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Casa Fiat de Cultura realiza o bate-papo “Retratistas do Morro - A história das imagens brasileiras e outras narrativas possíveis”

Coletivo exibe duas obras na mostra Arte Brasileira: a coleção do MAP na Casa Fiat de Cultura

No dia 26 de outubro, das 19h30 às 21h, a Casa Fiat de Cultura realiza o bate-papo “Retratistas do Morro - A história das imagens brasileiras e outras narrativas possíveis”, com os fotógrafos Afonso Pimenta e João Mendes e o artista visual e idealizador do projeto, Guilherme Cunha. No evento, que é presencial, eles vão contar sobre como o projeto vem trabalhando na conservação do acervo, com mais de 250 mil negativos, além de destacarem a metodologia de trabalho e a importância dos Retratistas do Morro no resgate da memória da história brasileira: a partir do olhar de fotógrafos que moraram e atuaram nas vilas, favelas e comunidades do Brasil, entre 1960 e 2000, eles contam histórias genuinamente brasileiras. O bate-papo será realizado do auditório da Casa Fiat de Cultura, com inscrição gratuita pela Sympla (https://bit.ly/BatepapoRetratistasdoMorro).

O projeto Retratistas do Morro nasce em 2015. Seu principal objetivo é contribuir para a preservação do patrimônio histórico-cultural nacional e a memória oral e visual dos moradores do Aglomerado da Serra, em Belo Horizonte. O projeto resgata vivências comunitárias e cria uma plataforma que permite formar diversas conexões, trazendo para os públicos imagens e registros que, até então, não eram contemplados pelos acervos espalhados pelo país. Guilherme Cunha explica que tudo começa pela pesquisa das imagens e da iconografia da história brasileira, mas que também há espaço para conversa com as pessoas fotografadas e os próprios fotógrafos. “Queremos garantir o não desaparecimento de um lastro simbólico, que esteve secularmente de fora e invisibilizado em arquivos públicos e privados”, conta.

De maneira geral, o que chega desse projeto até o público é o resultado final – uma imagem restaurada, uma história editada. Duas obras, inclusive, estão em exibição na mostra “ARTE BRASILEIRA: a coleção do MAP na Casa Fiat de Cultura”, que fica em cartaz até 4 de fevereiro de 2024. No bate-papo, as pessoas vão conhecer um pouco mais sobre os bastidores dessa história. Os Retratistas do Morro realizam um importante trabalho de preservação do patrimônio imagético, com processos que vão desde a conservação de negativos, limpeza, catalogação e até restauração digital.

O projeto tem sua própria metodologia: o Sistema Modular de Digitalização e Distribuição de Imagens. Tudo começa com a pesquisa de imagens com foco na historicidade, vivências comunitárias, passando pelas escolhas de curadoria e como resultado o resgate da memória oral e visual dessas comunidades que representam o país. Ao reconhecerem a importância do que é produzido nas favelas e entenderem a imagem como, também, um espaço de escuta, compreendendo as histórias que são guardadas nesses registros, os Retratistas do Morro reconstroem a memória coletiva a partir de histórias individuais. “Assim, buscamos inserir essas fotos em espaços até então não ocupados por elas, além de garantir que elas possam perpetuar o imaginário popular”, reflete Guilherme Cunha.

O bate-papo “Retratistas do Morro - A história das imagens brasileiras e outras narrativas possíveis” é uma realização da Casa Fiat de Cultura, da Prefeitura de Belo Horizonte, por meio da Secretaria Municipal de Cultura e da Fundação Municipal de Cultura, e do Ministério da Cultura, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura. Tem incentivo da Lei Municipal de Incentivo da Prefeitura de Belo Horizonte e da Lei Estadual de Incentivo à Cultura. Conta com o patrocínio da Fiat e do Banco Safra, apoio institucional do Circuito Liberdade e apoio do Governo de Minas, do MGS e do Programa Amigos da Casa.

Retratistas do Morro

O projeto Retratistas do Morro, desde 2015, trabalha com objetivo de contribuir para a preservação do patrimônio histórico-cultural nacional e ampliação do entendimento sobre a história das imagens no Brasil, com ênfase em narrativas visuais produzidas principalmente por retratistas tradicionais que atuaram nas favelas e comunidades do país, por meio do mapeamento, identificação, catalogação e restauração desses acervos fotográficos.

O início da pesquisa constituiu em realizar um levantamento para identificação desse grupo de retratistas que atuaram na Comunidade do Aglomerado Serra, em Belo Horizonte, ao longo dos últimos 50 anos, registrando o cotidiano de seus moradores.

A comunidade, onde moram mais de 70.000 pessoas, numa área equivalente a aproximadamente 1.500.000 m2, com cerca de 14.000 moradias, é resultado da expansão populacional e territorial de vilas menores que foram surgindo na encosta da Serra do Curral, a partir de 1914, ainda como solução para muitas famílias que vieram do interior para colaborar na construção da capital mineira ou a procura de emprego e não tinham onde morar.

Dentre os fotógrafos com os quais passamos conviver de forma mais próxima se destacaram, Afonso Pimenta e João Mendes, por estarem atuando na região desde o final da década de 1960 e pelo volume de seus acervos que juntos somam mais de 250.000 fotogramas, entre negativos P&B de médio formato (6×6) negativos coloridos 35mm, monóculos e negativos de ½ 35mm.

