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FestCurtasBH encerra 25ª edição com participação ativa do público e olhares diversos para cinemas de vários lugares do mundo, com foco na América Latina e em obras realizadas por mulheres nas últimas décadas
Filmes da Colômbia, Países Baixos e França, além do Rio de Janeiro, de Santa Catarina e de Belo Horizonte ficaram com os prêmios das Competitivas Internacional, Brasil e Minas
O 25º Festival Internacional de Curtas de Belo Horizonte – FestCurtasBH, realizado pela Fundação Clóvis Salgado, foi encerrado neste domingo (22) com a exibição dos filmes premiados na competição. A organização anunciou no sábado (21), após a exibição do filme "El Polvo Ya No Nuba Nuestros Ojos" (2002), do Colectivo Silencio, os curtas vencedores das Mostras Competitivas Minas, Brasil e Internacional, além do filme eleito pelo Júri Popular. Segundo a organização, a edição deste ano alcançou um público de mais de 8.000 pessoas, sendo 5.000 no presencial e mais de 3.000 no virtual – plataforma cineHumbertoMauroMAIS.
Ana Siqueira, coordenadora de curadoria e programação do FestCurtasBH, destaca, entre os pontos altos desta edição, a participação muito ativa e engajada do público, no sentido de trocas e diálogo com realizadores, curadores e convidados do Festival; a mostra de cinema latino-americano, que gerou impacto com a constatação de uma produção profusa e fértil de mulheres realizadoras que não circula no Brasil e que culminou em uma mesa-redonda; e a presença de Cauleen Smith, com uma produção artística extraordinária e trocas que repercutiram intensamente no público dentro e fora da sala, sendo que uma de suas obras, a instalação “Space Station – A Rock in a River”, volta a ser exibida na Galeria Mari’Stella Tristão a partir do dia 24 de outubro (terça-feira), ficando exposta até 29 de outubro (domingo). Segundo Ana, o público está voltando com força para as salas de cinema, celebrando os encontros e atividades em presença, e a experiência coletiva do audiovisual.
Para Matheus Antunes, coordenador executivo, o FestCurtasBH deste ano é um sucesso tanto no quesito público quanto no cumprimento das ações, como sessões e debates, mas também pelo objetivo de formação de novos públicos. "A oficina 'Corpo Crítico' teve, pela terceira vez, uma ampla participação de público de outros estados, o que tinha apenas acontecido em 2021", ressalta. Houve, ainda, um bom nível de acesso à plataforma online, similar ao do ano passado. O coordenador destaca as intervenções e participações artísticas na ampliação do público, como o show de Adriana Araújo e a apresentação do espetáculo infantil “Matias e a Estrada Infinita do Tempo”, da Cia. Bando, ambos com público muito acima do esperado.
Ministério da Cultura, Governo de Minas Gerais, Secretaria de Estado de Cultura e Turismo de Minas Gerais, Fundação Clóvis Salgado e Secretaria Municipal de Cultura apresentam o 25º FestCurtasBH – Festival Internacional de Curtas de Belo Horizonte. O Festival tem patrocínio máster da Cemig e conta com o apoio da MGS por meio da Lei Municipal de Incentivo à Cultura, da Embaixada da França no Brasil e do Instituto Cervantes. A Fundação Clóvis Salgado tem como mantenedores a Cemig e o Instituto Cultural Vale, Patrocínio Master da ArcelorMittal, Patrocínio da Usiminas e Correalização da APPA – Arte e Cultura.
COMPETITIVA INTERNACIONAL
O curta-metragem "Os Órgãos Internos da Mãe Terra" (Colômbia e Países Baixos, 2022), dirigido por Ana Bravo Pérez, foi o grande vencedor da Mostra Competitiva Internacional. O filme recebeu R$5.000 como premiação, além do tradicional Troféu Capivara. A Menção Honrosa foi dividida entre duas produções, o francês "Os Rapazes da Água" (2023), de Pawel Thomas Larue, e o holandês "Vizinho Abdi" (2022), dirigido por Douwe Dijkstra.
