Notícias

Hoje, o Conto Sete em Ponto online celebra o Dia do Saci, a ser comemorado no domingo (31), com histórias sobre esse personagem icônico

Vão participar do encontro a ser transmitido no YouTube e no Facebook da Aletria, a contadora de histórias Eni Taveira e o escritor, e criador da Sociedade de Observadores de Saci, Mouzar Benedito

O Conto Sete em Ponto Online desta quinta-feira (28), às 19h, vai homenagear um dos personagens mais icônicos da literatura brasileira infantil: o saci. Mas é sabido que ele surgiu e se difundiu primeiro nos relatos populares, protagonizando diversas travessuras. Com seu cachimbo e gorro vermelho peculiares, o saci é indiscutivelmente brasileiro, e ganhou mais visibilidade por meio do trabalho do escritor  Monteiro Lobato (1882-1948).

Neste domingo (31), celebra-se o Dia do Saci e será dedicada a ele esta edição do Conto Sete em Ponto Online cujo tema é “Tempo de Saci”. Vão participar do encontro, que é transmitido no YouTube e no Facebook da Aletria, a contadora de histórias Eni Taveira, e o escritor, e criador da Sociedade dos Observadores de Saci, Mouzar Benedito.

Os dois convidados serão recebidos pelos apresentadores e curadores Rosana de Mont’Alverne, Zé Bocca e Marcelino Ramos Xibil. Fundadora da Aletria Editora e idealizadora do Conto Sete em Ponto, Rosana recorda que o saci é um mito que reflete muito da configuração da cultura brasileira.

“Ele é um personagem negro, e isso traz a representação dos povos africanos que vieram ao Brasil para serem escravizados e trouxeram consigo sua cultura, que foi fundadora do nosso país. Já o cachimbo é uma referência aos indígenas, um povo originário das nossas terras. E o barrete vermelho é uma referência à cultura portuguesa”, resume a escritora, tradutora e contadora de histórias.

Foi Monteiro Lobato quem contribuiu para uma sistematização dos relatos sobre o saci, reunindo um material a partir de um inquérito lançado no jornal “O Estado de S.Paulo”. O escritor recebeu cartas de leitores de todo o país e com esse material construiu seu primeiro livro: “O Sacy-Pererê: Resultado de um Inquérito”, publicado em 1918.

“Daquele momento em diante, ele inseriu o saci na sua obra literária, popularizando ainda mais esse mito. Depois, a Rede Globo, com o “Sítio do Picapau Amarelo” também se encarregou bastante em difundir a imagem do saci”, contextualiza Rosana.

Ela revela que o saci é um personagem muito querido da Aletria, que, inclusive, lançou uma campanha em 2014, quando o Brasil sediou a Copa do Mundo, para fazer do saci o mascote do evento. “Nós fizemos bottons, marcadores de texto, e essa campanha ficou conhecida no Brasil todo”, recorda a editora.

Rosana também ressalta que a ideia de celebrar o Dia do Saci é uma forma de valorizar a cultura brasileira, diante do movimento crescente de comemoração do Halloween, uma festa importada, principalmente, dos Estados Unidos.

“Nós queremos lembrar a todos que o dia 31 de outubro é o Dia do Saci. E muitos estudantes pesquisam os mitos gregos, romanos e até nórdicos nas escolas, mas, às vezes, se esquecem do saci, que é um mito primordialmente brasileiro”, conclui Rosana.

Serviço:

Conto Sete em Ponto online: Tempo de Saci com Eni Taveira, Mouzar Benedito, Rosana de Mont’Alverne, José Bocca e Marcelino Ramos Xibil.

Nesta quinta-feira (28), às 19h

No YouTube e no Facebook da Aletria

Link da live: www.youtube.com/watch?v=M_wQuLJ16oY

Trajetória do Conto Sete em Ponto 

O Conto Sete em Ponto foi criado em 1998 por Rosana de Mont’Alverne, escritora, contadora de histórias e editora da Aletria, que integra o Instituto Cultural Aletria. O projeto estreou no auditório do Tribunal de Justiça de Minas Gerais, localizado na Rua Goiás, em Belo Horizonte. O sucesso foi imenso, o que estimulou a realização de dois concursos, respectivamente, em 2002 e 2005, que resultaram na publicação de dois livros: "Uma história para contar" e "Histórias que ouvi, histórias que vi: os casos inusitados e pitorescos da Justiça Mineira". Em seguida, o Conto Sete em Ponto teve uma temporada na Sala Juvenal Dias do Palácio das Artes até chegar à Biblioteca Pública Estadual Luiz de Bessa (atualmente chamada Biblioteca Pública Estadual de Minas Gerais).

O projeto foi realizado de 1998 a 2013, acontecendo presencialmente por 15 anos. Além de Belo Horizonte, o Conto Sete em Ponto também teve edições especiais em Nova Lima e em Ouro Preto, recebendo contadores de histórias não só de Minas Gerais, mas do Brasil e até do exterior. De lá pra cá, a iniciativa construiu uma trajetória de grande reconhecimento na capital mineira, contribuindo para a profissionalização de um ofício milenar. Seu objetivo também é divulgar a tradição oral dos povos e dos grandes autores da literatura nacional e estrangeira.

Desde o dia 27 de maio, o projeto retomou suas atividades na versão online, e quer ampliar ainda mais a sua cobertura, chegando potencialmente às casas de todos os mineiros e de todos os interessados em ouvir boas histórias no Brasil ou em qualquer parte do mundo.

 

Foto: MouzarBenedito_AcervoPessoal.

Selecionamos os melhores fornecedores de BH e região metropolitana para você realizar o seu evento.