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Festival do Grupo Trampulim, 3º ÍMPETO continua neste fim de semana, com lives e espetáculos
Até dia 31 de outubro, evento vai oferecer 16 atividades gratuitas de palhaçaria, improvisação e música, linguagens que norteiam pesquisa do grupo; programação começou no dia 23 de outubro e se estende durante a semana.
Continua nesta semana a terceira edição do Festival ÍMPETO, do Trampulim, que vai até dia 31 de outubro, domingo. No fim de semana, serão realizadas duas lives com convidados especiais e quatro espetáculos, dois de convidados e dois do Trampulim. Além disso, durante a semana acontecem as oficinas artísticas, voltadas para um caráter mais formativo. Realizado pela primeira vez de forma online, devido à pandemia da Covid-19, a programação é gratuita e oferece, ao todo, 16 atividades com convidados do Brasil, Argentina, México e Peru.
Formado atualmente por Adriana Morales (Benedita Jacarandá), Tiago Mafra (Sabonete), Poliana Tuchia (Socorro), Chaya Vasquez (Conselhos) e Rafael Protzner (Alfinete) – e seus respectivos arquétipos saltimbancos –, há 26 anos o Grupo Trampulim mistura influências do teatro, da música, da improvisação, do circo e dos jogos lúdicos, inspirados por múltiplas essências artísticas. As referências vão da Commedia dell’Arte italiana ao improviso do maracatu, passando pelo Sistema Impro (de improvisação), criado pelo inglês Keith Johnson, sempre com foco em ampliar as possibilidades dos significados do que é ser palhaço –, um ofício que exige constante fluidez e adaptação na formação artística e pessoal.
De um lado, o casal Morales e Mafra, bem como Tuchia, se dedicam à pesquisa da linguagem corporal e dos arquétipos do palhaço, enquanto Protzner carrega uma robusta bagagem dos jogos de improvisação cênica e Vasquez, conhecida por conduzir nas ruas belo-horizontinas dezenas de blocos carnavalescos – incluindo o tradicional Bloco da Praia da Estação –, imbui ao universo circense os tambores graves do maracatu, em diálogo estreito com as práticas de improviso.
O improviso, aliás, é o estímulo principal desta edição do IMPETO. Após dois eventos realizados em 2007 e 2010, com sucesso de público nas ruas, agora as atividades têm o desafio de afrouxar as risadas à distância, sem deixar de explorar as potências das surpresas criativas. Através da essência do palhaço e de sua capacidade de improvisar diante às adversidades da vida corriqueira, o festival reflete as mudanças impostas pela pandemia, incluindo as alterações sobre as relações com o outro, as restrições de espaços físicos e os impactos sobre as perspectivas da nossa real felicidade, frente a tantas adaptações direcionadas à vida virtual.
“A possibilidade de troca de experiências, o amadurecimento do que tem sido feito e produzido para o formato virtual, o que se ganha e o que se perde enquanto artista e público: é tudo riquíssimo. Estamos num período de transição para o presencial e encaramos esta edição como o fechamento de uma etapa dura, que deixará marcas e que está sendo vencida. Será uma celebração da nossa sobrevivência, do nosso poder de adaptação, da força e da importância da arte para a humanidade”, explica Adriana Morales.
A ideia principal do ÍMPETO é que todas as pessoas, com ou sem experiência artística, possam participar ativamente da descoberta do que é ser palhaço – e como essa figura lírica, inocente e cômica, diz sobre as agruras, sonhos e contratempos da vida cotidiana. Por isso, as oficinas são abertas a todos os públicos, sem restrições. “A linguagem da palhaçaria é, em seu cerne, acessível e inclusiva. Não é à toa que muitos cursos de palhaço, talvez a maioria, não têm pré-requisito, apresentação de currículo ou comprovação de experiência. A palhaçaria é um jogo aberto para quem quer e se dispõe a jogá-lo. Por isso, não é raro vermos donas de casa, pedreiros, médicos, contadores, programadores revelando-se palhaços incríveis em oficinas e cursos de palhaçaria”, afirma Morales.
