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Festival Maternar enfoca infância e diversidade da maternidade com palestras Monja Coen e Fernanda Gentil
Nesta sexta-feira e sábado, 5 e 6 de novembro, a segunda edição do evento traz mesas-redondas, oficinas, feira de livros e reflexões sobre a pluralidade da criação, da gestação à infância; híbrida, a programação traz, ainda, nomes como o de Elisama Santos
Tanto o provérbio africano, que afirma ser necessária a aldeia inteira para educar uma criança, como a ideia de Platão, de que crianças devem ser educadas juntas e por toda a sociedade, alargam instantaneamente a noção do que muitas vezes é reduzido à maternidade. É a partir de uma filosofia crítica de inclusão social que a 2ª edição do Festival Maternar acontece em Belo Horizonte, nesta sexta e sábado, 5 e 6 de novembro, com a intenção de refletir sobre uma prática não só das mães, mas de processos compartilhados por toda a sociedade sobre como gerar, criar e educar alguém. A programação inteiramente gratuita, com atividades remotas e presenciais, envolve palestras de Elisama Santos, Dr. Daniel Becker, Monja Coen e da jornalista e apresentadora de TV Fernanda Gentil; oficinas que vão desde Disciplina Positiva até Musicalização, além de uma feira de livros e exposição fotográfica.
Nascido em 2018, e organizado pela publicitária Maira Fonseca e pela psicóloga Cecília Antipoff, o Festival Maternar foi contemplado neste ano pela Lei Federal de Incentivo à Cultural, tendo atraído a participação de mais de 3 mil pessoas na primeira edição, ao debater sobre quebras de paradigmas no processo de criação, incluindo os ciclos de gestação, infância, maternidade e paternidade. O cerne das reflexões do festival é considerar não apenas a responsabilidade específica das famílias, mas também a estrutura econômica, afetiva e sociocultural que diz respeito à necessária ação de todos na educação de seres humanos, em função da lapidação de um mundo melhor.
“Maternar significa cuidar, não é um ato que deve ser esperado das mães apenas, só das mulheres. É sinônimo de cuidado de todos e para com todos. Queremos quebrar esse paradigma e, também, o sistema autoritário de criação, de quando a criança era pouco ouvida, e exigia-se obediência acima de tudo no processo de educação. Hoje é muito difundida a educação baseada na disciplina positiva, não violenta, respeitosa. E o Maternar procura falar de respeito em todos os níveis, abordando temas como diversidade, combate ao machismo, empatia e inclusão”, explica Maira Fonseca.
Toda a programação presencial será concentrada na sede do Instituto Nascer, no bairro Cidade Jardim. A abertura será comandada pela Monja Coen, palestrante e escritora zen budista, responsável por difundir a chamada educação para a Nova Era, por meio da valoração de uma ética do novo milênio, ao elencar o respeito ao meio-ambiente e aos outros como princípio primordial da vida — em contraponto à cultura predatória e egoísta que rege indistintamente o mundo globalizado. Após a palestra, Coen irá conduzir o público por uma meditação guiada, como forma de começar a 2ª edição do Festival Maternar em equilíbrio, com a mente sadia e pronta para outras reflexões.
Programação
O primeiro dia do evento apresenta uma feira de livros, uma exposição fotográfica e oficinas sobre temáticas diversas, como o brincar do bebê, introdução alimentar, musicalização infantil, separação respeitosa e shantala – famosa técnica com influência indiana de massagem para bebês. Todas as inscrições são gratuitas e realizadas pelo Sympla, com acesso pelo site do festival (www.festivalmaternar.com.br), mas sujeitas à lotação das turmas. Para participar das oficinas, é necessário cumprimento de todas as medidas sanitárias de prevenção à covid-19, como uso obrigatório de máscara, distanciamento mínimo entre os presentes e higienização das mãos.
“As oficinas são uma forma de viver a aprendizagem na prática e têm por objetivo gerar uma experiência positiva, memorável. Além disso, as oficinas nos ajudam a recuperar parte do contato presencial, com todos os cuidados necessários”, avalia Maira Fonseca.
No segundo dia de evento, acontecem quatro mesas-redondas, todas virtuais e transmitidas ao vivo, com temáticas que abrangem o ciclo completo de criação, da gestão à primeira infância. A primeira discussão, em um debate que traça uma ponte entre as noções contemporâneas do que é ser mulher até a construção de famílias em formatos diversos, sem distinções de gênero, raça e costumes, tem a apresentadora da TV Globo Fernanda Gentil em conversa com a escritora Bebel Soares, fundadora da organização de apoio a mães Padecendo no Paraíso, com participação do casal Gustavo Ziller e Patrícia Brandão.
Em outro debate, sob uma perspectiva de educação respeitosa, combate à violência na educação e inclusão, a psicóloga Cecília Antipoff e a psicanalista e educadora parental Elisama Santos, estudiosa da educação não-violenta, conversam sobre práticas de educação e combate a preconceitos e subjugações. As duas recebem os irmãos Leonardo Gontijo e Eduardo Gontijo, dois representantes do Instituto Mano Down, organização de Belo Horizonte responsável por uma série de ações culturais e pedagógicas voltadas para a inclusão e desenvolvimento de bebês, jovens e adultos portadores de síndrome de Down.
As outras duas mesas-redondas serão conduzidas por médicos, com focos em aspectos prático-científicos da gestação e da infância. Para discutir o desenvolvimento na primeira infância e nos primeiros dias de vida do recém-nascido, os pediatras Luiza Menezes e Daniel Becker abordam as relações das crianças com a natureza e a cultura. Já para o bate-papo sobre os tipos de parto, incluindo o papel do pai neste processo, abordando também o período puerpério — tempo de resguardo para a mulher após o parto — e a primeira fase de chegada do bebê, o obstetra Hemmerson Magioni terá a companhia da mentora de mulheres Daniela Gusmão e da consultora em aleitamento materno Ana Clara Magalhães.
“A proposta do Maternar é ser um evento amplo, com discussões voltadas não apenas para gestantes, mães ou pais, mas que aborda temas sobre diversidade, sobre um olhar diferenciado para a infância e como lidar como uma criança, mesmo para quem não tem filhos, mas entende que tem um papel na formação das crianças na medida em que interage com elas em qualquer espaço. Essa é a proposta do Maternar: envolver o maior público possível, fazer com que o maior número de pessoas entenda que educar é cuidar do futuro como sociedade”, complementa Maira Fonseca.
Serviço: 2º Festival Maternar
Onde. Instituto Nascer (Av. Raja Gabaglia, 665 - Cidade Jardim) e atividades online
Quando. Dias 5 e 6 de novembro
Quanto. Todas as atividades são gratuitas, mediante inscrição prévia pelo site www.festivalmaternar.com.br
Foto: GLIN+MIRA / Divulgação
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