Notícias
TEM JAZZ NA GAFIEIRA
Na quarta etapa do Circuito Baile 2017, o grupo Senta a Pua recebe o saxofonista Breno Mendonça, numa proposta de intercâmbio entre gêneros e linguagens musicais
O Circuito Baile 2017 não para. Seguindo na vibração do Baile nº3, que em outubro lotou o CentoeQuatro, relembrando as noites dançantes de antigamente e a própria história do Senta a Pua, o grupo já parte para a quarta etapa do projeto. No próximo dia 4 de novembro, sábado, o grupo se apresenta desta vez tendo como cenário o charme e a tradição do Granfinos, espaço que antes abrigou o Tulipão, casa que por muitos anos foi referência em noites dançantes com música ao vivo em Belo Horizonte.
No Baile nº4 do Circuito Baile 2017, o Senta a Pua recebe como convidado especial o saxofonista Breno Mendonça, numa noite que promete ser de boas experimentações. Mendonça, que iniciou sua trajetória na música ainda menino, aos 12 anos, passou por bandas de baile e por mais que, com os anos, tenha seguido uma rota mais voltada para o jazz, nunca abandonou o espírito da música de baile, tendo experimentado a mistura dos ritmos que compõem o ambiente de gafieira em projetos diversos ao longo da carreira. No jazz, Breno é conhecido pelo virtuosismo e pela criatividade. Em 2013, foi consagrado como melhor instrumentista em 2013 pelo Prêmio BDMG Cultural, um dos mais importantes do país.
Em 2017, o Senta a Pua Gafieira chega aos 10 anos de estrada, com experiência acumulada, encontros e parcerias memoráveis e prêmio na bagagem. Motivo para comemorar, então, não falta. Para o Senta a Pua, essa celebração só poderia acontecer no palco, com muita música, convidando o público a soltar o corpo pela pista. Foi por isso que surgiu a ideia de promover um circuito dançante por espaços de shows de Belo Horizonte e que apropriadamente ganhou o nome de Baile – que é, também, nome do primeiro disco do grupo, lançado em 2014 e que em 2015 foi vencedor do Prêmio Marco Antônio Araújo, um dos mais importantes do país, como melhor disco instrumental. Ao todo, o Circuito Baile é composto por cinco shows até dezembro. Já foram realizados três bailes: Necup, em agosto; A Autêntica, em setembro; e CentoeQuatro, em outubro. O projeto é realizado com recursos da Lei Municipal de Incentivo à Cultura e conta com o patrocínio do Instituto Unimed-BH.
TRAJETÓRIA NA GAFIEIRA
Gafieira, por definição e origem, diz respeito do local onde as classes mais populares se reuniam para dançar. Há registros desses bailes, marcados por ritmos maxixe, samba e choro, ainda no fim do século XIX e a partir do início século XX, sendo bem comuns especialmente entre as décadas de 1930 e 1960. A essa altura, gafieira não significava tão e somente o local onde essas festas aconteciam, mas já era também um estilo de se divertir e de fazer música. A figura do bom malandro, a malemolência, as damas formosas e os cavalheiros de fina estampa, a sedução da dança, o gingado que é tão associado com a cultura brasileira ajudaram a povoar o universo ao redor do gênero. Para uns, esse ambiente remete a uma tradição carioca – mas também criou raízes fortes em Belo Horizonte em casas como Montanhez, Elite, Estrela, na zona boêmia da cidade, e, depois, na Nova Camponesa e no Tulipão, por exemplo.
Coincidência ou não, em 2007, o músico Rodrigo Torino estudava no Rio de Janeiro e já vinha maturando a ideia de formatar um projeto que se dedicasse ao som de gafieira. “Compus muito nessa época, inclusive canções que depois vieram a integrar o disco gravado em 2014. Quando voltei para Belo Horizonte, no final daquele ano, cheguei já com essa vontade de um grupo de gafieira, samba, choro, mas com mais pegada, com mais pressão, com baixo, bateria, metais, uma coisa mais arrojada. Eu tinha esse nome, Senta a Pua, na memória e achava que ele tinha a ver com o som que eu queria fazer, com uma música brasileira com suingue, dançante, mas sem ser aquele instrumental para iniciados”, relembra Torino, que contagiou colegas da escola de música da UFMG com a ideia e logo o grupo que se formou já estava tocando semanalmente em um bar e, depois, em um projeto que se criou em torno dessa proposta de resgatar o ambiente das gafieiras de outros tempos.
Nesses dez anos de história, o Senta a Pua contou com vários talentosos músicos da cidade. A formação atual reúne Rodrigo Torino (violão de 7 e direção artística), Ulisses Luciano (trompete), Danillo Mendonça (trombone), Pablo Malta (cavaquinho e guitarra baiana), Bruno Vellozo (baixo) e Gustavo Grieco (bateria). Todos músicos que se destacam na cena mineira. “Nós temos essa proposta de fazer uma música popular e dançante, que é também rica, um produto cultural com suingue, pegada e também com sofisticação”, avalia Torino.
CONVIDADO DA EDIÇÃO
Nascido em Juiz de Fora, Breno Mendonça começou a estudar música aos 12 anos de idade. Além de saxofonista, é produtor, compositor e professor com mais de 10 anos de carreira, Breno Mendonça é formado em saxofone e arranjo pela Bituca -Universidade de Música Popular e carrega em seu currículo prêmios como o de melhor instrumentista do BDMG Instrumental (2013) e a participação em festivais como o Valadares Jazz Festival, Savassi Jazz & Lounge, Pró-Jazz Festival, Spazio Caffé Jazz Festival e o Caminhos Verdes Jazz Festival. Atua com frequência ao lado de nomes como Toninho Horta, Márcio Bahia, Gilvan de Oliveira, Serginho Silva, Dudu Lima, Enéias Xavier, Márcio Hallack, André Limão Queiroz, Nestor Lombida, Mauro Continentino, Grupo Ponto de Partida, Carol Serdeira, entre outros.
Foto: Élcio Paraíso
Selecionamos os melhores fornecedores de BH e região metropolitana para você realizar o seu evento.