Mistura de linguagens
Ao todo, a 3ª edição do ÍMPETO vai ofertar 16 atividades, todas gratuitas, incluindo quatro oficinas concentradas em trabalhar a improvisação cênica e a dramaturgia do palhaço, todas ministradas pela plataforma Zoom. Entre elas, a “Oficina de Improvisação de Teatro para Iniciantes”, voltada para quem nunca teve contato com os palcos, e comandada pelo mexicano José Luis Saldaña, integrante do Grupo Complot/Escena, referência na improvisação teatral no México. Outro destaque é a oficina “O Improviso na Palhaçaria”, voltada aos primeiros passos e truques na descoberta do palhaço interior de cada um, e ministrada pela experiente atriz-improvisadora, palhaça e diretora teatral Rhena de Faria, que trabalhou como treinadora da Cia. Barbixas de Humor.
Além das oficinas temáticas, haverá apresentação, pelo YouTube, de oito espetáculos circense-teatrais, incluindo quatro peças do Grupo Trampulim. Entre os destaques, está “Pratubatê na Cozinha” (2021), uma adaptação para o universo virtual do clássico “Pratubatê”, espetáculo no qual os palhaços do Trampulim usam diversos tambores e convidam o público para batucar de casa, no improviso, como forma de readaptar o espetáculo original, em que cada pessoa da plateia recebe um tambor para participar do show. Também inspirados pela música, “Manotas Musicais” (2008) explora as múltiplas possibilidades de ser, com uma banda de palhaços que sonha em formar uma orquestra na qual os músicos são o próprio público.
Além de oficinas e peças, há um caráter essencialmente formativo dentro da 3ª edição do Festival. Por isso, o Trampulim convidou quatro mestres nacionais e internacionais da arte da palhaçaria, improviso e da música para participar de lives, a partir de um ambiente educacional, criativo e calcado na liberdade de improvisação, como é da essência do grupo. Haverá bate-papo com a diretora teatral Mariana Muniz, professora do curso de Teatro da UFMG e pesquisadora da Escola de Belas Artes; com o ator e educador Cláudio Thebas, pós-graduado em Pedagogia da Cooperação e palhaço com mais de duas décadas de bagagem artística e formativa; com o percussionista argentino Alejandro Oliva, integrante “La Bomba de Tiempo” e referência na improvisação por senhas; além de uma conversa com a renomada palhaça canadense Sue Morrison, que desde a década de 1980 forma palhaços no mundo inteiro. Uma das grandes referências do Trampulim, Morrison é responsável por desenvolver uma técnica de palhaçaria inspirada na filosofia dos índios norte-americanos, que acreditam em um ensinamento de rir do próprio ridículo, ao nos depararmos com as múltiplas possibilidades do nosso ser.
Grupo Trampulim
Criado em 1994 e direcionado à pesquisa sobre o ofício da palhaçaria a partir do improviso, o Grupo Trampulim acumula apresentações no Brasil e exterior, com passagens por Portugal e Canadá, somando atualmente 12 espetáculos no currículo. Nas ruas da capital mineira, a trupe é bastante conhecida, entre outros feitos, por praticar, desde 2006, a apresentação itinerante “Invasão de Palhaços”. Sem avisos prévios, de repente um grupo animado de palhaços desembarca em lugares comuns, como praças, mercados públicos, pontos de ônibus ou estações de metrô, e convida o público para um cortejo livre com o intuito de ressignificar esses lugares, munidos de brincadeiras, músicas, jogos e muitas risadas à base do improviso.
Este projeto é realizado com recursos da Lei Municipal de Incentivo de Belo Horizonte.
Trampulim apresenta 3º ÍMPETO - Invasão Mundial de Palhaços e Todos os Outros
Quando. Até 31 de outubro
Onde. Zoom, YouTube e Instagram
Quanto. Programação gratuita
Inscrições para oficinas. Site do Trampulim
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Foto: João Castilho
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