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cAsA – OBRAS SOBRE PAPEL ENCERRA EXPOSIÇÃO “GRASSMANN: DO DESENHO À GRAVURA” NESTE SÁBADO, 3/11
MOSTRA TRAZ 41 OBRAS DO GRAVADOR E DESENHISTA MARCELO GRASSMANN
Últimos dias para visitar a mostra “Grassmann: do desenho à gravura”, na cAsA – Obras Sobre Papel. Em cartaz até este sábado, 3 de novembro, a exposição traz 14 impressões de matrizes em metal, 12 xilogravuras e 15 desenhos, um recorte que traz um amplo panorama do legado do gravador e desenhista Marcelo Grassmann (1925-2013).
“Conhecido principalmente pela força de suas gravuras em metal, Marcelo Grassmann se estabeleceu como uma referência entre os gravadores no Brasil. Era um artista atuante e generoso, que não escondia suas técnicas e muito menos seu trabalho”, pontua o curador da mostra, Alê Fonseca, fotógrafo, gravador e um dos idealizadores da cAsA – Obras Sobre Papel. De traço livre e despojado, o artista deixa obras integradas a um universo mítico e arcano, presenteando o público a figuras de damas, monstros, cavaleiros, cavalos, entre outros.
“Grassmann lutava para que a fluidez de sua inventividade e de seu desenho chegasse às matrizes e cópias de suas gravuras, preservando os atos da mão do gravador e instigando o observador ao pensamento do desenhista. Com o tensionamento do espaço entre as duas práticas artísticas, ele consegue tirar o melhor de cada técnica, aliando a fluidez do traço de desenhista com a densa e profunda materialidade plana da gravura”, observa Alê Fonseca. O curador ainda chama a atenção para o fato de que a prensa de Grassmann foi feita em Belo Horizonte, por Antal Schober, sogro do artista e que dá nome a uma rua do bairro Indaiá, na região da Pampulha.
A exposição na cAsA – Obras Sobre Papel se inicia com os 15 desenhos, completamente inéditos para o público mineiro. “O conjunto, bastante representativo de sua última fase, é uma riquíssima demonstração da potência de seus traços, as manchas e a busca por variações, sobretudo na imaginação, por onde Grassmann reengendrou com muito frescor seus personagens. É o embate entre o grotesco e o sublime”, define George Rembrandt Gutlich, professor adjunto de Gravura em Metal na Escola de Belas Artes da UFMG.
Na sequência, a exposição revela a seleção de gravuras, o que permite ampliar a compreensão sobre suas técnicas e seu imaginário. Por fim, estão expostas as impressões das matrizes em metal, confrontando a ação direta da mão sobre o papel às imagens estampadas. “Por esta aproximação, pretende-se apresentar a ideia e o labor manifestados em diferentes suportes e, desta forma, como se estabelece uma unidade no conjunto da obra”, diz Gutlich.
Amigo próximo de Grassmann, Gutlich relata que o artista refletia constantemente sobre a função do desenho em sua obra, sobre a hierarquia do que comandava, a ideia ou a mão – em seu arcabouço de lembranças, passeavam tanto o expressionismo alemão quanto às lições apreendidas com primorosos artesãos italianos. “O desenho, no entanto, comandava a imaginação florescente. E deveria ser tortuoso. Em consonância à sua própria opinião, fazia brotar linhas serpenteantes de muitas espessuras, por onde seguiam as aguadas em sépia. O contato do crayon no papel, por sua vocação plástica, evocava atmosfera pictórica do sfumatto, no desafio constante de opor planos a modelados”, descreve ele.
Grassmann ainda associava referências aparentemente antagônicas em sua obra, de exemplos da arte contemporânea ao ofício silencioso. “Com isto, compôs um repertório único, fugiu dos modismos e se afirmou por um repertório antes universal que local, pela vastidão de seu pensamento”, descreve Gutlich.
SOBRE O ARTISTA
Marcelo Grassmann nasceu em São Simão (SP), em 1925. O artista se estabeleceu como referência entre os gravadores brasileiros, principalmente pela força de suas gravuras em metal e xilogravuras, mas também trabalhou com desenhos, ilustrações e litogravuras. Teve influência de Oswaldo Goeldi, Lívio Abramo e Gustavo Doré, além de ter frequentado academias no Rio de Janeiro, em Viena e em Paris. Sua temática inicial era marcada por arabescos, mas, posteriormente à série “Cavaleiros noturnos” (1949), passou a visitar o universo fantástico e medieval, com figuras como heróis e cavaleiros, damas e sereias, harpias e demônios. Participou de duas exposições coletivas no Museu de Arte da Pampulha, na 1ª Exposição da Jovem Gravura Nacional, em 1965, e no 21º Salão de Belas Artes, em 1966; além do 1º Salão Global de Inverno do Palácio das Artes em 1973. Recebeu sua primeira e única individual em Belo Horizonte, até o momento, na Escola Guignard, em 1977.
Foto: Marcelo Grassman
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