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Estreia solo “Partida” com a palhaça Adriana Morales

Novo trabalho do Grupo Trampulim é resultado do prêmio Novas Dramaturgias e celebra, no palco do Teatro Francisco Nunes, os 25 anos de trajetória da artista

No dia 12 de novembro, sábado, a partir das 20h, estreia o solo “Partida”, nova montagem do Grupo Trampulim que celebra os 25 anos de trajetória da artista Adriana Morales, no palco do Teatro Francisco Nunes. Em cena, Benedita Jacarandá, uma palhaça em fuga, que escapa para não morrer claustrofóbica, presa no armário de sua criadora Adriana, a mulher mais forte do mundo. O espetáculo propõe ao público um embate existencial, com requintes tragicômicos, no qual a criatura quer provar seu valor a qualquer custo. A direção é de Tiago Mafra. A temporada acontece nos dias 12, 13, 17, 18, 19, 20, 25, 26, 27 e 30 de novembro, 1º e 3 de dezembro, às quartas, quintas, sextas e sábados, às 20h, e domingos às 19h. Duração: 60 min. Classificação indicativa: 12 anos.

Os ingressos custam R$15 e R$7,50 (meia) e estão à venda pela plataforma diskingressos.com.br ou na bilheteria do teatro, até duas horas antes do início da sessão. A montagem deste espetáculo conta com recursos oriundos do edital Novas Dramaturgias em Cena, da Fundação Municipal de Cultura.

Momentos antes de Benedita Jacarandá pegar seu avião para Miami Bitch, resolve expor, em cena, todos os podres de Adriana sem dó, nem piedade. Os detalhes íntimos de uma mulher são revelados: suas perdas, mentiras, enganos, abusos, verdades: escombros de uma artista, que nas mãos da palhaça, tornam-se triunfos. “O público vai ver em cena esse encontro entre uma mulher que toma a decisão de não trabalhar mais com a palhaçaria e dessa palhaça ganhando vida, se separando de sua criadora, porque entende que precisa existir e estar em cena”, explica Adriana Morales. A artista adianta que o espetáculo é muito mais do que uma fuga. “Partida tem a ver com parto, com morrer, com estar partida, com as dualidades da vida. Partida significa tudo o que quero falar, e que tem me atravessado em todas essas camadas do partir”, explica a palhaça e diretora do Grupo Trampulim, Adriana Morales.

Apesar de chegar a público somente agora, a artista adianta que o espetáculo, de certa forma, já estava pronto. “Há muitos anos venho refletindo e experimentando. O Trampulim sempre trabalhou com vários palhaços em cena. À medida que me aprofundava na linguagem, comecei a perceber como o riso me atravessava, do que acho graça”, explica. A atriz conta ainda que ao criar cenas solos para projetos que envolviam somente mulheres, descobre uma forma própria de dramaturgia. “Muito tem sido estudado e catalogado sobre a comicidade feminina. Isso me estimula a transformar essa outra forma de fazer em espetáculo e ver como isso pode atravessar o público”, relata.

O solo começou a ser gestado em 2009, quando Adriana sofreu um aborto. Dessa experiência de luto, nasceu um número durante uma oficina de palhaçaria e, logo depois, o desejo de transformá-lo em espetáculo. “Benedita é autobiográfica. Foi muito forte perceber ao longo da minha trajetória como esse material é potente. É uma escolha usar da minha biografia e história para criar um espetáculo: meus questionamentos, minhas emoções. Significa cura. Benedita também é medicina para Adriana Morales”, conclui.

Ao longo do espetáculo, Adriana Morales e Benedita Jacarandá compartilham com os espectadores detalhes sórdidos dessa relação simbiótica. Ou seria parasitária? “Benedita é uma levantadora de véus. Ela traz para a cena verdades da Adriana de uma forma cômica. E dela mesma. É justamente esse grande perguntar até onde vai uma figura e começa a outra”, reflete.

Antes de partir, Benedita abre acidentalmente o portal da memória: uma mala cheia de objetos e histórias que além de boas risadas, prometem emocionar. “Também vivi perdas recentes, a morte do meu pai, escolhas de vida: experiência na roça. É um trabalho sobre a dor de fechar um ciclo, sobre continuar viva e, também, sobre o medo de seguir. Quando conto as despedidas que vivi, os sentimentos que me despertam e compartilho isso com o público, ele acaba se emocionando. Quem nunca se despediu de algo, quem nunca se atirou num grande desafio?”, contextualiza.

Até a estreia, Adriana conta que os desafios ainda são muitos. “Tive um tempo muito curto para organizar todas as vontades. E fazer isso morando na roça é algo novo e desafiador. Para o palhaço existir, ele precisa do público, nem que seja o colega de contracena. Aqui tenho grilos, galinhas e árvores” (risos). Durante o processo de criação, o olhar de fora tem sido do companheiro de Trampulim e vida, Tiago Mafra, que assina a direção. “Uma experiência, ao mesmo tempo, maravilhosa e complexa. Percebemos como é importante o olhar de alguém que não me conhece também. Porque a gente pode cair num lugar de conforto, como tudo na vida: o que achava que ia dificultar, facilitou. As descobertas desses lados e do que existe entre os opostos, é onde moram os tesouros da criação de ‘Partida’ ”, afirma.

