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Ars Nova-Coral da UFMG homenageia o escritor inglês Shakespeare, em apresentação única
"Quando danças, queria que fosses como a onda do mar, para que nunca fizesse outra coisa.” - Shakespeaere
Minas pode não ter mar, mas tem muito amor! O Ars Nova - Coral da UFMG homenageia o escritor inglês Shakespeare, em apresentação única, no dia 06 de Novembro, com o violinista convidado Lucas Nascimento.
As peças de Shakespeare foram traduzidas para todas as principais línguas modernas e são mais encenadas que as de qualquer outro dramaturgo. Muitos de seus textos e temas permanecem vivos até os nossos dias, sendo revisitados com frequência, especialmente no teatro, na televisão e no cinema. Restaram poucos registros de sua vida privada e existem muitas especulações sobre assuntos como a sua aparência física, sexualidade, crenças religiosas e se algumas das obras que lhe são atribuídas teriam sido escritas por outros autores.
Repertório
Blow, Blow, Thou Winter Wind, do compositor inglês John Rutter
Three Madrigals (1960), Emma Lou Diemer
Verone vit jadis deux famillies rivale, Charles Gounod
Duo Seraphim (1589), Francesco Guerrero
Three Shakespeare Songs (1951), Ralph Vaugham-Williams
Serenade to Music (1938), de Ralph Vaughan-Williams.
Considerações sobre o repertório
O Ars Nova – Coral da UFMG abre o concerto com Blow, Blow, Thou Winter Wind, do compositor inglês John Rutter (1945). O texto de Shakespeare foi retirado da peça teatral As You Like It e comenta que o vento do inverno pode explodir tão fortemente quanto e quando quiser, mas não pode ser tão mordaz quanto a ingratidão
humana. Alguns podem considerar a obra de Rutter leve e simples, mas sua melodia é artesanato fino e explora uma pura alegria que garante popularidade. Nesta versão para piano e coro, John Rutter explora o movimento oscilatório do piano para figurar o movimento do vento. As harmonias são simples, mas tocantes como é comum na obra de Rutter.
Emma Lou Diemer (1927) é considerada uma das mulheres compositoras mais importantes do século XX, nos Estados Unidos. Dela o Ars Nova interpreta Three Madrigals (1960). Em cada um dos Três Madrigais, Diemer sublinha o texto de uma maneira ligeiramente diferente. No primeiro madrigal, "O Mistress Mine, Where Are You Roaming?" Diemer apresenta harmonias transparentes e um tempo rápido, quase excêntrico. No segundo, "Take, O Take Those Lips Away", a compositora lamenta as falsas promessas de um amante, ao escrever em um tempo de fúria e pesadas harmonias. No terceiro madrigal, "Sigh No More Ladies, Sigh No More!", Diemmer escreve em um tempo mais rápido e a ideia otimista retorna, com provocações irônicas no piano.
A tragédia mais famosa da história da literatura moderna não poderia deixar de estar representada neste concerto. O Ars Nova canta, em seguida, Verone vit jadis deux famillies rivale, do francês Charles Gounod (1818-1893), breve coro de abertura da ópera Roméo et Juliette, composta em 1867, Gounod antecipa, de maneira bastante suscinta, o drama do famoso texto de Shakespeare e o que vai acontecer ao longo desta ópera em 5 atos citando a rivalidade das duas famílias que dominam o cenário de Verona do século XIV, os Montéquio e os Capuleto.
Para quebras um pouco este clima shakespeariano, o Ars Nova interpreta o moteto Duo Seraphim (1589), do compositor renascentista espanhol Francesco Guerrero (1528-1599). Francisco Guerrero é considerado um dos maiores compositores espanhóis da segunda metade do século XVI. Ele trabalhou a maior parte de sua vida como mestre da capela na Catedral de Sevilha, viajou bastante e assimilou os estilos musicais de outros países como Portugal, Itália, França e até o Oriente Médio. Ele foi o primeiro compositor espanhol cuja música foi publicada no exterior e suas obras foram amplamente realizadas, não só na Espanha, mas também na América Latina. No moteto "Duo Seraphim", Guerrero explora as possibilidades oferecidas pela textura polifônica: o moteto começa com dois sopranos cantando as palavras "Dois Serafins". No trecho em que o texto diz "há três que dão testemunho no céu" o compositor utilizou uma textura de três vozes e quando texto diz "a terra está plena de sua glória" o coro canta em doze vozes independentes. Com esta obra não-shakespeariana, o Ars Nova
mostra sua habilidade de brincar com as vozes em um belo moteto para 3 coros, portanto, 12 vozes a cappella.
E continuando com a textura a cappella, ou seja, sem acompanhamento, o Ars Nova interpreta Three Shakespeare Songs (1951) do compositor inglês Ralph Vaugham-Williams (1872-1958). Vaughan-Williams é um compositor que está intimamente ligado ao mar. No início de 1951, a Federação Britânica de Festivais de Música, encomendou a Vaughan Williams uma peça de confronto para coro misto a cappella. Em vez de criar uma série de brincadeiras virtuosas, Vaughan Williams foi na direção da sutileza e da restrição, com dinâmica constante e silenciosa. A primeira canção, Full Fathom Five thy Father Lies, da peça teatral de Shakespeare intitulada A Tempestade, no ato I, cena 2, usa onomatopeias que imitam os sons dos sinos. Já a segunda canção, também retirada de A Tempestade, no ato IV, cena 2 possui, em grande parte, uma sonoridade desoladora. A última canção Over Hill, Over Dale possui texto retirado de Sonhos de Uma Noite de Verão, ato II, cena 1 e é a mais viva, mais leve e a mais curta das três canções, com um tratamento animado, rítmico e um fino e tênue emaranhado de linhas melódicas.