Para o júri oficial da categoria, formado por Dayane Tropicaos, Jomaka e Juliana Gusman, o filme "Os Órgãos Internos da Mãe Terra" leva o prêmio por inovar nos usos da linguagem documental e por abordar um tema urgente em uma perspectiva global, mas sobretudo em nosso país. "Com recursos estéticos e narrativos diversos – como experimentação visual, a narração poética e o uso político de depoimentos –, Ana Bravo Pérez destrincha o destino dos recursos naturais dos países latino-americanos", destaca o júri.
Além da Menção Honrosa, "Vizinho Abdi", foi o grande vencedor de Melhor Filme pelo Júri Popular. O documentário experimental conta a história de Abdi, nascido na Somália, que reencena a sua vida, marcada pela guerra e pela criminalidade, com a ajuda do seu vizinho e cineasta Douwe Dijkstra. Essa é a primeira vez desde 2018, quando venceu o alemão “Preparo Automático”, dirigido por Alejandra Tomei e Alberto Couceiro, que um filme internacional ganha na preferência dos espectadores.
O curta holandês já rodou festivais internacionais no ano passado, como o Locarno International Film Festival – onde obteve um honroso segundo lugar como Melhor Filme –, o Telluride Film Festival, o AFI Fest e o Vancouver International Film Festival. Foi, ainda, exibido no 10º Festival de Finos Filmes, em São Paulo, dedicado a títulos premiados.
COMPETITIVA MINAS
Na Mostra Competitiva Minas, Meibe Rodrigues subiu ao palco bastante surpresa ao receber o prêmio pelo curta belo-horizontino "Nunca Pensei que Seria Assim" (2022). Em seu primeiro filme, ela narra o próprio drama durante a pandemia, quando viu o pai ser internado em um hospital. "Esse é um recorte da minha vida, da minha família num período difícil, sem vitimismo. Eu digo: valorize a sua história, esse filme não é mais meu, é nosso".
Carla Maia, Mariana Luiza e Mónica Delgado, que formaram o Júri da Competitiva Minas, creditam a vitória de "Nunca Pensei que Seria Assim" pela maneira como expande a cena familiar e a história pessoal para contextos que atravessam o coletivo e ainda pela habilidosa e sensível articulação de recursos expressivos tão diversos quanto o documentário e a animação, a dramaturgia e o registro direto, com boas doses de invenção – sem abrir mão de uma reflexão sobre o real, com suas contradições e consonâncias.
O material, filmado em celular por Maibe, foi parar nas mãos do amigo e parceiro Matheus Moura, a quem ela também dedicou o prêmio. "Matheus disse para eu não parar, para continuar filmando, mesmo no isolamento. Foi um momento muito triste da minha vida. Acho que o filme está pegando as pessoas, porque elas se identificam com as situações", considera.
COMPETITIVA BRASIL
Outro momento emocionante foi o anúncio do vencedor da Mostra Competitiva Brasil. O fluminense "Expresso Parador" (2023), dirigido por JV Santos e protagonizado por Lidiane Oliveira, levou o Troféu Capivara e R$5.000. Lidiane subiu ao palco aos prantos, muito emocionada. "Esse prêmio é importante, porque é de uma mulher preta contando sua história. Quanto ônibus a gente não teve que pegar para fazer esse filme", disse.
Para Ivonne Sheen, María Campaña Ramia e Marcos Pimentel, do Júri da Competitiva Brasil, "Expresso Parador" leva o Prêmio Capivara pela abordagem que celebra a fabulação como mecanismo para confrontar a crueza do cotidiano e pela inventividade em retratar uma atriz que transita entre a circularidade de seus sonhos e a cidade que se resiste a acolhê-la.
