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"Afetos em rede" é o tema da 21ª edição do Festival Estudantil de Teatro (FETO)
Com patrocínio do Instituto Unimed-BH, um dos mais longevos festivais estudantis de teatro completa 21 anos de atividades ininterruptas e uma agenda toda online, com obras inéditas criadas para as plataformas digitais, além de oficinas, lives e webnário.
De 5 a 13 de novembro acontece a 21ª edição do Festival Estudantil de Teatro. No ano em que chega à maioridade, um dos mais longevos e importantes eventos nacionais na área de artes cênicas e educação, experimenta mais uma edição online. A programação de 2021 traz oficinas, lives, webnário e uma mostra de trabalhos artísticos inédita, em formatos diversos (cenas curtas, websérie, podcast, performance, leitura dramática, formatos híbridos etc.). As propostas artísticas seguem, entre outros critérios de seleção, os protocolos de isolamento e/ou distanciamento social. Na abertura, dia 5 (sexta-feira), os fundadores do Feto - Bárbara Bof e Byron O’neill, e ainda Eliezer Sampaio (15 anos à frente do festival) - dividem com o público histórias e debatem sobre a importância da permanência de um festival de teatro estudantil como o FETO. A mesa “Um caminho a muitas mãos” começa às 19h, ao vivo, sob mediação de Naiara Jardim. O público acompanha as transmissões e exibições do festival pelo Facebook, Instagram e YouTube @FETOteatro. Mais informações: https://fetobh.art.br/.
Nesta 21ª edição, o tema escolhido foi “Afetos em Rede”. “Essa é uma das principais características do festival desde o seu nascimento em 1999”, diz Bárbara Bof, idealizadora e criadora do FETO. Ela conta que “o festival foi idealizado para ser um lugar de afeto, apoio, encontro, feito verdadeiramente para os estudantes. Há alguns anos afastada da organização, a produtora afirma que “em outros tempos era inimaginável pensar uma edição totalmente virtual, sem palco, sem troca”. Para ela, o festival resiste há décadas, porque foi criado “com o desejo de experimentar e de dar visibilidade e espaço para as pessoas em fase de formação, reconhecendo as diferentes vozes espalhadas pelo país. É impossível pensar a construção e evolução de qualquer processo que não inclua outras gerações”, conclui.
Para Valentina Vandeveld, coordenadora da 21ª edição, “apesar de seguirmos em meio à pandemia e ao isolamento, agora temos vacina e uma ponta de esperança”. Mas adianta que nesta edição, “ainda vamos continuar no distanciamento e na virtualidade por acreditar que é cedo para uma reunião de pessoas do porte do FETO. Os afetos seguem em rede, potentes o suficiente para mais um ano, quando a gente possa se encontrar e se abraçar em segurança”, afirma.
Para esta edição foram selecionados 21 experimentos com pontes entre o teatro e as ferramentas digitais, que ainda estão no papel ou em fase de desenvolvimento. “A maioria das propostas veio por escrito, ainda são uma ideia do que virá. Mas uma coisa que dá para perceber é a aproximação com o cinema e o documentário. As pessoas já estão manipulando com mais propriedade essa materialidade do audiovisual e experimentado mais, com menos preocupação de acertar ou errar”, observa a atriz e professora de teatro Gláucia Vandeveld, que assina a curadoria do FETO ao lado de Michelle Sá e Carlandreia Ribeiro. Ela acrescenta que “no ano passado existia a preocupação se era teatro ou não era teatro. Mas agora nosso pensamento é manter os artistas em processo de criação”, diz.
Para a seleção das propostas foram considerados os seguintes critérios: atualidade (trabalhos que dialogam ou foram adaptadas durante a pandemia para o virtual); criatividade e possibilidades artísticas; relevância temática (pautas sobre raça, gênero, LGBTQIA+, questões indígenas); diversidade de linguagem; distribuição regional e trabalhos nas periferias; representação do Ensino Público e urgência (processos interrompidos pela pandemia).