E para encerrar este concerto dedicado ao amor e ao mar e aos textos de William Shakespeare, o Ars Nova – Coral da UFMG interpreta a versão para piano, violino solo, solistas e coro de Serenade to Music (1938), de Ralph Vaughan-Williams. Esta é considerada como a obra coral mais requintada para um texto de William Shakespeare, retirado do discurso de Lorenzo sobre a música, no Jardim de Portia, do ato V, cena 1 de O Mercador de Veneza. Vaughan Williams teve a ideia de criar uma obra que incorporasse os talentos de 16 conhecidos cantores britânicos e para cada um destes cantores escreveu uma frase melódica solo. A estreia da obra foi em 5 de outubro de 1938. O Ars Nova recria esta atmosfera nesta versão para piano, violino solo e os cantores do grupo, em uma interpretação absolutamente “feita em casa.”.
William Shakespeare
William Shakespeare nasceu em Stratford-upon-Avon, localizada ao sul de Birminghan, Inglaterra, em 23 de abril de 1564. Foi um poeta, dramaturgo e ator inglês, tido como o maior escritor de seu idioma. De suas obras, incluindo aquelas em colaboração, restaram até os dias de hoje 38 peças de teatro, 154 sonetos, dois longos poemas
narrativos e mais alguns versos esparsos, cujas autorias, no entanto, são ainda investigadas. Sua obra é considerada dramática, mesmo quando envolta em um clima de comédia e aborda temas como a natureza do amor, a paixão sexual, a procriação, a morte, o tempo e o mar.
Ars Nova – Coral da UFMG
Fundado em 1959, o Ars Nova é referência na área de canto coral no Brasil e no exterior. Sob a regência do maestro Carlos Alberto Pinto Fonseca – de 1962 a 2004 – o coro conquistou inúmeros prêmios e condecorações em importantes festivais nacionais e internacionais e realizou mais de 1400 apresentações no Brasil e em outros 17 países. Desde a sua retomada, em 2013, sob a regência da maestrina Iara Fricke Matte o Ars Nova realizou 93 concertos no Brasil e exterior, alcançando um público de mais de dezoito mil pessoas. Destacam-se, ainda, dois prêmios recebidos em 2016: o Troféu JK de Cultura e Desenvolvimento e a conquista do terceiro lugar, na categoria coro misto, no 34º Festival Internacional de Música de Cantonigròs, realizado em Vic, Catalunha, Espanha. O Ars Nova - Coral da UFMG tem como regente atual o maestro Lincoln Andrade.
Lincoln Andrade
Lincoln Andrade é natural de Leopoldina, Minas Gerais, mas foi em Brasília onde começou seus estudos em música e iniciou uma sólida carreira como professor e maestro. Possui doutorado em Regência pela University of Kansas, EUA, mestrado em Regência pela University of Wyoming, EUA, e é licenciado em Música pela Universidade de Brasília. Foi professor e diretor do Centro de Educação Profissional/Escola de Música de Brasília, professor assistente premiado na University of Wyoming, na University of Kansas e na Indiana State University. Foi professor no curso de pós-graduação da Faculdade de Artes do Paraná, em Curitiba. Foi diretor musical do grupo vocal Invoquei o Vocal e regente titular do Madrigal de Brasília e ganhou medalha de prata e medalha de ouro nas categorias coro misto e coro folclore, no Festival Internacional de Coros de Atenas, na Grécia, em 1994. Foi regente assistente do Coro Jovem Comunitário de Kansas City e maestro do Coro Lírico do Teatro Nacional Cláudio Santoro, em Brasília. Foi também o maestro titular do Coral Brasília e ganhou medalha de ouro no Festival
Internacional de Coros em Atenas, Grécia, em 2004. Regeu concertos na Alemanha, Argentina, Chile, Espanha, nos Estados Unidos, Grécia, Hungria, Paraguai, Polônia, Portugal, e Turquia. Foi regente titular do Coral Lírico de Minas Gerais e regeu concertos como maestro convidado da Orquestra Sinfônica de Minas Gerais e da Orquestra de Câmara Opus. Lincoln Andrade é o produtor musical, apresentador e entrevistador do programa “Conversa de Músico”, produzido e veiculado pela TV Senado. É professor de regência e coordenador da Orquestra Sinfônica da Escola de Música da UFMG.
Lucas Nascimento
Lucas Damasceno é violinista e cantor, natural de Juiz de Fora - MG, iniciou seus estudos no Centro Cultural Pró Música e Conservatório Estadual de Música Haide França Americano, em sua cidade natal. Foi integrante da Orquestra Sinfônica Pró Música e Orquestra de Câmara Pró Música de Juiz de Fora-MG. Atuou como Spalla na Orquestra de Câmara Pró Música no ano de 2011. Iniciou sua Graduação em Música em 2010 pela Universidade Federal de Juiz de Fora, ocasião em que integrou o naipe dos tenores no coral da Graduação. No primeiro semestre de 2013 passou a compor a classe do professor Edson Queiroz de Andrade, por transferência para UFMG. Foi vencedor do concurso Jovem Solista BDMG na edição de 2014. Concluiu sua graduação no segundo semestre de 2014. Participou do Festival Internacional de Música Colonial Brasileira e Música Antiga de Juiz de fora de 2000 a 2014. Integrou o Festival Europeu Eurochestries em 2009 Charente-Maritime FRANÇA e Festival Europeu Eurochestries em 2012 em Quebec CANADÁ. Retornou a universidade em 2017 como aluno de canto na classe do professor Mauro Chantal. Ainda em 2017 estreou sua carreira operística atuando como solista na Ópera Porgy and Bess. Atualmente integra o Coral Ars Nova desde 2016, sob regência de Lincoln Andrade.
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