Ainda na Competitiva Brasil, uma Menção Honrosa foi concedida ao curta "Aqui Onde Tudo Acaba" (2023), dirigida Cláudia Cárdenas e Juce Filho, realizada junto a um grupo de indígenas da etnia Laklãnõ Xokleng, na Aldeia Bugio, no interior de Santa Catarina. O filme, que tem um viés poético, foi filmado em 16 mm e transita entre o documentário e a ficção para abordar uma cultura em extinção, sensibilizou os jurados.
ITINERÂNCIA DA MOSTRA
Matheus Antunes, coordenador do FestCurtasBH, agradeceu a grande participação do público. Lembrou, ainda, que os textos produzidos na oficina "Corpo Crítico" podem ser acessados no site oficial e que a instalação "Space Station: A Rock in a River”, da multiartista norte-americana Cauleen Smith, homenageada no Festival com um retrospecto de seus filmes, permanece em cartaz no Espaço Mari’Stella Tristão até 29 de outubro. "A participação do cinema da América Latina teve um grande impacto, uma reverberação muito grande, gerando amplas discussões. E fechando a participação internacional, a presença da Cauleen Smith, um ponto alto da execução do Festival, com a exibição do filme recém-restaurado ‘Drylongso’ (1998)", pontua.
A partir de novembro, destaca Antunes, o FestCurtasBH retoma suas ações de itinerância e interiorização, exibindo os curtas-metragens em escolas e centros culturais da capital mineira e do interior do estado. "Entendemos que ainda estamos em um processo de retomada de público pós-pandemia e o Festival conseguiu demonstrar que ainda tem um fôlego muito grande para seguir nesse caminho de experimentação, com novas propostas, formatos e modos de pensar. E seguimos agora nesse caminho para a ampliação de público na capital, interior e outros estados", destaca.
Nesta edição, 25º Festival Internacional de Curtas de Belo Horizonte – FestCurtasBH recebeu um recorde de inscrições. Foram 3.031 títulos de mais de 106 países, oriundos da Alemanha, Argentina, Bélgica, China, Coreia do Sul, Espanha, Estados Unidos, França, Ilha da Reunião, Irã, Japão, México, Palestina, Reino Unido, Rússia, Senegal, Singapura, Tailândia, Turquia e Venezuela. Dez desses filmes foram selecionados para a Mostra Competitiva Minas e 20 para a Mostra Competitiva Brasil, advindos de 11 estados brasileiros.
Confira os vencedores:
Júri Oficial
Melhor Curta-Metragem [Competitiva Internacional]
“OS ÓRGÃOS INTERNOS DA MÃE TERRA” (2022), de Ana Bravo Pérez | Colômbia/Países Baixos
Menção Honrosa [Competitiva Internacional]
"OS RAPAZES DA ÁGUA" (2023), de Pawel Thomas Larue | França
Menção Honrosa [Competitiva Internacional]
"VIZINHO ABDI" (2022), de Douwe Dijkstra | Países Baixos
Melhor Curta-Metragem [Competitiva Brasil]
“EXPRESSO PARADOR” (2023), de JV Santos | Brasil - Rio de Janeiro
Menção Honrosa [Competitiva Brasil]
“AQUI ONDE TUDO ACABA” (2023), de Cláudia Cárdenas e Juce Filho | Brasil - Santa Catarina
Melhor Curta-Metragem [Competitiva Minas]
“NUNCA PENSEI QUE SERIA ASSIM” (2022), de Maibe Rodrigues | Belo Horizonte
Júri Popular
Melhor Curta-Metragem
"VIZINHO ABDI" (2022), de Douwe Dijkstra | Países Baixos
25º FestCurtasBH - FESTIVAL INTERNACIONAL DE CURTAS DE BELO HORIZONTE
[exposição] SPACE STATION: A ROCK IN A RIVER
[presencial] 24 a 29 de outubro, das 9h30 às 21h, exceto no domingo, das 17h às 21h, no Espaço Mari’Stella Tristão (Palácio das Artes – Avenida Afonso Pena, 1.537, Centro)
Foto: JV Santos
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