Os selecionados estão inseridos nas modalidades: criações de minuto (propostas de até 2 minutos para feeds do Instagram), experimentos cênicos (propostas de 3 a 10 minutos para o Youtube) e Fazendo ao Vivo (que contempla trabalhos realizados no período de isolamento social, com até 50 minutos, transmitidos em tempo real, no canal do FETO). “O feminismo, as questões da negritude e invisibilidade das mulheres negras, das indígenas, são temáticas recorrentes nas últimas edições. Uma nova esse ano foi a de saúde mental. Por essa pandemia ter durado muito além do que a gente podia imaginar, muitos estudantes, professores e artistas viveram situações de adoecimento. A imigração foi outra novidade também. Em um dos trabalhos temos vozes de imigrantes da Venezuela”, acrescenta Gláucia Vandeveld.
Além de resenhas diárias dos jornalistas e críticos teatrais Soraya Martins e Bremmer Bramma, os trabalhos inéditos também serão comentados por convidados como Nina Caetano, Sara Rojo e outros, durante os Olhares - tradicionais bate-papos e rodas de conversa, que nesta edição, ocorrem mais uma vez no modo virtual. Serão, ao todo, quatro rodas de conversa, via zoom, para a categoria Teatro na Escola, e outras quatro abertas ao público, na categoria Escola de Teatro.
Já as lives de bate-papo integram a Mostra Memória LAB., uma programação de aquecimento do FETO, já em andamento, realizada com recursos da Lei Aldir Blanc, que propõe ao público uma viagem no tempo a partir da exibição de dez trabalhos apresentados em edições anteriores. “O objetivo é levar um pouco da história de resistência do festival para as novas gerações. Neste ano, nos voltamos para espetáculos que fizeram passagens marcantes pelo FETO e que dialogam com o panorama dessa história de 21 anos, pensando também na diversidade das regiões do Brasil e nos diferentes anos de apresentação das peças”, explica Cristiano Diniz, que faz parte da equipe de curadoria. A Mostra conta também com oficinas, e ainda, um webnário com participação de Zahy Guajajara (MA) e Lilly Baniwa (AM), realizado em parceria com a Plataforma TePI – teatro e povos indígenas.
As oficinas também serão realizadas virtualmente, via zoom. A Oficina Marketing de conteúdo e Redes Sociais, ministrada por Mateus Carneiro (Sabará) e Giovanna Heliodoro (BH), propõe usos e apropriações das redes sociais por parte dos usuários, na construção da identidade, visibilidade, vigilância e privacidade. Já a Oficina Projeto de Encen[ação], com Camila Vendramini, Júlia Camargos e Manu Pessoa, pretende trabalhar a encenação de forma prática através de experimentos com texto, exercícios de composição, debates e compartilhamentos das materializações artísticas. A oficina de Contação de Histórias da Cia Bando traz o compartilhamento de narração de histórias, com práticas e discussões sobre temas presentes em contos na escrita feminina e negra de Cidinha da Silva.
Luisa Monteiro, produtora do Grupo Maria Cutia de Teatro (BH/MG), oferece a Oficina de Produção Cultural - Planejamento, execução e trocas - Desafios da trajetória do teatro de grupo. Luisa traz um espaço de compartilhamento de sua experiência de mais de 10 anos à frente da produção da companhia, passando por aspectos da formação e do ofício do produtor em um grupo ou coletivo de teatro. E por último, os educadores Charles Valadares e Raysner de Paula ministram a Oficina Teatro e educação em tempos de ensino remoto: Partilhas sensíveis entre educador_s. Em um espaço de convívio virtual criativo para educadores, propõem exercícios das potencialidades imaginativas por meio da vivência, partilha e reflexão de práticas artísticas e inventivas, mediadas por tecnologias de comunicação.
E para encerrar, no dia 13 de novembro, o tradicional Cafeto traz, sob mediação de Michelle Sá, o tema Formação em teatro hoje - novas práticas de ensino, com Karina Figueiredo (MT), Fredda Amorim (MG), Marcos Clóvis Fogaça (SP) e Onisajé (BA). “A proposta é refletir sobre os caminhos e práticas do ensino teatral nas escolas. O que as escolas de teatro têm repensado diante de tantas pautas urgentes e vozes emergentes? Como têm se preparado e se organizado para rever o pensamento eurocêntrico, trazendo um olhar decolonial para a formação? Quais instituições hoje propõem metodologias e processos criativos que expandem o campo do conhecimento, com reflexões sobre diversidade de classe, etnia, gênero?”, explica Michelle Sá.
