, para que as questões abordadas pudessem ser potencializadas. Entrou em cena então Letícia Andrade, celebrada dramaturga mineira que assina a autoria de obras relevantes para a cena teatral da cidade, tais como Medeiazonamorta (do Grupo Teatro Invertido) e Cara Preta (da Maldita Cia. de Investigação Teatral, companhia na qual Barcellos atuou ente 2013 e 2015). Andrade estruturou uma proposta dramatúrgica em que a atriz tece, através de cartas, diferentes pontos de vista acerca de momentos da maternidade, tais como o parto, a primeira amamentação, o puerpério e as vigílias maternas.
Professores de duas universidades federais em cidades diferentes (Barcellos é professor do bacharelado em dança da Universidade Federal de Uberlândia e Andrade é professora do curso de teatro da Universidade Federal de Ouro Preto), a equipe desdobrou-se entre as três cidades, trabalhando no formato de residências periódicas que ora ocorreram em Belo Horizonte, ora em Uberlândia. No cenário artístico atual, em que recursos financeiros para a cultura estão sendo cortados e a classe artística tem sido perseguida e censurada em sua prática, o coletivo entende que criar é resistir, e que tais estratégias de desdobramento, inclusive geográfico, refletem a urgência dos artistas em criar mecanismos de resistência para o seu fazer.
Ondas de onde parto é um espetáculo fortemente político, não por levantar bandeiras ou defender panfletos, mas por escancarar um lado alternativo da maternidade, em que a solidão, o desespero e o desgaste provocam transformações irreversíveis na mulher, nos levando a refletir sobre questões como o machismo e o lugar que a mulher ocupa ainda hoje em nossa sociedade.
Sinopse
Uma mulher é uma árvore que gera frutos e raízes fortes ancestrais, ao mesmo tempo, cria ciclos perenes, como as ondas latentes, que morrem quando chegam em terra firme. Uma atuante narra, através de cartas e de seu corpo poético aéreo em desequilíbrio, a trajetória intimista de espera da criança em seu ventre, até o parto, e às mudanças de sua identidade, com a chegada da nova vida. Ela se lança ao abismo e festeja o encontro da mulher que nasce dentro mulher que morre.
Sobre o diretor
Fernando Barcellos é um artista da cena, que opera entre a dança, o teatro e a performance. Mestre em arte pela UFMG, é professor de técnica e criação em dança do curso de bacharelado em dança da Universidade Federal de Uberlândia.
Sobre a atriz
Mariana Rabelo é atriz, palhaça e artista circense, graduada em Artes Cênicas pela UFMG e pós-graduada em Teatro pela UniRio.
Duração: 50 minutos
Classificação: 16 anos
Ficha técnica
Atuação: Mariana Rabelo
Direção: Fernando Barcellos
Dramaturgia: Letícia Andrade
Desenho de Luz: Cristiano Diniz
Figurino: Tati Castru
Trilha sonora adaptada: Fernando Barcellos e Mariana Rabelo
Assessoria Vocal: Ana Hadad
Assessoria de Imprensa: A Dupla Informação
Participação especial: Corte Devassa
Fotografia: Marco Aurélio Prates
Produção: Marbelo Produções
Realização: Coletivo Sala Vazia
Foto: Marco Aurélio Prates
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