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Clássico de Rita Lee ganha releitura instrumental de Larissa Horta que protagoniza o baixo
Versão da música “Saúde”, que chega às plataformas digitais no dia 5 de outubro, é o primeiro single do EP “Prisma”, da baixista mineira
Engana-se quem pensa que a função do baixo elétrico é, tão somente, acompanhar a melodia ou a harmonia rítmica. As possibilidades do instrumento vão muito além de seu importante encargo de servir como coração, de marcar o pulso da música. E não pense que estamos falando de solos virtuoses e slaps à la Jaco Pastorius. É possível transitar, com o baixo, por lugares da construção musical que fogem tanto do acompanhamento quanto do virtuosismo. Prova disso é o EP “Prisma”, da baixista mineira Larissa Horta, que protagoniza o instrumento ao colocá-lo para fazer as vezes do vocal e da guitarra, além das próprias linhas de baixo. Primeiro trabalho solo da artista, que já tocou com nomes como Titane e Fernanda Takai, o EP traz três releituras de clássicos do cancioneiro brazuca – como “Saúde”, de Rita Lee, que chega às plataformas digitais nesta sexta-feira, 5 de novembro, com direito a videoclipe no YouTube. Depois, saem as versões de “Lamento Sertanejo” (Gilberto Gil), no dia 19 de novembro, e de “Novo Tempo” (Ivan Lins), fechando o EP, no dia 3 de dezembro.
Escute a releitura de Larissa Horta para “Saúde” (Rita Lee)
Sobre a escolha da canção de Rita Lee, Larissa Horta ressalta o importante simbolismo que a faixa carrega, tão conectado com os tempos atuais. “Escolhi essa música por um desejo evidente de saúde para todo o mundo, depois de tantas mortes e em meio a uma pandemia avassaladora que está se acalmando, mas que ainda não acabou. Nada melhor que celebrar a saúde neste momento”, afirma. “Para além disso, a música tem uma letra positiva e fala sobre viver intensamente, apesar das dificuldades e desafios. ‘Mas enquanto estou viva e cheia de graça / Talvez ainda faça um monte de gente feliz’ é algo em que eu acredito profundamente. E o objetivo do EP é proporcionar um sentimento bom para os ouvintes, levar alegria, força e leveza”, sublinha a baixista, lembrando que a faixa terá um videoclipe cuja direção é do artista visual, designer e criativo Dudi Polonis, que assina toda a identidade visual e as fotografias do EP.
Outro fator decisivo foi sua admiração por Rita Lee, a quem presta reverência musical e pessoal. “Rita Lee é importantíssima na história da música brasileira. Foi uma cantora pioneira na mistura dos gêneros musicais, além de referência na construção do rock brasileiro e no uso da guitarra, sobretudo para as mulheres”, ressalta Larissa, que divide a produção musical do EP com a pianista Glaw Nader, também responsável pelos teclados e pela direção musical do trabalho. “Figuras como ela impulsionaram inúmeras outras mulheres a enfrentar o patriarcado e a buscar independência, o que foi revolucionário. Além do mais, vejo a irreverência da Rita Lee também na minha avó, na minha mãe e, hoje, em mim. Espero conseguir levar um pouco dessa irreverência para a minha música”, completa a baixista, que contou com a participação da mãe, Rosana Horta, recitando um texto de autoria própria na introdução de “Saúde”.
“Minha mãe é professora por formação e atua na área de linguagens. Como ela mesma diz, gosta muito de escrever nas horinhas de descuido. Na minha infância sempre a ouvi cantando Rita Lee em casa. Durante a pandemia, tivemos o nosso laço ainda mais fortalecido, então senti que seria uma boa forma de celebrar as nossas vidas e a nossa relação. Foi um feat de mãe e filha muito feliz e realizado”, afirma Larissa. “Minha parceira e amiga Glaw Nader, que gravou os teclados do EP, propôs um arranjo com linha de baixo inspirada em ‘Billie Jean’, do Michael Jackson, de quem também sou fã. A partir daí, fomos construindo as camadas de baixo e harmonia. Eu já tinha a ideia de trazer para a música sons lúdicos que lembrassem barulhinhos de joguinhos de videogame, então montei a base eletrônica e Glaw arrematou a estrutura musical com camas harmônicas de teclados. O resultado é uma música alegre e inusitada, com muito bom humor e uma pitada de força e incentivo para seguir em frente”.