Com ações mediadas pelas telas, o alcance do Festival ganha mais uma vez outra dimensão na 21ª edição, além de tornar possível discussões sobre as práticas, resistências e desafios da formação em Teatro fora dos eixos, com profissionais de outras regiões brasileiras. “Se fosse presencial, talvez não pudéssemos contar com essas pessoas por questões de agenda e logística”, completa Gláucia Vandeveld.
Ainda sobre as possibilidades trazidas pelo digital, Cris Diniz, que também está na coordenação técnica do FETO, acrescenta que “este ano estamos mais conscientes de como fazer um evento online, muita coisa caminhou do ano passado para esse ano. Entendemos o que funciona mais, o que funciona menos, onde erramos, onde acertamos, e com isso acho que está mais fluido do que no ano passado. Temos mais segurança de por onde caminhar, que software usar, como estar nas plataformas”, afirma. O FETO tem o patrocínio do Instituto Unimed-BH (@institutounimedbh) por meio do incentivo de mais de 5,2 mil médicos cooperados e colaboradores da Unimed-BH, via Lei de Incentivo à Cultura.
SOBRE O FETO
O FETO – Festival Estudantil de Teatro existe desde 1999, em Belo Horizonte, com a finalidade de valorizar, visibilizar e fomentar o teatro nas escolas, universidades, cursos livres e técnicos, de todo o país. O Festival também busca estimular a reflexão e o debate sobre o teatro estudantil e o universo da cena como um todo, bem como a formação de público, além de democratizar o acesso à cultura por meio de atividades destinadas a várias esferas da sociedade.
O FETO não é uma mostra competitiva e não possui premiações. É um festival que está na sua 21ª edição e que ano após ano, sobreviveu às dificuldades encontradas pela cultura no país. Isso só é possível porque o FETO é construído de forma coletiva pela Associação No Ato, grupos e artistas selecionades, instituições participantes e parceires de longa data.
SOBRE INSTITUTO-UNIMED-BH
Associação sem fins lucrativos, o Instituto Unimed-BH, desde 2003, desenvolve projetos socioculturais e ambientais visando a formação da cidadania, estimular o bem-estar e a qualidade de vida das pessoas, ampliar o acesso à cultura, valorizar espaços públicos e o meio ambiente. Ao longo de sua história, o Instituto destinou cerca de R$140 milhões por meio das Leis municipal e federal de Incentivo à Cultura, viabilizado pelo patrocínio de mais de 5,2 mil médicos cooperados e colaboradores. No último ano, mais de 7 mil postos de trabalho foram gerados e 3,9 milhões pessoas foram alcançadas por meio de projetos em cinco linhas de atuação: Comunidade, Voluntariado, Meio Ambiente, Adoção de Espaços Públicos e Cultura, que estão alinhados aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Agenda 2030. Neste ano, todas as iniciativas do Instituto celebram os 50 anos da Unimed-BH. Clique aqui e conheça mais sobre os resultados do Instituto Unimed-BH.
SERVIÇO
FETO 21ª edição – Programação Toda Online
5 a 13 de novembro
- Mesa de abertura: 5 de novembro, sexta-feira, às 19h
Com Bárbara Bof, Byron O’neill e Eliezer Sampaio (Ao vivo, Youtube)
- Mostra de Trabalhos Inéditos e Rodas de Conversa
- Mostra Memória (espetáculos de edições anteriores), lives de bate-papo (ao vivo) e oficinas
- CaFETO - uma roda de conversa sobre Formação em teatro hoje - novas práticas de ensino com Karina Figueiredo (MT), Fredda Amorim (MG), Marcos Clóvis Fogaça (SP) e Onisajé (BA). Mediação de Michelle Sá
Plataformas: YouTube, Zoom e Instagram ||
Mais informações sobre o festival: https://fetobh.art.br/
Foto: Jaoa De Mello
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