O palhaço Tiago Mafra conta que desde os primórdios do grupo ele e a companheira Adriana se autodirigem. “Mas sempre trabalhando os dois em cena. Pela primeira vez, eu estou somente como diretor e ela como palhaça. Estamos redescobrindo o processo de criação. O principal desafio é ter o olhar de distanciamento, porque a gente divide tudo: os filhos, a casa, o trabalho. Mas por conhecê-la muito, consigo provocá-la em lugares que a gente nem esperava chegar”, diz.

Em “Partida”, Chaya Vazquez e Tiago Bra assinam a trilha sonora e a iluminação está à cargo de Flávia Mafra. O Figurino e cenário são de Ricca Costume. “O Armário ainda está em construção e será uma surpresa para o público. Durante o processo criativo já passamos do tradicional para a metáfora de algo fechado e como um lugar de descanso. Por enquanto estamos ensaiando com um trocador que abre e fecha”, adianta.

Perguntada se de fato quer colocar a Palhaça no Armário, depois de tantos anos de experimentos e descobertas, Adriana responde: “Vamos dizer que já pensei por alguns segundos em colocar a Benedita no armário. Como sou muito dramática, peguei esse segundo e transformei em uma grande existência, em um espetáculo. Ele é um grande drama. E se quisesse colocar no armário? Está tudo bem. Coloco e depois eu tiro. (risos). Vai significar o fim de algo, mas o início de outras coisas. Acho que colocar no armário tem a ver com essas dúvidas, se está no caminho, se ainda tem que estar ali, se tem que guardar. É um respiro para o que virá”.

FICHA TÉCNICA

Atuação, dramaturgia e concepção: Adriana Morales

Direção: Tiago Mafra

Trilha sonora: Chaya Vazquez e Tiago Bra

Iluminação: Flávia Mafra

Cenário e Figurino: Ricca Costume

Coordenação de Produção: Bela Leite

Filmagem: La Loba

Fotografia: Tamás Bodolay

Criação gráfica: Leonardo Avelar

Produção de Textos: Poliana Tuchia

Assessoria de Imprensa: Beatriz França – Rizoma Comunicação e Arte

Assessoria de redes sociais: Maria Teresa Moreira

SERVIÇO: Estreia do solo “Partida” com Adriana Morales
12, 13, 17, 18, 19, 20, 25, 26, 27 e 30 de novembro, 1º e 3 de dezembro
quartas, quintas, sextas e sábados, às 20h, e domingos às 19h
Teatro Francisco Nunes (Av. Afonso Pena, 1321 – Centro)
Duração: 60 min. | Classificação indicativa: 12 anos.
Ingressos: R$15 e R$7,50 (meia)
Venda pela plataforma diskingressos.com.br ou na bilheteria do teatro, até 2 (duas) horas antes do início da sessão.

A montagem deste espetáculo conta com recursos oriundos do edital Novas Dramaturgias em Cena, da Fundação Municipal de Cultura.

EXTRAS

SOBRE ADRIANA MORALES

Palhaça, diretora e pesquisadora da comicidade, desde 1998. Como diretora do Grupo Trampulim, montou 18 espetáculos, circulou por todo Brasil, além de uma turnê pelo Canadá. É coordenadora do núcleo de pesquisa “Palhaçaria: percurso afetado”, que investiga a linguagem da palhaçaria através de encontros, mostras e oficinas, “O Jogo do Palhaço”, entre outras ações de formação artísticas. Assinou a direção artística de espetáculos e companhias, como Cabaré das Divinas Tetas, CIA Circunstância; Banda Sagrada Profana; Coletivo de Palhaças, Grupo Farroupilha. Assinou a dramaturgia de espetáculos do Grupo Trampulim, além do último espetáculo do Grupo Circo do Sufoco, com direção de Chico Pelúcio. Foi premiada através do edital de dramaturgia, Novas Dramaturgias em Cena, em 2022.

SOBRE GRUPO TRAMPULIM

O Grupo Trampulim é reconhecido por sua maneira autêntica de se comunicar com o público. Criado em 1994 dentro da Spasso – Escola Popular de circo, o grupo passou por diversas fases, mantendo-se sempre leal ao compromisso com a criação e o riso. Seus espetáculos revelam uma relação direta e verdadeira com a plateia e refletem a diversidade da formação dos seus integrantes que, ao trazerem questões comuns ao circo, teatro, música e improvisação, desenvolve uma linguagem genuína, cujo foco é a pesquisa incansável do ofício do palhaço e suas diversas linhas de trabalho. Durante seus 28 anos de existência, o grupo criou dezoito espetáculos e mantém cinco em seu repertório, além de oficinas de formação, vasta circulação nacional e duas inserções no mercado internacional – Canadá e Portugal. Conquistou prêmios expressivos nas áreas de circo, teatro de rua e artes cênicas e realizou, em Belo Horizonte, duas edições do festival ÍMPETO – Invasão Mundial de Palhaços e Todos os Outros. Em 2016 o grupo participou do projeto de circulação nacional Palco Giratório, realizado pelo SESC Nacional, circulando por 31 cidades de onze estados brasileiros.

Foto: Bruno Magalhães

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