“Prisma”
Projeto surgido durante a pandemia da Covid-19, “Prisma” evidencia a versatilidade de Larissa Horta, bem como a de seu instrumento de preferência. Nas três faixas, o baixo desenha a melodia, comumente desempenhada pela voz; a harmonia, geralmente tocada pela guitarra, o violão ou os teclados; e, propriamente, os graves, função primária do instrumento. Tudo isso amparado por beats produzidos por Larissa e pelos teclados de Glaw Nader. “Minha ideia inicial era desenvolver arranjos apenas para o baixo, com camadas e frases sobrepostas, algo bem simples onde o baixo pudesse cumprir todas as funções de uma música, fazendo a melodia e a harmonia rítmica, além da sua tradicional função de linha de graves. Durante o processo, defini o conceito do disco e fui consolidando as ideias junto com a Glaw. Percebemos que as releituras poderiam ser bem mais do que uma simples transcrição das músicas para o baixo, e a Glaw trouxe propostas de arranjo com loops de bateria, conta Larissa.
A partir daí, “um mundo de paisagens sonoras” se abriu para Larissa Horta, que começou explorar pacotes de sons e beats eletrônicos. “Comprei um controlador e foi como um parque de diversões. Refiz os beats manualmente no computador, com sons e barulhinhos que traziam a estética que eu queria, e fui gravando as camadas de baixo a partir disso, tudo no meu home studio. Depois desta etapa, senti que ainda faltavam outros timbres nas músicas e, então, convidei a Glaw para gravar bases de teclados, que combinavam muito com a estética do meu trabalho e preencheram bem os espaços que faltavam”, conta a artista, que chegou ao conceito de “Prisma” pela relação com “o movimento que o baixo traz para a música e para minha vida”.
“O baixo é um instrumento que provoca e conduz muito o movimento na música e, além disso, por ser a minha voz e a minha forma de comunicação enquanto musicista, também me propõe muito movimento, sempre me impulsionando para o crescimento e para as ações. E agora não é diferente”, reflete Larissa. “Há muitos anos desejo transformar músicas que são referências para mim em arranjos para baixo, com o instrumento fazendo harmonia e melodia, porque o baixo, apesar de ser um instrumento grave, tem timbres lindíssimos em seus agudos, e essa é uma região que eu gosto bastante de explorar e ouvir. Além disso, o baixo é um instrumento que geralmente está em posição de acompanhar outros instrumentos, e acho muito legal mostrar a possibilidade de que ele também pode tocar uma música sozinho”, diz.
Assim como “Saúde”, as próximas faixas a serem lançadas – “Lamento Sertanejo”, de Gilberto Gil, e “Novo Tempo”, de Ivan Lins – também guardam relações afetivas com Larissa Horta. “Eu gosto muito de música brasileira e minhas referências musicais desde a infância são daqui. Desde a idealização do projeto, eu tinha o desejo de rearranjar canções conhecidas de compositores brasileiros e trazer uma outra proposta para músicas que já estivessem no vocabulário musical da população. Todas as três músicas têm alguma relação com o que eu acredito ou com o que eu gosto de ouvir, além de serem canções de artistas muito inspiradores para mim”, afirma Larissa Horta, que vê “Prisma” como o marco de um novo momento de sua trajetória. “Tem sido um desafio grande e, ao mesmo tempo, muito prazeroso. Sinto que o baixo é uma forte via de comunicação para mim, um ‘portal’ por onde eu posso me expressar e me posicionar diante do mundo. Depois de tantos anos comunicando mensagens e opiniões de outros artistas através do meu instrumento, agora é a minha vez de sustentar a minha própria voz”.
Sobre Larissa Horta
Mineira de Belo Horizonte, Larissa Horta começou sua carreira musical há 19 anos e passou por importantes trabalhos de formação, como o Grupo Rosa dos Ventos, criado pela cantora Titane e o diretor teatral João das Neves (2005 a 2009). Foi baixista e backing vocal da cantora Fernanda Takai (2014 a 2018) e circulou com a turnê “Na Medida do Impossível”, do disco que leva o mesmo nome, lançado também em 2014 e registrado em DVD em 2016, no Inhotim, no qual também gravou. Tem se aprofundado em movimentos e composições femininas nos últimos anos, tendo participado de trabalhos autorais e gravado em álbuns e singles de diversas cantoras de Belo Horizonte, como Amorina, Flávia Ellen, Joana Bentes e Maíra Baldaia, com quem também gravou o DVD “Mais” (2018). Larissa é integrante das bandas OH! DARA e Luz de Tieta e do coletivo Truck do Desejo, e se prepara para inaugurar uma nova etapa de sua carreira em 2021, com o lançamento do EP “Prisma” e a chegada de novidades autorais.
Foto: Dudi Polonis
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