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Tutu com Tacacá lança single que reverencia o ‘jeito mineiro’ de dançar o carimbó
“Mineira no Carimbó” chega às plataformas digitais no dia 29 de outubro, sexta-feira, misturando guitarras, tambores, viola e coros vocais; segundo single do disco de estreia, previsto para novembro, faixa protagoniza a dança do carimbó
Ao carimbó paraense, de pés descalços e rebolado típico da região amazônica, acrescente um mar de saias floridas de chita e um jeitinho mineiro de fazer festa chegando pelas beiradas, sem pressa, mas com bastante fervor. Com essa mistura azeitada entre Minas e Pará, a banda Tutu com Tacacá – que no nome carrega a união de dar água na boca entre pratos típicos dos dois estados – lança nas plataformas digitais, no próximo dia 29 de outubro, sexta-feira, o segundo single da carreira. “Mineira no Carimbó” apresenta, a partir de coros inspirados em festas tradicionais de Minas, violas, tambores, guitarras e banjos paraenses, a forma única pela qual as mulheres mineiras desenvolveram o dançar do carimbó: uma tradição que pode ser entendida para além do ritmo, mas também como uma identidade nascida no Norte do país e, agora, maturada na cozinha sonora mineira.
O single “Mineira no Carimbó”, de autoria da percussionista Marina Araújo, presta uma homenagem a uma aparição tradicional do Carnaval de Belo Horizonte, quando quase uma centena de mulheres que compõem o corpo de baile do Bloco da Fofoca-Carimbó dançam juntas, em um baile a céu aberto de pés arrastados e bem marcados, formando um mar de saias floridas de chita – tecido tradicional do interior de Minas Gerais, característico por suas cores fortes e solares.
Para além da estética carnavalesca, as saias de chita inspiraram o single “Mineira no Carimbó” pela forma particular pela qual as mulheres dançam o carimbó, entre o rebolado quebrado, a pisada ligeira e a suavidade característica das mineiras. “O que diferencia (a dança mineira) da paraense são as vivências. Não tem como uma pessoa que nasceu em Minas dançar como uma pessoa que nasceu no Pará. A gente tenta reproduzir os movimentos da dança paraense, mas o repertório de vida do nosso corpo mineiro traz outras características ao bailado”, explica a vocalista Ana Luísa Cosse.
Marcada pelas linhas de guitarra aceleradas, o banjo artesanal, os curimbós e as maracas características do Pará, “Mineira no Carimbó” também carrega coros influenciados pela folia de reis e pelas festas de Reinado. Nos vocais, Ana Luísa divide a interpretação com a própria mãe, Vivi Cosse, que também é maraqueira da banda. Juntas, elas criam tonalidades harmônicas suaves, como manda o costume mineiro, mas abraçadas pela potência vigorosa requerida pelo carimbó.
A participação especial da dançarina Mariana Razzi, com palmas e sapateados inspirados na catira mineira, encorpam a música com a essência da cultura popular mineira. Além desses componentes de raiz, o single tem a presença marcante da viola caipira e dos patangomes, instrumentos percussivos utilizados pelas Irmandades mineiras. “No final, há uma modulação inspirada em ‘San Vicente’, composição do Milton Nascimento, outra escolha nossa para trazer a mineiridade para o single”, completa Camila Menezes, baixista da banda.
“Mineira no Carimbó” é o segundo single da banda, após o lançamento de “Canto de Moçambique/Tutu com Tacacá”. As músicas fazem parte do primeiro álbum da banda, intitulado “Tutu com Tacacá”, e composto por nove canções autorais, sendo cinco de Marina Araújo, uma parceria entre a vocalista Ana Luísa Cosse e o produtor Luiz Camporez,outra parceria entre Marina, Ana e Luiz, além de composições da flautista Shari Simpson e do ex-guitarrista da banda, Pedro Fonseca. O álbum é resultado de uma intensa residência artística de Marina Araújo e Ana Luísa Cosse, em uma imersão no Pará regada a muito carimbó.
Sobre o Tutu com Tacacá
Nascido em 2016, o Tutu com Tacacá é fruto do encontro entre musicistas do Grupo Folclórico Aruanda (dedicado à pesquisa das culturas populares tradicionais brasileiras), que queriam experimentar novas possibilidades estéticas e musicais. Antes da banda, porém, esse núcleo de artistas pediu a “bença” da tradição para levar o carimbó ao Carnaval de rua de Belo Horizonte, criando o Bloco da Fofoca. “A fofoca é uma vestimenta íntima que utilizamos embaixo da maioria dos trajes das danças pesquisadas pelo Aruanda. Começamos a dançar vestidas de fofoca e decidimos que o nosso bloco seria o bloco das ‘fofoqueiras’. Já existia uma pesquisa de carimbó no Aruanda, conhecíamos as sonoridades e as movimentações da dança. Então, sempre foi um ritmo apaixonante e envolvente para nós”, conta a vocalista, Ana Luísa Cosse.
O primeiro desfile do Bloco da Fofoca foi a fagulha para a criação de um projeto que se estendesse durante todo o ano, surgindo então o Tutu com Tacacá. “Fomos ao Pará, participamos de rodas de carimbó, conversamos com mestres e movimentadores para entendermos como se dava a manifestação. Tocamos carimbó com os instrumentos mineiros junto com o grupo Tambores do Pacoval, da Ilha do Marajó. Voltamos inspiradas e com muita vontade de apresentar a cada vez mais pessoas a delícia do ritmo do carimbó”, relembra Cosse. “As sonoridades mineiras foram chegando aos poucos e espontaneamente. Nossas composições são inspiradas nas tradições paraenses e mineiras, mas as letras refletem nossas vozes, nossos posicionamentos, o que temos vontade de dizer ao mundo”.
No que tocam às referências, o Tutu com Tacacá reverencia as irmandades mineiras, em especial as guardas de Moçambique e Congo, bem como as Folias de Reis. Também são referências para nós a Vesperata de Diamantina, Milton Nascimento e o Clube da Esquina”, conta a percussionista Marina Araújo. Do Pará, a banda busca referência em diversos nomes, tais como Mestre Verequete, Dona Onete, Pinduca, Mestre Lucindo, Mestre Diquinho, Mestre Chico Braga, Grupo de Tradições Marajoara Cruzeirinho, Grupo Tambores do Pacoval, Grupo Eco Marajoara, Grupo Sancari, Grupo Cheiro do Pará, Grupo Frutos do Pará. “Também nos inspiram artistas como Lia Sophia, Fafá de Belém, Joelma, Gaby Amarantos, Felipe Cordeiro e Félix Robatto”.
A formação do Tutu com Tacacá conta ainda com Camila Menezes (baixista), Leléo Lima (percussionista), Shari Simpson (flautista), Stênio Galgani (guitarrista) e Viviane Cosse (vocalista e maraqueira). Nesses cinco anos de história, o Tutu com Tacacá já realizou shows em eventos como 13º Festival de Verão da UFMG (2019), Mostra de Cinema de Tiradentes/MG (2019) e I Festival Sindical da Canção (2017). A banda também foi vencedora do concurso “Sarau Minas Tênis Clube”, em 2019, no qual realizou um show em homenagem à cantora Dona Onete, diva do carimbó paraense; e recebeu o Prêmio Cultural Aldir Blanc, da Prefeitura Municipal de Belo Horizonte, em 2020, na categoria Linguagens Artísticas.
Tutu com Tacacá lança “Mineira no Carimbó”
Dia 29 de outubro, sexta-feira, nas plataformas digitais
Foto: Capa Tutu com Tacacá - Mineira no Carimbó / Divulgação
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