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Encontro Estadual da Afromineiridade marca história no Palácio das Artes

Evento levou pela 1ª vez uma série de manifestações culturais afro do interior mineiro ao palco

Um divisor de águas para a cultura popular afromineira. Assim pode ser classificado o 1o Encontro Estado de Afromineiridade, realizado nesse sábado (31), que levou, pela primeira vez, diversas manifestações culturais afro para um dos maiores e mais importantes palcos do país, o Grande Teatro Cemig Palácio das Artes, em Belo Horizonte.

O evento realizado pela Secretaria de Estado de Cultura e Turismo (Secult), com o apoio da Fundação Clóvis Salgado e do Conselho Estadual de Política Cultural, integra as ações do Plano Descentra Cultura Minas Gerais, que objetiva municipalizar e democratizar o acesso aos bens e serviços da Cultura, com base nas diretrizes estabelecidas no Plano Estadual de Cultura, valorizando artistas, trabalhadores e trabalhadoras da Cultura, estimulando a geração de emprego e renda, com atenção especial à cultura popular e tradicional do estado.

No palco, uma série de apresentações artísticas gratuitas de Grupos de Congado, Capoeira, Terreiros, Samba, Batuque e Hip Hop, entre outros. Foram 10 apresentações de grupos, todos de diferentes regiões do interior de Minas Gerais.

Presente no evento, o secretário-geral do Governo de Minas Gerais, Mateus Simões, parabenizou a realização do evento e afirmou que quando se fala em afromineiridade, não há representação mais obvia e legitima que o Congado. “Seja na região dos vales, no nordeste mineiro, no norte, no triângulo, na zona da mata, no sul de minas, vamos encontrar a tradição presente em todo o estado. O congado é uma manifestação religiosa e, de alguma forma um espetáculo cultural, sim. Mas ele é essência do que é ser mineiro. Uma mescla e uma síntese de tudo aquilo que é o Brasil. É um orgulho receber o congado no palco do palácio das artes”, ressaltou.

Já o subsecretário de Cultura da Secult, Maurício Canguçu, ressaltou a importância do evento para a cultura mineira. “Se pensarmos que há 100 anos essa comunidade era marginalizada e hoje estamos aqui nesse símbolo do estado de Minas Gerais, o Palácio das Artes. E eu como artista, me emociono, sei da importância e do sinal que estamos passando para a sociedade receber esse evento, em um dos principais palcos do país. Estamos abrindo essa conversa para dar voz e vez, para criarmos uma agenda de oportunidades, discutir possibilidades, inserir a afromineiridade nas políticas públicas de cultura e reconhecer a importância dela”, pontou.

O idealizador do evento, Adriano Maximiano da Silva, titular da cadeira de Culturas Afro-brasileiras do Conselho Estadual de Política Cultural – Consec, enfatizou que o evento é apenas um único espetáculo. “É a presença de uma ancestralidade no maior palco de Minas Gerais. É a celebração de algumas políticas culturais tratadas junto com a Secul, e estamos nessa festa, com mais 10 apresentações com grupos do interior de minas, todos os segmentos da cultura afro”, disse.

Um dos artistas a se apresentar, o cantor e compositor Nego Moura, afirmou que o encontro chancela o que deveria ter há muito tempo. “Que é os negros ocuparem os seus lugares por direito, pois o Brasil é um país miscigenado, onde a maioria da população é negra, mas ainda sofre pelo preconceito, as religiões de matrizes sofrem. Então, a ocupação de um espaço como esse é um divisor de águas para a cultura popular afromineira”, opinou.

Durante a abertura do evento, o presidente do Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais – Iepha, Felipe Pires, anunciou que a instituição realizará, em breve, um cadastros das manifestações culturais afromineiras, como terreiros, por exemplo, e outras atividades, para serem inseridos em políticas públicas voltadas para a cultura em Minas Gerais.

Foto: Divulgação

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