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Filme "O pagador de promessas" no Cine Santa Tereza, em BH

Filme brasileiro que conquistou a Palma De Ouro em Cannes será exibido e comentado no Cine Santa Tereza no dia 5 de novembro, próxima terça-feira

O Cinema Falado de novembro apresenta o filme “O Pagador de Promessas”, de Anselmo Duarte, que ganhou Palma de Ouro em Cannes em 1962. A sessão, gratuita, será realizada no dia 5 de novembro, próxima terça-feira, às 19 horas, na sala Geraldo Veloso do MIS Cine Santa Tereza (Rua Estrela do Sul, 89, Bairro Santa Tereza, em frente à praça Duque de Caxias, BH). É uma oportunidade de encontro com críticos e cineastas para conversar sobre cinema, poesia, política e outros assuntos da cultura brasileira. A apresentação será do especialista em cinema Marco Túlio Ulhôa.

A realização destas sessões mensais, sempre com um filme de importância para a cultura brasileira, é do Centro de Estudos Cinematográficos De Minas Gerais (CEC- MG) e do Instituto Humberto Mauro, em memória do crítico e cineasta Geraldo Veloso.

Marco Túlio Ulhôa, que comentará a sessão, é doutor em Comunicação pela Universidade Federal Fluminense, na linha de pesquisa de Estudos de Cinema e Audiovisual e especialista em Produção e Crítica Cultural pelo Instituto de Educação Continuada da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais. Dedica-se ao estudo da comunicação e da teoria da imagem, tendo o cinema e o audiovisual como principais objetos de investigação, mediante suas relações com os campos da estética e da teoria literária. Desenvolve pesquisas concentradas na linha de estudo do cinema latino-americano.

O Pagador de Promessas

"O Pagador de Promessas”, filme dirigido por Anselmo Duarte (1920-2009), é uma adaptação de texto teatral homônimo de Dias Gomes (1922-1999), numa produção da Cinedistri, filmada na Bahia, entre agosto e setembro de 1961. Para o papel principal, Duarte escalou o ator Leonardo Villar, que protagonizara a encenação da peça teatral em São Paulo, em 1960. No elenco principal, Glória Menezes, Dionísio Azevedo (1922-1994) e os baianos Geraldo del Rey, Antônio Pitanga, Roberto Ferreira (Zé Coió) e Othon Bastos. Norma Bengell (1935-2013) faz a prostituta Marli. O diretor de fotografia é o inglês Chick Fowle, que, a exemplo do resto da equipe técnica, vem de experiência pregressa na companhia produtora de filmes Vera Cruz.

O filme mantém a unidade espacial do drama, desenvolvendo a maior parte da ação em uma única locação, na escadaria da igreja de santa Bárbara (também conhecida como igreja do Paço), que, por sua própria disposição arquitetônica, parece um anfiteatro, com as escadarias assemelhando-se a arquibancadas. Os arredores da igreja, situada no centro histórico de Salvador, também são utilizados, a exemplo do bar em frente, ao pé da escadaria, onde são encenados alguns dos mais importantes momentos da trama.

A história consiste na tentativa de Zé do Burro (Leonardo Villar) cumprir a promessa de entrar na Igreja de santa Bárbara com a cruz que carrega do interior do sertão baiano até Salvador, depois que seu burro estimado é curado de uma infecção causada por uma ferida. Uma sucessão de planos curtos, no começo, resume o percurso de Zé e sua esposa Rosa (Glória Menezes) a caminho da capital baiana, passando pelos diferentes tipos de vegetação, “numa escolha de imagens calculada para evidenciar as etapas que se cumpre do árido sertão ao litoral”. A promessa fora feita em um terreiro de candomblé, diante de uma imagem de Iansã (santa Bárbara). Além da peregrinação com a cruz, Zé havia prometido que, caso o burro sarasse, repartiria sua pequena propriedade com outros trabalhadores do sertão, o que serve de pretexto para um jornalista (Othon Bastos) apontá-lo como um defensor da reforma agrária em uma das situações nas quais as intenções “puras” de Zé, isentas de consciência política, são desviadas pela imprensa ou pela Igreja.

Zé e Rosa chegam a Salvador no meio da madrugada. A oposição entre a ingenuidade do camponês e a corrupção moral do mundo mercantil da cidade se constrói desde já: logo ao chegar, Rosa recebe o olhar insinuante de Bonitão (Geraldo del Rey), um cafetão que habita as redondezas. Zé não percebe a intenção de Bonitão, que se aproxima deles e, aproveitando o argumento de uma tempestade que se anuncia, oferece um quarto de hotel para passarem a noite. Zé dispensa o convite, mas, com a mente voltada apenas para sua missão de fé, permite que Rosa vá com o citadino. Na manhã seguinte, quando o padre Olavo (Dionísio Azevedo) chega à igreja para rezar a primeira missa do dia, é abordado por Zé. Tão logo descobre que a promessa se dera num terreiro, o padre nega-lhe o acesso à igreja. Zé, no entanto, não desiste, privando-se de descanso e alimento enquanto luta para cumprir sua promessa até o fim. Está plantada a principal confrontação dramática do filme: a obstinação e a simplicidade do homem sertanejo em oposição à intransigência da autoridade religiosa e à vida complexa e corrompida da cidade. No plano sociopolítico, o conflito se enuncia “entre a ortodoxia católica -- Igreja institucional ligada às classes superiores -- e o candomblé de origem africana, de grande penetração nas classes baixas”, demonstrando que “o problema da cultura popular e o da liderança política não eram, naquele momento, preocupações exclusivas ao Cinema Novo”.

Foto: Divulgação

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