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"Quem vai olhar as crianças?" - Espetáculo teatral hackeia a vida real, aborda o posicionamento feminino na política e cria narrativa entre redes.
Com adolescentes e adultos em cena a convenção espetáculo “Quem Vai Olhar as Crianças?” recria uma convenção de partidos para discutir com sagacidade e humor as conjunturas políticas transcorridas e a presença, ou não, das mulheres nela
Na cena/tela quatro garotas representam jovens hackers que conduzem o público em um jogo político digital para transformar o destino de Fáguas. O plano já está em curso. Na última convenção da Frente Ampla Feminina precisam ser escolhidas a face e a ideologia do novo governo dessa fictícia ilha da América Central. A Frente conta com o apoio das jovens que usarão estratégias digitais para conseguir vencer as eleições e eleger a primeira presidenta de Fáguas, na esperança de que o país saia da crise político democrática em que se encontra. A candidata é Lola Vasquez. Mas se ela realmente vencer, quem vai olhar as crianças?
Em cartaz de 12 a 15 de novembro pelo Zoom Quem vai olhar as crianças? surge a partir das provocações da obra “O país das Mulheres”, da escritora nicaraguense Gioconda Belli, e do olhar atento da diretora Raquel Castro sobre as dicotomias que vivemos na atualidade. Colocar tudo isso em cena foi uma vontade que surgiu a partir “Da frase “Quem vai olhar as crianças?”, dos dados e estatísticas alarmantes sobre a participação das mulheres na política, da intensificação dos ataques digitais às campanhas eleitorais de mulheres e do desejo de compartilhar com o público, mesmo em formato digital (que é o formato possível durante o isolamento social), essas inquietações através de uma experiência interativa, com humor e crítica”, conta a diretora.
Quem vai olhar as crianças? fica em cartaz de 12 a 15 de novembro, sempre às 20h30, pelo Zoom. Os ingressos podem ser retirados gratuitamente pelo Sympla. Projeto Quem vai olhar as crianças?, nº 1352/2018, aprovado no Edital 2018-2019 oriundo da Política de Fomento à Cultura Municipal (Lei nº 11.010/2016).
A frase “Quem vai olhar as crianças?” foi pronunciada pelo político francês Laurrent Fabius, em 2007, quando soube que Ségolène Royal havia se apresentado para as eleições presidenciais pelo partido do qual seu marido François Hollande era presidente. Não é preciso dizer mais nada. A frase diz tudo entre o que foi dito e o que segue sem respostas.
Em uma interação entre Instagram, Facebook, Whatsapp e o próprio espetáculo, o público pode escolher vivenciar experiência diversas. “Quem topar embarcar em todas as redes terá uma experiência mais diversificada da obra, mas quem assistir somente à convenção espetáculo no Zoom vai usufruir de uma obra íntegra também” ressalta a diretora.
Nesta convenção espetáculo é a juventude quem domina e invade um espaço que segue sendo de pouca abrangência e tomado por uma ultrapassada e persistente política patriarcal. Quem vai olhar as crianças? explora essa possibilidade com a presença de quatro adolescentes entre 14 e 17 anos - Gabriela, Luíza, Hellen e Sofia - acompanhadas da atriz e diretora Raquel Castro, também professora e mãe de uma delas. Para a Raquel “A presença de adolescentes se faz necessária por haver a possibilidade de troca e reflexão com uma faixa etária que de alguma forma não é "tão levada sério", mas que interage e pode transformar esse cenário. Essa troca pode trazer outros modos de olhar o mundo, uma perspectiva menos adultocêntrica para as questões atuais. Os adolescentes estão mais bem relacionados com as tecnologias em alta e, para além disso, trazer essa voz estabelece uma reflexão que perpassa o olhar do público jovem e adulto. Não é um espetáculo "teen". É um espetáculo com faixa etária livre que foi construído por adultos e adolescentes.”
O espetáculo
“Quem vai olhar as crianças?” é uma convenção espetáculo online, interativa e audiovisual sob o prisma da performatividade política e de gênero. A dramaturgia proposta pelas artistas começa nas redes sociais (Instagram e Whatsapp) e culmina na convenção realizada na plataforma Zoom.
Cada hacker representa um partido-algoritmo que ocupa uma orientação ideológica distinta no espectro entre extrema direita a esquerda radical, e ambicionam mudar o rumo histórico de seu país em crise, desde sempre governado por homens, criando uma Frente Ampla Feminina (FAF) em seu pequeno país localizado na América Central. O chamado à “Última Convenção da FAF” antes do lançamento da campanha, convida o público a construir uma candidata avatar-em-carne-e-osso que certamente será eleita a nova presidenta de Fáguas e, por isso, precisa ser criteriosamente preparada para a grandiosa missão que lhe é colocada. Dessa vez é Lola Vásquez, personagem de Raquel Castro, quem precisará adequar-se ao sabor do público e das crianças. A convenção espetáculo “Quem vai olhar as crianças?” é um convite à reflexão sobre a relação entre mulheres e poder na sociedade e à apreciação de um retrato cáustico do jogo político contemporâneo.
A frase “Quem vai olhar as crianças?” inspirou também, originalmente, a criação de uma cena curta homônima que propunha pensar os desafios das mulheres na política por meio de elementos ficcionais misturados a inquietações sobre o atual cenário de avanço das extremas direitas no mundo. Na cena curta, apresentada no projeto "Cena espetáculo do Galpão Cine Horto, a personagem de Raquel Castro, uma poderosa ex-deputada e assessora política chamada Alone May, conduzia uma reunião de possíveis investidores para o futuro lançamento de candidaturas de mulheres, oferecendo suas pupilas – jovens estudantes entre 12 e 17 anos – treinando-as para que exercessem lideranças políticas por meio da competição, seja no discurso ou na aptidão física, tocando contradições éticas.
Na convenção espetáculo, a relação de poderes é invertida. A cena transita entre o real e a ficção e testa os limites dos conhecimentos, afetos, questionamentos, percepções e desejos das adolescentes em relação ao tema.
Como adolescentes, meninas entre 14 e 17 anos, compreendem o significado do poder e da política? Como lidam e interagem com a história e o presente da política da sua cidade, do seu país e do mundo? Como encaram as exigências e códigos sociais impostos à mulheres? Qual a atitude do público ao vê-las representar ações de violência simbólica e construção de estereótipos?
Foto: Bruna Brandão
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