As imagens produzidas por eles nos revelam outras versões da história das cidades e das populações de favela no Brasil, contadas a partir das experiências e visão de mundo de seus moradores.

João Mendes

Nascido em Iapu, município de Inhapim, comarca de Caratinga, Minas Gerais, João Mendes trabalhou na roça com os pais desde os 8 anos de idade. Aos 12 se mudou para Ipatinga, em busca de uma nova vida. Depois de passar por vários empregos aos 15 anos, o jovem João inicia sua trajetória como fotógrafo. Foi chamado pelo delegado de polícia de Ipatinga para trabalhar como fotógrafo da perícia, retratando cenas de crimes e casos forenses. No dia 2 de agosto de 1973 João Mendes abre sua loja, Foto Mendes, no bairro Serra, em Belo Horizonte, onde vem trabalhando como fotógrafo há 50 anos. Apesar disso, suas primeiras imagens da região datam do final da década de 1960. A Foto Mendes, é uma referência no território e lá já foram fotografadas quatro gerações de moradores.

Afonso Pimenta

Em 1970, recém-chegado a Belo Horizonte, o jovem Afonso Adriano saiu do interior de São Pedro do Suaçuí, para ajudar sua madrinha, com as despesas da casa na favela do cafezal. Passou uma temporada catando e vendendo esterco até ser contratado como gari pela prefeitura. A fotografia chegou em sua vida por necessidade. Como assistente do fotógrafo João Mendes, enquanto lavava as imagens já reveladas, ia aprendendo seu futuro um ofício. Seu percurso como fotógrafo começa a se estabelecer quando passa a registrar os bailes de “soul” da comunidade a convite de Misael Avelino dos Santos, um dos fundadores da Rádio Favela. Desde 1980 “ganha sua sobrevivência” com a fotografia, registrando bailes, casamentos, batizados, formaturas e acontecimentos sociais na Comunidade da Serra.

Guilherme Cunha

Guilherme Cunha é artista visual, pesquisador e realizador cultural formado em artes plásticas pela Escola Guignard (UEMG) e Pittsate University (KS/EUA). Sua pesquisa poética se baseia na investigação sobre a construção de outros possíveis modelos de percepção e plataformas para produção de conhecimento. Foi artista residente do Atelier #3 na Casa Tomada (SP/2010), do JA.CA (BH/ 2014) e do RedBull Station (SP/2014); É co-idealizador e co-diretor do FIF BH - Festival Internacional de Fotografia de Belo Horizonte (2013/2015/2017/2020). Foi contemplado no programa de exposições do Espaço Cultural Marcantônio Vilaça em 2015, no XIII e XIV Prêmio FUNARTE Marc Ferrez de Fotografia, no Rumos Itaú Cultural 2017/18 e na Bolsa Funarte de Estímulo à Conservação Fotográfica Solange Zúñiga 2019. Recebeu em 2017 o prêmio de preservação do Patrimônio Cultural Brasileiro, do IPHAN, o 30º Prêmio Rodrigo Melo Franco de Andrade.

A Casa Fiat de Cultura

A Casa Fiat de Cultura cumpre importante papel na transformação do cenário cultural brasileiro, ao realizar prestigiadas exposições. A programação estimula a reflexão e interação do público com várias linguagens e movimentos artísticos, desde a arte clássica até a arte digital e contemporânea. Por meio do Programa Educativo, a instituição articula ações para ampliar a acessibilidade às exposições, desenvolvendo réplicas de obras de arte em 3D, materiais em braille e atendimento em libras. Mais de 80 mostras, de consagrados artistas brasileiros e internacionais, já foram expostas na Casa Fiat de Cultura, entre os quais Caravaggio, Rodin, Chagall, Tarsila, Portinari entre outros. Há 17 anos, o espaço apresenta uma programação diversificada, com música, palestras, residência artística, além do Ateliê Aberto – espaço de experimentação artística – e de programas de visitas com abordagem voltada para a valorização do patrimônio cultural e artístico. A Casa Fiat de Cultura é situada no histórico edifício do Palácio dos Despachos e apresenta, em caráter permanente, o painel de Portinari, Civilização Mineira, de 1959. O espaço integra um dos mais expressivos corredores culturais do país, o Circuito Liberdade, em Belo Horizonte. Mais de 3,5 milhões de pessoas já visitaram suas exposições e 600 mil participaram de suas atividades educativas.

SERVIÇO: Bate-papo “Retratistas do Morro - A história das imagens brasileiras e outras narrativas possíveis”
26 de outubro, das 19h30 às 21h
Com os fotógrafos Afonso Pimenta e João Mendes e o artista visual e idealizador do projeto Retratistas do Morro, Guilherme Cunha
Entrada gratuita, com inscrição pela Sympla: https://bit.ly/BatepapoRetratistasdoMorro

Evento presencial
Casa Fiat de Cultura
Praça da Liberdade, 10 – Funcionários – BH/MG
Horário de Funcionamento
Terça-feira a sexta-feira, das 10h às 21h
Sábado, domingo e feriado, das 10h às 18h

Informações
www.casafiatdecultura.com.br
casafiatdecultura@stellantis.com
facebook.com.br/casafiatdecultura
Instagram: @casafiatdecultura
Twitter: @casafiat
YouTube: Casa Fiat de Cultura

Foto:Afonso_Pimenta

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