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Negligenciadas, leishmanioses têm alta mortalidade, mas podem ser prevenidas
Especialista explica que a transmissão acontece por meio do vetor, um flebotomíneo – semelhante a uma pequena mosca que se reproduz em matéria orgânica
Caracterizada como uma doença complexa, de evolução crônica e alta letalidade, a leishmaniose acomete cerca de 1 milhão de pessoas ao ano no mundo, conforme estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS), e em torno de 20 mil casos acabam em óbito. Entre os anos de 2011 e 2020, o Brasil registrou mais de 33 mil casos da patologia, segundo o Ministério da Saúde.
“As leishmanioses são doenças negligenciadas de caráter zoonótico, ou seja, são transmitidas dos animais para os seres humanos. Possuem alta morbimortalidade, atingindo geralmente crianças menores de dez anos, adultos maiores de 70 anos e pessoas com imunodeficiência, incluindo portadores do vírus do HIV. Elas se apresentam em duas formas principais, a tegumentar e a visceral; a primeira é menos agressiva e pode se apresentar como cutânea, mucosa, mucocutânea e cutânea disseminada”, descreve o coordenador do curso de Medicina Veterinária da Estácio BH, o Professor Dr. Frederico Crepaldi.
O especialista explica que a transmissão acontece por meio do vetor, um flebotomíneo – semelhante a uma pequena mosca que se reproduz em matéria orgânica. “A transmissão acontece quando as fêmeas do flebotomíneo precisam realizar o repasto sanguíneo para completar seu ciclo reprodutivo e se alimentam do sangue de cães infectados, sugando parasitos presentes neste tecido. Dentro do inseto, o parasito se torna infectivo e no próximo repasto sanguíneo, que pode ocorrer em um ser humano, formas infectivas deste parasito são inoculadas, contaminando o segundo hospedeiro. Neste contexto, o cão realiza o papel biológico de reservatório natural da doença e o ser humano, o hospedeiro definitivo”, comenta.
Segundo o Professor Dr. Frederico Crepaldi, de 60 a 80% dos cães com leishmaniose são assintomáticos, o que pode levar o tutor a demorar para perceber que seu pet foi infectado. “Já os cães sintomáticos podem apresentar uma sintomatologia inespecífica, sendo as mais frequentes, perda de peso, inanição, onicogrifose (aumento das unhas), linfadenomegalia (ínguas pelo corpo), problemas de pele e insuficiência renal”, diz.
Para evitar a disseminação da doença são necessários diversos cuidados, como orienta o médico veterinário. “Devemos evitar acúmulo de matéria orgânica no peridomicílio, pois isso evita que o inseto se multiplique e espalhe o parasito. Os cães devem usar uma coleira com repelente e serem vacinados. Caso o cachorro seja infectado, o tratamento deverá ser realizado exclusivamente por médico veterinário especialista, que seguirá um protocolo específico de acordo com o estado do animal, principalmente da sua saúde renal. Cada caso deverá ser investigado e tratado de acordo com as suas particularidades”, finaliza.
Foto: Freepik
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