Notícias
Três filmes mineiros são premiados na 6ª edição do CineBaru
“Onde aprendo a falar com o vento”, dos diretores André Anastácio e Victor Dias (Oliveira), "Fi de Quem?" da diretora Karla Vaniely (Januária) e “Barro Santo - Mão e Fé”, da diretora Pê Coelho (Vale do Jequitinhonha) brilharam na grande tela em Sagarana
Após duas edições realizadas online, o CineBaru - Mostra Sagarana de Cinema retoma as atividades presenciais na vila de Sagarana. Nesta 6ª edição, realizada entre 13 e 15 de outubro, premiou “Onde aprendo a falar com o vento”, dos diretores André Anastácio e Victor Dias (Oliveira/MG), como melhor filme pelo júri técnico e “Tempo de Derruba”, dos diretores Gabriela Daldegan e João Vasconcelos (DF), como melhor filme pelo júri popular. Os anúncios foram feitos na sessão de encerramento da Mostra, no último dia 15.
“Onde aprendo a falar com o vento” conta a história de um grupo de jovens de Oliveira (MG) que fundou o Reinadinho, festejo do Reinado protagonizado apenas por crianças e jovens. Tendo a Capitã Pedrina como mentora, eles aprendem sobre sua história e a de seus antepassados, vivenciando esta tradição afro-diaspórica como um ambiente de cura e aprendizagem. O filme traz uma reflexão sobre o papel da escola e do Reinado enquanto espaços de educação. Victor Dias relata: "É uma satisfação enorme participar de uma mostra tão legal quanto o CineBaru, porque se o exercício de fazer filme é coletivo, quando a gente consegue reunir uma galera em volta de uma tela grande para assistir filmes, parece que o ciclo se completa. Sagarana é um lugar muito especial e querido pra mim. Quando a gente descentraliza as exibições, tirando dos grandes centros, o cinema chega a mais pessoas, que podem se sentir tocadas e, quem sabe, enxergar nele uma possibilidade também de se expressar, fazendo seus próprios filmes".
“Tempo de derruba” é uma denúncia à violação do direito à moradia no Distrito Federal, onde a 1km do Congresso Nacional, do Superior Tribunal de Justiça e do Palácio Presidencial, cerca de 34 famílias vivem na Ocupação CCBB, desde a década de 80 - sempre na luta por moradia digna. Em meio à crise sanitária nacional e à pandemia global da Covid-19, o governo do Distrito Federal promoveu sucessivos despejos considerados ilegais em razão da Lei Distrital nº 6657/2020, de agosto de 2020. Além dos despejos, destruiu todos os barracos e a Escola do Cerrado, construída e mantida por ativistas voluntários. São violações dos direitos à moradia, à saúde e à educação dessas famílias, impedidas de exercer a profissão de catadoras de materiais recicláveis. O filme relata longas trajetórias invisibilizadas de luta e resistência, contadas pelos moradores que rascunham sonhos e denunciam a crueldade do Estado. "Agradeço a oportunidade de exibir nosso filme em Sagarana, local de início de tantos caminhos. É um filme que traz uma denúncia tão urgente de ser disseminada, que conta muito mais do que uma história específica em um tempo único. É muito simbólico receber o prêmio do júri popular, pois foi através dessa força do povo que o filme foi construído, da aposta de militantes que formaram uma equipe totalmente voluntária para dar corpo com atenção e muita dedicação à produção, que não contou nenhum tipo de financiamento. Que essas histórias possam gerar mais força de mobilização e ação em nosso povo, dando sustentação à resistência e esperança para a mudança", disse Gabriela durante a premiação.
O CineBaru ainda distribuiu menções honrosas para “Tô esperando você voltar”, da diretora Marina Lavarini (Salvador/BA), “O Canto das Águas”, do diretor Thiago Viana (Alto Paraíso/GO) e "Fi de Quem?" da diretora Karla Vaniely (Januária/MG). Além disso, “Barro Santo - Mão e Fé”, da diretora Pê Coelho (Vale do Jequitinhonha/MG), ganhou o Prêmio Aquisição SescTV, fruto de uma parceria mantida há cinco anos com o SescTV. O prêmio consiste no licenciamento da obra para o SescTV, o canal cultural do Sesc, por um período de 24 meses, com o valor de 4 mil reais. Luciana Aguiar, produtora executiva do filme, ressalta a riqueza e a potência do cinema produzido no interior de Minas Gerais: "É muito bom a gente se juntar, se ver, se olhar, se mostrar".
Além da Mostra presencial, o CineBaru foi exibido online, entre os dias 18 e 23 de outubro, e itinerou pelas escolas das cidades de Riachinho, Uruana de Minas e Serra das Araras. Victor Dias complementa: "A itinerância permitiu que nosso filme fosse assistido dentro de um espaço que ele próprio discute: as escolas. Deve ter sido importante para os alunos assistirem e refletirem sobre o filme a partir de seus próprios contextos".
Neste ano, a Mostra contou com a inscrição de 124 produções audiovisuais. Foram selecionados 31 curtas-metragens, sendo 28 para a Mostra Competitiva Regional e 5 para a Mostra Sertãozin (infantojuvenil). A curadoria e o júri, ambos compostos por integrantes da equipe e convidados externos, tiveram um olhar especial para filmes dirigidos e/ou protagonizados por mulheres, negras, negros, indígenas e LGBTQIA+.
Foto: Reprodução
Selecionamos os melhores fornecedores de BH e região metropolitana para você realizar o seu evento.
